No Dia Mundial da Barba, um dermatologista explica como evitar infecções e manter a pele do rosto saudável.
No dia 5 de setembro, comemora-se o Dia Mundial da Barba. Esse dia chama atenção para um símbolo que vai além da estética: a barba também representa estilo, identidade e expressão pessoal. Mas, por trás do visual, o cuidado com a pele do rosto é essencial.
Uma pesquisa feita em 2025 pelo Instituto Opinion Box mostrou que 65% dos homens brasileiros se preocupam mais com a aparência. Além disso, 84% querem fazer algum procedimento estético e 41% já têm uma rotina diária de cuidados com a pele, como uso de protetor solar (48%), hidratante (40%) e produtos de limpeza facial (28%).
- 65% dos homens cuidam mais da aparência.
- 84% desejam fazer algum procedimento estético.
- 41% já têm rotina diária de cuidados com a pele.
- Protetor solar é o produto mais usado (48%).
- Barba precisa de higiene diária para evitar problemas.
O dermatologista e professor da Afya Ipatinga, Dr. Ismael Alves Rodrigues Júnior, explica que a barba deve ser lavada todos os dias, pois acumula suor, oleosidade, células mortas e resíduos. Em geral, lavar uma vez ao dia é suficiente, usando um sabonete suave. Quem tem pele oleosa ou transpira muito pode precisar lavar com mais frequência.
É importante evitar produtos agressivos e lavagens em excesso, que podem causar ressecamento e irritação. Depois de lavar, é preciso enxugar bem a barba. Quem usa lâmina deve mantê-la limpa e bem afiada. Evite passar várias vezes no mesmo lugar e não vá contra o crescimento dos pelos, para reduzir irritações e pelos encravados. As loções pós-barba não são indispensáveis, mas se forem usadas, evite as que têm muito álcool ou perfume.
Segundo dados da Fortune Business Insights, o mercado global de produtos de higiene masculina movimentou US$ 64,63 bilhões em 2025. A previsão é chegar a US$ 67,70 bilhões em 2026 e US$ 90,63 bilhões até 2034, com um crescimento anual de 3,71%.
A Europa lidera esse mercado, com 36,50% do total global. Mas o consumo está crescendo em todas as regiões, porque cada vez mais homens estão usando produtos específicos, como óleos com aromas de rosa e oliva, e géis à base de aloe vera, que ajudam a suavizar a pele, dar maciez aos fios e proteger contra o sol e o ressecamento.
O Dr. Ismael chama atenção para o fato de que o uso de alguns produtos na barba pode causar problemas na região. Mas nem sempre isso acontece por falta de higiene ou descuido. Ele destaca três condições comuns:
Foliculite: é uma inflamação dos folículos capilares, relativamente comum. Pode estar relacionada a bactérias, atrito e ao próprio ato de barbear. Os pelos encravados também são frequentes, principalmente em homens com pelos grossos ou encaracolados, podendo causar a chamada pseudofoliculite da barba.
Dermatite seborreica: provoca vermelhidão, coceira e descamação. Também pode ocorrer dermatite de contato, que é uma reação a produtos aplicados na região, como perfumes, cosméticos e óleos.
Micoses: são menos frequentes, mas também podem afetar a barba, causando vermelhidão, descamação, pus e falhas nos pelos. Nesses casos, é importante ter um diagnóstico correto, pois o tratamento pode exigir medicamentos por via oral.
O especialista da Afya complementa que ter bactérias na barba não significa que ela esteja 'suja' ou que exista uma infecção. O problema surge quando esses microrganismos se proliferam ou quando a barreira da pele é rompida. "O próprio ato de barbear pode causar pequenas lesões que facilitam a entrada de bactérias. Por isso, objetos de uso pessoal, como lâminas, máquinas e toalhas, nunca devem ser compartilhados. Além do risco de cortes, uma lâmina contaminada pode transmitir infecções pelo sangue."
Atenção aos sinais na pele
Uma pequena vermelhidão ou ardência logo após fazer a barba é comum e costuma melhorar sozinha. O que merece atenção é quando a alteração persiste, piora ou vem acompanhada de outros sintomas.
O Dr. Ismael informa os principais sinais de que o problema pode ser mais sério do que uma simples irritação:
- Pus e crostas: indicam que é preciso investigar a causa.
- Dor, inchaço e aumento da vermelhidão: especialmente se forem intensos ou progressivos.
- Feridas ou queda de pelos: áreas onde os pelos começam a cair merecem avaliação.
- Coceira e descamação persistentes: podem ser sinais de dermatite, micose ou outra doença de pele.
- Caroços ou lesões que voltam com frequência: é importante procurar um dermatologista.
- Manchas e cicatrizes: alterações que deixam marcas na pele também são motivo para buscar ajuda.
- Ausência de melhora: se o problema não melhora com os cuidados habituais, a avaliação médica é indicada.
Outro ponto de atenção é o uso de pomadas por conta própria. É comum recorrer a produtos que combinam corticoide, antibiótico e antifúngico diante de qualquer vermelhidão ou coceira. Embora possam melhorar temporariamente a aparência, essas pomadas podem mascarar doenças, dificultar o diagnóstico e até piorar o problema.

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