Médico afirma que para calcular risco de doenças do coração, é preciso ir além do colesterol e analisar o histórico de saúde completo da pessoa.
Por muito tempo, verificar o colesterol no sangue significava olhar apenas para dois números: o LDL, ou colesterol ruim, e o HDL, o colesterol bom. Embora o LDL ainda seja um inimigo principal do coração, os médicos hoje sabem que precisamos olhar para o quadro geral da saúde. O risco de ter problemas no coração é calculado juntando a idade, a pressão alta, se a pessoa fuma, se é obesa e se tem parente com o coração doente.
A discussão é importante agora, em setembro, mês de alerta para a saúde do coração. O médico de cabeça (endocrinologista) André Camara de Oliveira explicou que, quando o colesterol ruim está alto por muito tempo, ele entope as artérias do coração de gordura. Isso é a aterosclerose. Essa gordura pode causar um infarto ou um AVC. Quanto mais alto e por mais tempo o colesterol fica, maior o perigo para a sua vida.
Os 5 pontos principais que você precisa saber:
- O colesterol é apenas uma parte do seu risco de ter um infarto.
- Ter diabetes ou ser fumante aumenta muito o perigo, mesmo com o colesterol controlado.
- Novas substâncias no sangue, como a Lipoproteína(a), ajudam a prever problemas no coração.
- Um exame de sangue não explica tudo; o médico precisa olhar para a sua história de vida.
- Aprender sobre o risco total do corpo melhora muito suas chances de ter uma vida saudável.
Doutor André explicou também que os triglicérides (um tipo de gordura no sangue) muito altos aumentam a chance de ter doenças do coração. Ele disse ainda que, embora ter pouco colesterol bom seja ruim para a saúde, não faz sentido tomar remédio só para aumentá-lo. Estudos já provaram que isso sozinho não previne o infarto.
Isso significa que duas pessoas podem ter o mesmo colesterol, mas risco diferente de ficar doente. Uma pessoa que tem diabetes, pressão alta, fuma ou já teve coração doente antes precisa de metas mais rigorosas de controle do colesterol do que uma pessoa saudável.
Exames mais completos para saber o risco
Agora, além do teste de colesterol tradicional (que mede o total, o ruim, o bom e as gorduras do corpo), há outros exames que o médico pode pedir em casos especiais. Um deles mede a lipoproteína(a) ou Lp(a). A quantidade dela no seu sangue é definida pelos seus genes, e muito dela também é um perigo para o seu coração. A sociedade de endocrinologia dos EUA sugere medi-la em quem tem familiares com problemas de coração.
Outra coisa que está chegando aos consultórios é a apolipoproteína B (ApoB). Essa medida conta as partículas de gordura que entopem as artérias. Se os exames tradicionais não mostram o perigo do seu corpo, a medição da ApoB ajuda a explicar melhor o seu risco.
Também é importante descobrir por que seus lipídios estão alterados. Algumas doenças de glândulas (que produzem hormônios) mudam o nível de gordura no corpo. Por exemplo, a tireoide que não funciona bem pode aumentar as gorduras e o colesterol. Por isso, antes de tomar remédio para gordura, o médico deve se certificar de que essa é a causa da alteração.
Diabetes e o perigo do coração
No diabetes tipo 2, a proteção para o coração deve ser mais cuidadosa. É comum que a pessoa tenha gordura no sangue alta, colesterol bom baixo, pressão alta, peso acima do ideal e açúcar alto no sangue de uma vez.
Mudar a alimentação, fazer exercício, controlar o peso, parar de fumar e monitorar a pressão e o açúcar no sangue são a base da saúde. Porém, se o risco do coração for alto, isso pode não ser suficiente. Os médicos de hoje usam remédios chamados estatinas para baixar a gordura do corpo e prevenir o infarto. O médico de cada pessoa escolhe a intensidade do tratamento conforme o risco do seu corpo.
A mensagem mais importante é: não pergunte se o seu colesterol está alto ou baixo, pergunte qual o perigo do seu corpo. Ir ao médico para uma revisão completa ajuda a encontrar problemas cedo, antes que aconteça um infarto, um AVC ou outras doenças que entopem as artérias.

Coração (IA)


