No dia 9 de setembro, Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal, especialistas reforçam que não existe dose segura de álcool para gestantes. A exposição da mãe ao álcool pode causar malformações graves, problemas de aprendizagem e atrasos no desenvolvimento, sem possibilidade de cura.
O dia 9 de setembro é marcado como o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal, conhecida pela sigla SAF. Esta data é celebrada por organizações de saúde ao redor do mundo, além do Instituto Olinto Marques de Paulo (OMP) e outras entidades médicas e da sociedade civil no Brasil. O objetivo é conscientizar a população sobre os riscos graves que o consumo de álcool durante a gravidez representa para o desenvolvimento fetal.
A Síndrome Alcoólica Fetal é uma condição séria e pouco conhecida, com diagnóstico complexo. Ela se manifeste por meio de alterações físicas, comportamentais, emocionais e de aprendizagem na criança. Representa o quadro mais grave dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF), que incluem uma ampla gama de problemas, desde leves a severos, resultantes da exposição ao álcool ainda no ventre materno.
Riscos reais e dados alarmantes no Brasil
- Não existe nenhuma quantidade de álcool considerada segura durante a gravidez.
- Estimativas apontam que cerca de 450 mil gestantes no Brasil consomem álcool no período.
- Apenas 1% das crianças afetadas pela SAF são diagnosticadas adequadamente.
- O consumo pode elevar o risco de alterações no feto em até 65 vezes.
- Os danos causados são permanentes e, em muitos casos, irreversíveis.
No país, não há dados oficiais completos sobre a prevalência da doença. No entanto, um estudo realizado na periferia de São Paulo revelou que 38 a cada 1.000 bebês nascidos apresentavam algum transtorno relacionado ao uso de álcool pela mãe. Esse número pode ser subestimado, considerando que a maioria dos casos não é identificada pelos sistemas de saúde.
Sara Assis, gestora do Instituto OMP, alerta que a única causa da SAF é o consumo de álcool na gravidez. "A única causa da SAF é o consumo de álcool na gravidez. Hoje, sabemos que mais de 450 mil gestantes no Brasil mantêm esse hábito, expondo seus bebês a riscos graves e permanentes, muitas vezes por desconhecimento dos impactos causados. O consumo de álcool na gravidez não é seguro em nenhuma quantidade. A abstinência é o único caminho para prevenir todos os transtornos do espectro alcoólico fetal e proteger a vida e o futuro de milhares de crianças", afirmou.
Por que a data é 9 de setembro
O primeiro Dia Mundial de Prevenção da SAF foi comemorado em 9 de setembro de 1999. A iniciativa partiu do casal canadense Bonnie Buxton e Brian Philcox, que haviam adotado uma criança portadora da síndrome. A escolha da data, o nono dia do nono mês do ano, foi simbólica, fazendo referência direta aos nove meses de duração de uma gestação comum.
Essa data serve como um lembrete constante para que as mulheres evitem o consumo de qualquer tipo de bebida alcoólica durante todos os nove meses de gravidez. É importante lembrar que o álcool não se limita às bebidas tradicionais. Ele também está presente em sacolés alcoólicos, chás Kombucha, bombons recheados com licores e até em algumas cervejas rotuladas como "zero álcool", o que torna a prevenção mais desafiadora.
Consequências físicas e a importância da prevenção
De acordo com a Dra. Rosiane Mattar, ginecologista obstetra e Diretora Científica da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP), beber durante a gestação eleva o risco de alterações fetais em até 65 vezes. "A SAF pode acarretar vários tipos de malformações congênitas e não há nível seguro para o consumo de bebidas alcoólicas na gestação. Por isso, a recomendação é evitar qualquer tipo e quantidade de bebida alcóolica", alertou a especialista.
Os riscos incluem malformações faciais, neurológicas, cardíacas e renais. Isso pode resultar em deformidades na face, dedos e juntas, além de restrição no desenvolvimento do crânio e cérebro, crescimento lento, problemas de visão e audição. A Dra. Rosiane explica que, embora o diagnóstico precoce ajude a aliviar alguns sintomas, não há cura para a SAF. "O diagnóstico precoce da doença e a instituição de tratamento ainda na primeira infância pode abrandar as manifestações da SAF, mas não há como reverter os efeitos da ingestão materna de bebidas alcoólicas durante a gestação, pois a SAF não tem cura. Uma vez diagnosticados, alguns destes problemas são irreversíveis".
Campanha de conscientização e ações sociais
Por ser a abstinência a única forma de prevenção, o Instituto OMP tem promovido campanhas de conscientização desde 2023. A organização atua para proteger a saúde das crianças ainda na fase de gestação. "Desde que iniciamos a campanha, alcançamos cerca de 5 milhões de pessoas, com vídeos informativos nas redes sociais", revelou Sara Assis.
Neste ano, as ações serão intensificadas até as festas de fim de ano. O Instituto participou do 31º Congresso SOGESP em agosto, com um material interativo para reforçar a mensagem de prevenção. Para mais informações, o público pode acompanhar as redes sociais do Instituto OMP e de suas entidades parceiras, incluindo organizações médicas e não governamentais.

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