05 de setembro de 2026

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Evangélicos apoiam Augusto Cury e bolsonaristas reagem: entenda a disputa

Geral Eleicoes 05/09/2026 08:18 Casa Galileia e Instituto Democracia em Xeque

Relatório aponta mobilização de líderes cristãos em favor do candidato do Avante, o que gerou reação de bolsonaristas que o rotulam de esquerda. Entre 17 e 30 de agosto, milhares de conteúdos foram analisados, revelando estratégias de cada lado para conquistar o voto do fiel.

A subida rápida de Augusto Cury nas pesquisas

O crescimento de Augusto Cury (Avante) nos levantamentos eleitorais colocou o candidato no centro da disputa presidencial nesta semana. No levantamento BTG/Nexus, Cury foi de 2% para 11% das intenções de voto entre as duas últimas rodadas. A AtlasIntel também registrou avanço, de 3% para 7,8%. Na Quaest desta quarta-feira (2), o candidato aparece com 10%. Já no Datafolha divulgado nesta quinta-feira (3), Cury chega a 8%, ficando em terceiro lugar, atrás de Lula (PT), com 38%, e Flávio Bolsonaro (PL), com 33%.

O monitoramento das redes evangélicas mostra que essa movimentação já vinha ganhando forma antes dos levantamentos mais recentes. Influenciadores, lideranças religiosas e políticas, principalmente do campo da direita, passaram a defender publicamente Cury. Apresentam-no como um cristão, sem vaidade e movido por propósito. A mobilização provocou uma reação de setores bolsonaristas, que passaram a associá-lo à esquerda e a apresentá-lo como um possível cavalo de Troia na eleição.

Para entender melhor a situação, veja os principais pontos:

  • Augusto Cury subiu de 2% para 11% na pesquisa BTG/Nexus.
  • Líderes cristãos defenderam o voto por convicção, não por medo.
  • Bolsonaristas tentam rotular Cury como uma estratégia da esquerda.
  • Flávio Bolsonaro é visto como a principal alternativa para derrotar Lula.
  • O relatório analisou mais de 24 mil conteúdos em redes sociais.

O que diz o relatório das organizações

O movimento é um dos principais achados da sétima edição do relatório Narrativas Evangélicas e Contexto Eleitoral. O documento foi produzido pela Casa Galileia em parceria com o Instituto Democracia em Xeque. O levantamento acompanha publicações realizadas entre 17 e 30 de agosto. A análise envolveu conteúdos de 573 perfis de lideranças políticas e religiosas, organizações, veículos e influenciadores evangélicos no Instagram, YouTube, X, TikTok e Facebook.

No período, foram identificados 24.227 conteúdos, que somaram cerca de 142,6 milhões de interações no universo monitorado. O relatório completo está disponível no site da organização Casagalileia.org na categoria cgdx.

Apoio de influenciadores e pastores

A defesa do voto em Augusto Cury ganhou espaço entre influenciadores e lideranças religiosas de grande alcance. Uma publicação de Raphael Soares sobre o candidato chegou a 1,4 milhão de interações e ficou entre os conteúdos de maior repercussão no período. Nos conteúdos de apoio, Cury é apresentado como um candidato bem-sucedido fora da política. A narrativa argumenta que ele não dependeria do cargo para obter poder ou ganhos financeiros, sendo associado a ideias de propósito, virtude e serviço.

A pastora Fabiola Melo, com mais de 3 milhões de seguidores, também defendeu o voto em Cury no primeiro turno. Ela destacou a identidade cristã do candidato e a importância de votar por convicção, e não por medo. Portais evangélicos repercutiram sua trajetória de ex-ateu que teria se tornado um cristão sem fronteiras. Enquanto outros conteúdos chegaram a associar sua entrada na política a um envio divino.

A participação de políticos e a reação da direita

A movimentação também alcançou lideranças políticas. Pablo Marçal (União) declarou apoio a Cury e defendeu que candidaturas da direita podem mobilizar eleitores indecisos. Ele argumenta que essas pessoas poderiam votar em branco ou nulo, sem necessariamente favorecer Lula (PT). Na avaliação de Marçal, esses candidatos poderiam se alinhar em um voto contra o atual governo em um eventual segundo turno.

O apoio foi acompanhado por uma reação de setores bolsonaristas do campo evangélico. Eles questionaram a legitimidade política e religiosa de Cury e criticaram sua defesa da pacificação e da união. A disputa evidencia duas estratégias para o primeiro turno. De um lado, apoiadores de Cury defendem o voto por convicção e associam sua candidatura a valores cristãos. De outro, bolsonaristas reforçam Flávio Bolsonaro como a alternativa considerada mais viável para derrotar Lula.

Outros destaques do monitoramento

A comunicação de Michelle e Flávio Bolsonaro buscou reforçar uma imagem de unidade do campo bolsonarista. Houve foco na transferência de capital político de Jair Bolsonaro para a candidatura do filho. Michelle apareceu ao lado de Flávio em propaganda eleitoral e apresentou o candidato, Celina Leão e Bia Kicis como o time do coração do ex-presidente. Eduardo Bolsonaro também mobilizou a candidatura do irmão para defender a força do bolsonarismo no Nordeste.

Nikolas Ferreira (PL) liderou o ranking de engajamento entre as lideranças políticas. Ele ocupou seis das dez primeiras posições entre as publicações de maior repercussão. Em sua campanha à reeleição, combinou ataques a Lula, pautas de segurança pública e aproximação com o agronegócio. O relatório identifica nesses conteúdos uma convergência entre agro, valores cristãos, segurança pública e armamentismo, próxima ao repertório da chamada bancada boi, Bíblia e bala.

Erika Hilton (PSOL-SP) aparece no monitoramento tanto como alvo de ataques da extrema direita quanto como ativo eleitoral do campo progressista. Lucas Pavanato (PL) se referiu à deputada de forma transfóbica. Após determinação judicial para retirar a publicação, ele apresentou a decisão como tentativa de censura e perseguição. Ao mesmo tempo, Erika participou de conteúdos de campanha de Marina Silva (Rede-SP) e recebeu o apoio da candidata durante um ato eleitoral.

A mobilização da esquerda evangélica

O campo da esquerda evangélica também se mobilizou no período. As 2.885 publicações identificadas somaram aproximadamente 5,3 milhões de interações. André Janones liderou a repercussão nesse universo, seguido por Marina Silva, Henrique Vieira, Carlos Bezerra Jr., Benedita da Silva e pelo perfil Evangélicos com Lula. O monitoramento identifica a construção de uma linguagem cristã própria nesse campo. Essa linguagem associa trabalho digno, combate à fome, democracia, liberdade de consciência, proteção das mulheres e respeito à diversidade a valores cristãos.

Entre as estratégias de desinformação identificadas, o relatório destaca uma publicação do deputado Marcel van Hattem (Novo-RS). O conteúdo tratava de uma ação contra a chapa Lula/Alckmin relacionada ao desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval. A decisão citada permitiu o prosseguimento da ação e a produção de provas, mas não representou condenação ou comprovação das acusações. Segundo a análise, o conteúdo extrapola a decisão judicial ao apresentar a admissibilidade do processo como evidência de culpa e da possibilidade de Lula se tornar oficialmente inelegível.

Frequência e temas do monitoramento

Esta é a sétima edição da série quinzenal Narrativas Evangélicas e Contexto Eleitoral. Desde maio, a série acompanha atores, narrativas e disputas políticas que ganham força no ecossistema evangélico durante as eleições de 2026. As edições anteriores abordaram temas como bolsonarismo, disputa pelo voto cristão, perseguição religiosa, aborto, segurança pública, desinformação e a mobilização da esquerda evangélica.

Os relatórios podem ser acompanhados no site da Casa Galileia, na categoria cgdx.