02 de setembro de 2026

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Jovens de Campinas criam moda e tecnologia para combater crise climática

Geral Meio Ambiente 02/09/2026 13:53 Assessoria de Imprensa - Em Movimento e Fundação FEAC

Quatro projetos liderados por moradores de bairros periféricos em Campinas usam tecnologia, moda sustentável e cultura para enfrentar os problemas do clima, após pesquisa revelar que a maioria dos jovens da cidade sente impacto na rotina.

Após a pesquisa JUCAMP constatar que 58% dos jovens de Campinas têm seu futuro comprometido pela crise climática, quatro projetos liderados pela própria comunidade saíram do papel. As iniciativas, apoiadas por fundações e redes sociais, buscam combater o problema na prática em bairros periféricos da cidade.

O financiamento e suporte técnico são fruto de uma parceria entre a Fundação FEAC, a organização Em Movimento, a Minha Campinas e a ReCoS. As ações acontecem no Campo Belo, Campo Grande, Oziel e Parque Itajaí e incluem mapeamento digital de alagamentos, cursos sobre racismo ambiental, oficinas de moda sustentável e projetos de agroecologia.

  • O projeto 'Cartografia Climática Periférica' ensina jovens do Campo Belo a usar tecnologia para mapear enchentes e ilhas de calor no bairro.
  • No Campo Grande, o Cursinho Popular Responsa! une educação e Hip-Hop para discutir racismo ambiental e a vida de trabalhadores expostos ao calor.
  • O coletivo OMG Moda Sustentável transforma 200 peças de roupa jogadas fora em moda autoral, ensinando jovens de bairros como Oziel a fazer 'upcycling'.
  • No Parque Itajaí, o evento 'Samba na Horta' une música e rodas de conversa para debater alimentação saudável e cuidados com o meio ambiente.
  • A pesquisa JUCAMP revelou que 75% dos jovens sofrem com falta de luz e 70% com queda de internet em dias de tempestade, mostrando o impacto real do clima no cotidiano.

Essa mobilização é uma resposta direta ao diagnóstico apresentado em julho pelas organizações envolvidas. O estudo mostrou que a maioria dos jovens da cidade tem suas expectativas afetadas pela emergência climática. No dia a dia, os problemas são concretos: mais da metade dos entrevistados enfrenta dificuldades graves com o transporte coletivo quando chove forte. Além disso, a falta de energia elétrica durante ventanias e as quedas de internet são queixas comuns de quem vive nessas áreas.

Tecnologia e direitos no Campo Belo

No bairro do Campo Belo, o coletivo Assaltar as Nuvens desenvolve o projeto de cartografia climática. O foco é capacitar os moradores em tecnologia de código aberto. O grupo está criando servidores próprios para monitorar e marcar no mapa os pontos de alagamento, as áreas mais quentes e o acúmulo de lixo. A ideia é usar esses dados para cobrar soluções diretas do poder público, tornando a denúncia das vulnerabilidades mais forte e baseada em local.

Cultura e educação no Campo Grande

De outro lado da cidade, no Distrito do Campo Grande, o Cursinho Popular Responsa! atende estudantes e trabalhadores que enfrentam calor extremo, como motoentregadores. O projeto 'Rima e Território' oferece aulas sobre os efeitos do clima na cidade, com destaque para o racismo ambiental. A iniciativa termina com uma grande batalha de rimas, reunindo artistas de toda a região metropolitana para debater esses temas.

Moda sustentável e economia circular

Nos bairros Oziel, Monte Cristo e Gleba-B, a OMG Moda Sustentável criou um ateliê-escola. A ação pega cerca de 200 peças de roupa que seriam descartadas e ensina 30 jovens a transformá-las em novas roupas. O objetivo é gerar renda, conscientizar sobre o desperdício de têxteis e promover a autonomia criativa, concluindo com uma mostra das peças produzidas pela comunidade.

Agroecologia e música no Parque Itajaí

No Parque Itajaí, o Coletivo NaViela promove o 'Samba na Horta'. O evento recente chamou cerca de 300 pessoas para um encontro que misturou música local, rodas de conversa e temas sobre alimentação e justiça climática. A ação busca fortalecer o senso de comunidade e discutir como garantir o direito à cidade diante das mudanças no ambiente.

  • Campo Belo: Mapeamento digital para registrar enchentes e problemas de calor.
  • Campo Grande: Formação educativa e cultural sobre clima e direitos urbanos.
  • Oziel, Monte Cristo e Gleba-B: Oficinas de reaproveitamento de roupas e costura.
  • Parque Itajaí: Encontros culturais e educativos sobre horta e alimentação.