Um especialista responde à dúvida mais comum em idosos: quando o esquecimento é apenas parte da velhice e quando pode ser sinal de uma doença. Saiba os sinais de alerta e o que procurar.
Esquecer faz parte do envelhecimento Neuróloga explica
A pergunta mais frequente no consultório de neurologia é: "Doutora, estou esquecendo as coisas. Será que estou desenvolvendo uma demência". Essa preocupação é muito comum, especialmente para quem teve alguém na família com Alzheimer ou outro tipo de demência. No entanto, é fundamental entender que nem todo esquecimento representa uma doença.
Nossa memória também envelhece. Com o passar dos anos, é natural demorar mais para lembrar um nome, esquecer onde deixou um objeto ou precisar de alguns segundos para recuperar uma informação. Quantas vezes entramos em um cômodo e esquecemos o motivo pelo qual fomos até lá Em muitos casos, a memória volta pouco tempo depois.
- Nem todo esquecimento é sinal de demência; a memória também envelhece naturalmente.
- Sono ruim, estresse, ansiedade e depressão podem atrapalhar a lembrança.
- Perder as chaves não é o mesmo que esquecê-las, mas não saber a que porta elas abrem.
- Observar se o esquecimento é progressivo e afeta a rotina é essencial.
- Avaliação médica ajuda a causas tratáveis como problemas de tireoide ou falta de vitaminas.
Muitas vezes, a informação é lembrada mais tarde ou após receber uma pequena ajuda. Isso é bem diferente de perder a capacidade de aprender coisas novas ou de reconhecer situações que antes faziam parte da rotina diária.
Quais são os sinais preocupantes de perda de memória
O que realmente preocupa é quando os esquecimentos se tornam frequentes e pioram ao longo do tempo. A pessoa começa a repetir as mesmas perguntas várias vezes, esquece eventos recentes importantes, perde-se em lugares que conhece bem ou tem dificuldade em organizar contas e tomar seus medicamentos.
É comum a pessoa deixar de conseguir realizar tarefas que antes eram simples e naturais. Um exemplo prático é a diferença entre esquecer onde colocou a chave e encontrar a chave, mas não entender para que ela serve.
Também é necessário observar quem percebe o problema. Muitas vezes, o próprio idoso não percebe a mudança, mas são os familiares que notam que a pessoa está se atrapalhando com tarefas habituais, deixando compromissos de lado ou precisando de ajuda para coisas que antes fazia sozinha.
Fatores que afetam a memória além da idade
A memória não depende apenas do envelhecimento. Há outros fatores que podem interferir na atenção e na lembrança. Dormir mal, viver sob estresse constante, sentir ansiedade ou depressão, usar alguns medicamentos e ter problemas de tireoide ou falta de vitaminas podem afetar o cérebro.
A boa notícia é que a maioria dessas situações tem tratamento. Além disso, quando estamos cansados, preocupados ou tentando fazer muitas coisas ao mesmo tempo, nossa atenção diminui. Se a informação não é bem registrada no momento, fica muito mais difícil de ser lembrada depois. O problema pode não ser a memória, mas a atenção.
Quando procurar um médico e por quê
Por isso, não devemos ignorar mudanças importantes alegando apenas que "é da idade". Mas também não há motivo para pânico com cada pequeno esquecimento. O importante é perceber se os esquecimentos estão ficando mais frequentes e se estão atrapalhando a vida cotidiana.
Se houver uma piora gradual ao longo dos meses, sem episódios isolados, é hora de procurar um avaliação médica. O profissional vai conversar com o paciente e com a família, revisar os remédios, investigar o sono e o humor, e pedir exames se necessário.
Identificar a causa é crucial porque nem toda alteração de memória é demência. Existem causas que podem ser tratadas. Quanto mais cedo se investigar, maiores as chances de tratar os fatores que contribuem para o problema e manter a autonomia da pessoa pelo maior tempo possível. Se você ou seu familiar tem dúvidas, procure um médico para ter mais clareza e tranquilidade.

Dra. Yvely Iunes Akel, neurologista da Unimed Araxá




