03 de setembro de 2026

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Golpe do sósia: criminosos usam IA para clonar rostos e burlar biometria

Geral Segurança Digital 03/09/2026 14:36 Assessoria Serasa Experian / Serasa Experian

Nova fraude usa tecnologia de comparação facial para encontrar pessoas semelhantes ao criminoso e roubar identidades; Serasa Experian alerta para aumento de tentativas e oferece dicas de segurança.

Uma nova modalidade de fraude chamada de 'golpe do sósia' foi identificada pela Serasa Experian. Nesse esquema, criminosos utilizam tecnologia para encontrar pessoas com rostos semelhantes ao deles a fim de burlar sistemas de reconhecimento facial. A estratégia inverte a lógica tradicional: em vez de escolher uma vítima aleatória, o fraudador seleciona uma identidade legítima baseada na similaridade física com o seu próprio rosto.

A técnica permite que golpistas acessem contas financeiras e serviços em nome de terceiros, passando por validações biométricas. Segundo a empresa de dados, essa é uma das maiores ameaças à segurança digital no país, exigindo novas formas de proteção para usuários e empresas.

Entenda os principais pontos do golpe do sósia

  • Técnica invertida: O criminoso usa seu rosto para buscar alvos parecidos em bases de dados vazadas, selecionando quem tem maior chance de passar na biometria.
  • Alta similaridade: Ferramentas de comparação facial identificam rostos com até 99% de semelhança, facilitando a suplantação de identidade.
  • Volume de fraudes: No primeiro semestre de 2026, foram barradas 2,86 milhões de tentativas de fraude de identidade pela Serasa Experian.
  • Prejuízo evitado: As ações de segurança prevalem em R$ 3,77 bilhões em danos econômicos no período analisado.
  • Frequência alarmante: Houve uma tentativa de golpe a cada 5,5 segundos no Brasil durante o primeiro semestre de 2026.

A mudança na lógica da fraude de identidade

O time de inteligência analítica da Serasa Experian aponta que essa tática representa uma evolução preocupante nas ações criminosas. Tradicionalmente, o golpista partia dos dados de uma vítima específica para tentar se passar por ela. Agora, a tecnologia é utilizada pelo próprio agressor para escolher o alvo com base na aparência física.

Com o uso de 'motores de comparação facial', os criminosos conseguem localizar, em bancos de dados, pessoas que possuem características faciais muito parecidas com as suas. A partir dessa seleção, eles tentam assumir a identidade da pessoa encontrada para realizar operações indevidas. Essa inversão exige que as empresas monitorem não apenas os dados, mas a coerência entre o rosto e as informações cadastrais.

A necessidade de camadas de segurança reforçadas

Leandro Bartolassi, Diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, explica que a biometria não deve ser a única barreira de segurança. Ele destaca que a combinação de diferentes sinais de confirmação é essencial para prevenir essa nova modalidade de ataque digital.

'Esse movimento mostra uma mudança importante na lógica da fraude de identidade. O criminoso passa a usar a própria tecnologia para escolher uma identidade com maior chance de passar pelas barreiras de segurança', explicou o executivo. Ele acrescentou que a validação documental, a prova de vida, os dados cadastrais e a análise do dispositivo devem atuar juntos para identificar inconsistências que uma única camada de segurança pode não capturar.

Estatísticas e prejuízos evitados em 2026

Os dados foram coletados no Mapa da Fraude do primeiro semestre de 2026. A serasa Experian registrou 2,86 milhões de tentativas de fraude de identidade que foram bloqueadas pelas tecnologias antifraude. Esse número representa um aumento de 32,9% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

A frequência das tentativas é de uma ocorrência a cada 5,5 segundos. O prejuízo evitado para os consumidores e empresas devido a essas barreiras de segurança foi estimado em R$ 3,77 bilhões no período. Esses números mostram a urgência em atualizar os sistemas de proteção utilizados pelos setores financeiros e de tecnologia no Brasil.

Dicas de segurança para o consumidor

Para proteger seus dados, é fundamental adotar boas práticas de uso da internet. Não compartilhe fotos de documentos ou selfies segurando o documento por redes sociais, aplicativos de mensagem ou canais que não sejam oficiais. A exposição dessas imagens pode alimentar as bases de dados usadas pelos golpistas.

  • Canais oficiais: Forneça documentos e dados biétricos apenas em sites e aplicativos legítimos das empresas.
  • Desconfie de links: Ignore pedidos inesperados de fotos ou reconhecimento facial enviados por mensagem, e-mail ou QR Code.
  • Não permita abusos: Impedindo que desconhecidos fotografem seu rosto ou seus documentos, mesmo que aleguem ser para cadastro ou atualização.
  • Privacidade digital: Evite publicar imagens de documentos nas redes sociais, mesmo que parte das informações esteja coberta.
  • Proteção de acesso: Use senhas fortes, autenticação em dois fatores e mantenha sistemas e aplicativos atualizados.
  • Monitoramento: Verifique regularmente seu CPF e alerte sobre contas ou empréstimos que não reconheça.
  • Contato direto: Em caso de atividade suspeita, fale com a empresa pelos canais oficiais.

Orientações para empresas e sistemas de autenticação

As organizações também precisam de atualização em suas estratégias de segurança. Não dependa de uma única forma de autenticação. É necessário combinar biometria facial, validação documental, prova de vida, dados cadastrais, análise de dispositivos e outros sinais de risco em um sistema integrado.

As empresas devem cruzar informações do documento com outras fontes de identidade. Isso evita que uma imagem aparentemente válida seja suficiente para concluir o cadastro de um novo cliente. Tecnologias capazes de identificar adulterações documentais e inconsistências entre fotos e o documento são essenciais nesse processo.

  • Prova de vida: Associe o reconhecimento facial à verificação de pessoa real, indo além da similaridade de imagens.
  • Monitoramento de padrões: Observe tentativas repetidas, como diferentes rostos ligados a uma mesma identidade.
  • Análise de jornada: Analise sinais do dispositivo e do comportamento digital para revelar conexões entre fraudes.
  • Prevenção em camadas: Use sistemas que aprofundem a verificação apenas em casos de alto risco, simplificando para o usuário comum.
  • Atualização constante: Revise modelos de segurança regularmente para acompanhar as novas táticas dos criminosos.