Novos resultados do PISA revelam estagnação da educação no Brasil, onde 72% dos estudantes de 15 anos ficam abaixo do nível básico em matemática. Especialistas apontam que o problema é a falta de aprendizagem desde os primeiros anos, somada à desigualdade, e sugerem soluções para romper o ciclo.
Os resultados do PISA 2025, divulgados nesta segunda-feira (8), reacenderam o alerta sobre a qualidade do ensino no Brasil. O levantamento mostra que 72% dos estudantes de 15 anos não conseguem resolver problemas matemáticos básicos, como converter moedas ou comparar distâncias simples. Em outras palavras, cerca de 7 em cada 10 jovens brasileiros estão abaixo do nível esperado para a sua idade.
Para comparação, a média da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) é de apenas 35%. Além disso, praticamente nenhum aluno brasileiro atinge os níveis mais avançados da avaliação, enquanto a média internacional é de 8%. A situação mais preocupante é a estagnação: o desempenho do país segue estagnado há cerca de uma década, sem apresentar os avanços esperados.
- 72% dos brasileiros de 15 anos não dominam matemática básica.
- A matemática é cumulativa: lacunas no início afetam todo o percurso escolar.
- O Brasil resolveu o acesso à escola, mas ainda não a qualidade da aprendizagem.
- Projetos sociais usam olimpíadas para engajar jovens na ciência.
- A estagnação decorre da desigualdade de oportunidades, não falta de talento.
Um dos principais motivos para esse cenário é a natureza cumulativa da matemática. Quando o aluno não compreende os conceitos iniciais, as dificuldades se acumulam, tornando os conteúdos mais complexos do fim da educação básica praticamente ininteligíveis. É esse ciclo vicioso que iniciativas de reforço escolar e programas de identificação de talentos buscam quebrar.
Diagnóstico e caminhos para mudar a realidade
Para analisar esse quadro, o especialista em educação e vice-presidente do Instituto Fliegen, Ralph Reis, destaca a necessidade de olhar para as raízes do problema. O projeto, baseado em Cotia (São Paulo), prepara estudantes da rede pública para olimpíadas de matemática, física, robótica e astronomia. Reis aponta questões centrais que precisam ser debatidas.
A primeira pergunta fundamental é por que o Brasil conseguiu ampliar o acesso das crianças às salas de aula, mas ainda falha em garantir que elas realmente aprendam os conteúdos essenciais. Segundo o especialista, a base construída nos primeiros anos de escolaridade determina diretamente o desempenho futuro. Se a alfabetização matemática não é sólida, o estudante chega ao ensino médio com grandes deficiências.
Desigualdade e potencial oculto
Outro ponto crucial levantado pela assessoria é o peso da desigualdade. Os resultados do PISA mostram que a falha não vem da falta de talento dos estudantes, mas sim da falta de oportunidades. Muitas crianças não têm acesso ao mesmo tipo de estímulo e recurso que os alunos de regiões mais desenvolvidas.
Por fim, a questão que se apresenta para o futuro é o que pode ser feito na prática para romper essa estagnação nas próximas edições. A presidente do Instituto, Gabriela Rudnik, reforça que políticas de equidade e impacto social são essenciais para mudar essa realidade, garantindo que todos tenham as mesmas condições de aprender independentemente da origem social.

Educação (IA)


