01 de setembro de 2026

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Brasil mostra desafios da saúde suplementar em evento internacional Washington

Geral Saúde 01/09/2026 16:47 Cleinaldo Simões Asessoria de Comunicação

Presidente do IBDSS, José Luiz Toro da Silva, apresentou no VII Seminário da Organização Panamericana de Saúde (OPS), em Washington, os principais desafios da saúde suplementar no Brasil: judicialização, inteligência artificial, envelhecimento populacional e custos crescentes dos planos de saúde

No VII Seminário sobre Serviços de Saúde e Introdução a Instituições de Excelência, realizado entre os dias 24 e 28 de agosto de 2026 em Washington, nos Estados Unidos, os debates realizados na Organização dos Estados Americanos (OEA) colocaram a saúde suplementar brasileira no centro de um debate internacional. O evento, estruturado pela Organização Panamericana de Saúde (OPS) e coordenado pela Associação Latino-Americana de Sistemas de Saúde (ALAMI), sob a liderança de Cristián Mazza, abordou regulação dos planos privados com foco em sustentabilidade financeira, envelhecimento populacional e o impacto crescentes da judicialização e da inteligência artificial.

José Luiz Toro da Silva, sócio do Toro Advogados e presidente do IBDSS Instituto Brasileiro do Direito de Saúde Suplementar, expôs sobre a regulação dos planos privados de assistência à saúde no Brasil e compartilhou com a audiência internacional os principais desafios enfrentados pelo setor.

Veja abaixo as principais informações sobre o evento:

  • O seminário aconteceu entre os dias 24 e 28 de agosto de 2026, Washington, EUA
  • O evento foi organizado pela OPS e coordenado pela ALAMI, sob a liderança de Cristián Mazza
  • José Luiz Toro da Silva representou o Brasil na comparação entre modelos de saúde suplementar
  • Os debatedores discutiram regulação, judicialização, inteligência artificial e envelhecimento populacional
  • O Brasil chegou ao cenário de judicialização com processos judiciais contra planos de saúde que ultrapassam as ações contra o SUS

A regulação dos planos de saúde no Brasil

Toro destacou o papel constitucional do Estado como garantidor do direito à saúde e a coexistência da iniciativa privada na assistência à saúde, criando um debate sobre os limites e responsabilidades de cada um no sistema brasileiro.

A existência do marco regulatório (Lei nº 9.656/98), a atuação regulatória da ANS como órgão de fiscalização e normatização, além do papel do CONSU, levantaram questões sobre a efetividade da regulação e a proteção aos usuários dos planos privados.

Na ocorrência, a polêmica do Artigo 34 da Lei nº 9.656/98 foi um dos pontos centrais da conferência. É uma controvérsia sobre a exigência de que empresas que atuem em outras áreas além da santé formem empresas jurídicas independentes para operar planos de saúde.

Cobertura de procedimentos tratados por medicamentos caras

A exposição também abordou a rotina e critérios para atualização do rol de procedimentos e eventos cobertos obrigatoriamente pelos planos privados, incluindo a Resolução Normativa RN nº 465/2021 e as diferentes modalidades de planos.

Abordou alterações legislativas recentes como a Lei nº 14.307/2022, que modifica o processo de atualização das coberturas, e a Lei nº 14.454/2022, que exige cobertura para tratamentos prescritivos não previstos no rol da ANS desde que comprovada eficácia científica.

Jurisprudência sobre cobertura de procedimentos não previstos

José Luiz Toro ainda chamou a atenção da audiência para a Jurisprudência sobre Cobertura de Procedimentos Não Previstos no Rol da ANS. Foi exposto sobre os efeitos da decisão do Supremo Tribunal Federal (ADIN nº 7265), que reconhece a constitucionalidade da imposição de cobertura obrigatória para tratamentos fora do rol da ANS sob critérios técnicos, abre espaço para debates sobre o direito do consumidor e os limites regulatórios.

Pontos centrais do evento

Sustentabilidade vs. Custos Crescentes: Foi debatida a pressão financeira que as operadoras soffem decorrente da incorporação rápida de novas tecnologias, medicamentos de Alto Custo e os reflexos de fraudulentas no sistema.

Explosão da Judicialização: O cenário brasileiro foi ponto de atenção, tendo em vista que os processos judiciais contra planos de saúde ultrapassaram as ações contra o SUS em 2026, demandando reformas regulatórias urgentes para garantir a previsibilidade jurídica do mercado.

Transição Demográfica: Discussão focada em mecanismos de governança e regulação para mitigar o impacto do rápido envelhecimento da população, o que eleva a taxa de uso e o custo médio por beneficiário.

Inovações e IA: Análise de como agências reguladoras (como a ANS no Brasil) devem balanciar a proteção de dados, o uso de inteligência artificial na triagem de exames e a transformação digital do setor sem prejudicar o acesso do paciente.

Direitos dos Pacientes: O papel de novas legislações integradoras de direitos públicos e privados no caso brasileiro, em paralelo às discussões recentes sobre o Estatuto dos Direitos do Paciente como norteadores do equilíbrio nas arenas de contratação e cancelamentos de convênio