Duas mortes recentes após cirurgias plásticas longas e combinadas acendem os alertas. Novo código do Cremesp proíbe cirurgias estéticas eletivas de mais de 6 horas. Especialistas explicam por que dividir a operação em etapas é mais seguro e ético.
As mortes recentes de pacientes durante cirurgias plásticas longas e combinadas reacendem o debate sobre a segurança da medicina estética. No centro da discussão está a tendência de realizar vários procedimentos de uma vez, prática conhecida como 'combos' estéticos, que pode colocar a vida do paciente em perigo.
A nova resolução do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) estabelece limites rígidos para cirurgias eletivas, proibindo operações que ultrapassem seis horas. O cirurgião plástico Dr. Luiz Anizio Wanna explica abaixo por que a busca por resultados imediatos e completos é perigosa e por que dividir a cirurgia é a escolha mais prudente.
- Duas mortes recentes em São Paulo e no Ceará chamam atenção para os riscos de cirurgias prolongadas.
- O Cremesp aprovou a Resolução 400/2026, limitando cirurgias estéticas eletivas a no máximo 6 horas.
- Procedimentos longos aumentam o risco de trombose, problemas com anestesia e falhas no coração.
- Especialistas recomendam dividir a cirurgia em etapas para que o corpo tenha tempo de se recuperar.
- A segurança do paciente deve ser prioridade em relação aos resultados estéticos imediatos.
Alerta após morte em cirurgia de mais de 8 horas
Um dos casos que chocou a sociedade envolveu Andreia Vieira Gaspar, de 51 anos, que veio da Espanha para fazer plástica facial no Brasil. Segundo a família, ela passou por uma operação de mais de oito horas, incluindo ritidoplastia, frontoplastia e lipoaspiração. Ela teve uma parada cardíaca na madrugada seguinte e morreu.
Outro caso ocorreu em Fortaleza, onde João Victor Batista Pinheiro, de 45 anos, faleceu durante um lifting facial. A polícia investiga o caso, e a família aponta falhas na estrutura da clínica. Esses episódios mostram que a cirurgia plástica, apesar de popular nas redes sociais, continua um ato médico complexo e de alto risco.
A sedução perigosa de fazer tudo de uma vez
Muitos pacientes desejam fazer várias coisas em uma única oportunidade: uma anestesia, uma internação e múltiplos resultados. Procedimentos de 'transformação completa' são vendidos em redes sociais como promoções.
No entanto, o corpo humano reage ao trauma. Quanto maior o tempo na cirurgia e mais áreas do corpo mexidas, mais difícil é controlar a saúde do paciente durante e depois da operação. O cirurgião plástico Dr. Luiz Anizio Wanna afirma que a pergunta correta não deveria ser o que dá para aproveitar, mas sim o que é seguro.
Regra das 6 horas protege a vida
A Resolução 400/2026 do Cremesp visa proteger pacientes ao limitar cirurgias estéticas eletivas com duração prevista de 6 horas ou mais. Ela alerta para riscos como tromboembolismo, problemas de coração e respostas inflamatórias exageradas.
Para o Dr. Wanna, essa regra não limita a qualidade do trabalho, mas impede a ganância. Ele explica que, muitas vezes, operar em etapas é a decisão mais inteligente, permitindo que o corpo se recupere entre os procedimentos. Isso é especialmente importante para pacientes que desejam mudanças drásticas, como pós-bariátricas.
A verdadeira 'luxo' na cirurgia plástica não é transformar o corpo inteiro num dia, mas sim fazer tudo com critério, indicação correta e respeito ao tempo biológico. A segurança deve sempre valer mais do que a estética.

Cirurgias longas e combinadas aumentam riscos e motivam nova regulamentação. Foto: Divulgação



