11 de setembro de 2026

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Educativa defende barreiras contra doutrinação religiosa no currículo das escolas

Geral Educação 11/09/2026 11:24 Assessoria de imprensa de Adriana Vasconcellos

Professora e candidata a deputada estadual em São Paulo propõe fiscalização rigorosa para garantir a laicidade do ensino público, impedindo a imposição de crenças específicas, enquanto fortalece o ensino obrigatório da história e cultura afro-brasileira e indígena em todas as disciplinas.

Educadora da rede pública e candidata a deputada estadual por São Paulo, Adriana Vasconcellos (MDB) defende que o Estado garanta a liberdade religiosa nas escolas, assegurando que nenhum credo seja imposto ou hostilizado neste ambiente.

A professora alerta para o crescimento de projetos de lei que propõem a inclusão de conteúdo religioso específico no currículo, como a adoção da Bíblia como livro paradidático em escolas públicas. Segundo ela, essas propostas afrontam o artigo 5º da Constituição Federal, que garante a inviolabilidade da liberdade de consciência e de culto, e com o caráter laico do ensino público.

  • Adriana Vasconcellos propõe fiscalização rigorosa para impedir a imposição de crenças religiosas na escola pública.
  • Ela defende a aplicação igualitária das leis que obrigam o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena.
  • A candidata sugere a inclusão de símbolos africanos como os adinkras em aulas de matemática e ciências.
  • É proposto que pais tenham canais formais para cobrar das escolas o cumprimento das leis educacionais.
  • Adriana tem trajetória em coletivos de defesa da população negra e criação de políticas públicas antirracistas em SP.

A defesa da laicidade no ensino público

"A escola pública é de todos os credos e também de quem não professa religião alguma. Meu mandato vai trabalhar para que ela cumpra a lei: que não imponha nenhuma fé aos estudantes, mas também que não continue apagando a história e a cultura afro-brasileira e indígena que a Constituição já manda ensinar", afirma a candidata.

Propostas de fiscalização e integração curricular

Ativista de políticas educacionais desde 2016, Vasconcellos pretende propor, se eleita, a fiscalização periódica das Diretorias Regionais de Ensino (DREs) quanto ao cumprimento das leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que tornam obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas públicas e privadas do país.

Segundo ela, a aplicação da legislação hoje é desigual e concentrada nas disciplinas de humanas, quando deveria atravessar toda a grade curricular, inclusive as exatas. Como exemplo, cita o ensino dos adinkras, símbolos filosóficos de origem africana, que poderiam ser incorporados a aulas de matemática sem alterar o conteúdo previsto na Base Nacional Comum Curricular.

"Os adinkras também são o que chamamos de símbolos 'suleadores', termo oposto a 'norteadores', ou seja, que trazem as discussões para o sul global, possibilitando a ampliação da visão de mundo e os diversos pontos de partida", explica Adriana.

Canais de cobrança e proteção à diversidade de fé

A candidata defende ainda que pais e responsáveis tenham canais formais para cobrar das escolas a aplicação da lei, hoje frequentemente descumprida sem qualquer consequência administrativa. No campo da liberdade religiosa, propõe que o Legislativo estadual crie instrumentos de acompanhamento de projetos de lei municipais e estaduais para identificar, antes da tramitação avançar, iniciativas que confundam formação ética com doutrinação de um credo específico.

"A liberdade religiosa não pode se restringir a um único segmento. Ela precisa proteger qualquer criança que seja hostilizada por sua fé, seja ela de matriz africana, judaica, islâmica ou de qualquer outra tradição", afirma Adriana Vasconcellos.

Trajetória em políticas afirmativas e combate ao racismo

A professora Adriana Vasconcellos tem histórico de atuação em coletivos de defesa da população negra, entre eles o Movimento da Mulher Negra Brasileira (MMNB), a Educafro e a Marcha das Mulheres Negras. Na Secretaria Municipal de Relações Internacionais de São Paulo, criou a política pública "São Paulo o Farol de Combate ao Racismo Estrutural", executada em parceria com a Secretaria Municipal da Educação, e foi idealizadora da I Expo Internacional Dia da Consciência Negra.

Em 2022, apresentou essa política em Zanzibar, na Tanzânia, durante o 3º Festival Mundial de Artes e Culturas Negras e Africanas (FESTAC), integrando uma delegação formada exclusivamente por mulheres negras. Na Agência de Desenvolvimento de São Paulo (Adesampa), criou projeto que uniu formação em costura e empreendedorismo para mulheres.

Atuação parlamentar e diálogo entre diversos grupos

Entre 2016 e 2018, foi assessora parlamentar na Câmara Municipal de São Paulo, onde aproximou coletivos negros, periféricos, de mulheres, capoeiristas, universitários, de matrizes africanas, professores e evangélicos em torno de pautas comuns. No período, promoveu debate sobre a divisão equitativa de verbas públicas e do fundo eleitoral, com base em tese acadêmica do jurista Osmar Teixeira, que posteriormente fundamentou ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre proporcionalidade de recursos, além de coordenar o simpósio "Diálogos sobre a Saúde Mental da População Negra", com cinco dias de duração. Também elaborou, como assessora, projetos de lei construídos a partir da escuta direta desses grupos.