Projeto de monitoramento de primatas no Rio Sucuriú, em Inocência (MS), acompanha a vida de bugios e macacos-prego, com destaque para a família Baru, Pequi e Bacuri, que ganhou nomes escolhidos pelo público.
No corredor do Rio Suucuriú, em Inocência (MS), o Projeto Suucuriú da Arauco, em parceria com a Sauá Consultoria Ambiental, acompanha vários grupos de primatas. As equipes registram a presença dos animáis, sua dieta, como os grupos são formados, quando nascem filhotes e como eles se desenvolvem.O objetivo é criar um banco de informações sobre a fauna da região. Isso ajuda a entender os deslocamentos dos animáis e as áreas que eles usam, o que apoia estratégias de conseração do meio ambiente.- O Projeto Suucuriú é uma iniciativa da Arauco para construção de uma fábrica de celulose em Inocência, MS.
- Os bugios Baru, Pequi e Bacuri são uma família monitorada, com nomes escolhidos em votação pública.
- O monitoramento usa drones com sensores termais, câmeras fotográficas e observação direta.
- Os primatas são importantes para a dispersão de sementes, ajudando na regeneração da vegetação.
- O trabalho ganhou um prêmio da ABTCP em 2026.
O monitoramento busca construir uma base de dados sobre os animáis, reunindo informações sobre os grupos, seus deslocamentos e as áreas que utilizam. Com isso, é possivel planejar ações para proteger o meio ambiente.Segundo Gonzalo Flores, especialista em biodiversidade da Arauco, "Esse é um trabalho construído ao longo do tempo. Não se trata apenas de saber se determinada espécie está presente, mas de reunir informações sobre os grupos, seus deslocamentos e as áreas que utilizam. A combinação das metodologias permite ampliar esse conhecimento e criar uma base cada vez mais consistente para as ações de conseração".Além do monitoramento dos primatas, o projeto também registrou outros animáis, como tatu-canastra, anta, lobo-guará, tamanduá-bandeira e jaguatirica, além de um grupo de queixadas com mais de dez individos.Camila Paschoal, gerente executiva de meio ambiente da Arauco, diz: "Construir essa linha de base é fundamental para que possamos avaliar as medidas implantadas com dados concretos. Estamos falando de um acompamento de longo prazo, que permite incorporar o conhecimento sobre a fauna às decisões ambientais do projeto e verificar a efetividade das ações adotadas".No Dia Interacional dos Primatas, 1º de setembro, o trabalho ganha destaque. O monitoramento é focado no bugio-preto (Alouata caraya) e no macaco-prego-do-papo-amarelo (Sapajus cay), duas espécies classificadas como Vulneráveis (VU) no Brasil.Nove grupos de primatas já foram identificados. A família de bugios Baru, Pequi e Bacuri pai, mãe e filhote foi nomeada pelo público, com mais de 270 votos. Desde então, o grupo é reencontrado durante as campanhas.Nos registos mais recentes, Bacuri aparece interagindo com os pais, e também há imagens de alguns de seus irmãos brincando, o que ajuda a acompanhar seu desenvolvimento.Carolina Garcia, bióloga da Sauá Consultoria Ambiental, explica: "A possibilidade de reencontrar os mesmos grupos ao longo das campanhas é muito importate porque permite acompanhar essas famílias no tempo. No caso de Baru, Pequi e Bacuri, seguimos registrando o grupo e reunindo informações que ajudam a compreender sua composição, o uso da paisagem e seus deslocamentos pelo corredor do Rio Suucuriú".A Sauá é pareira técnica da Arauco no projeto e integra o Grupo de Assessoramento Técnico (GAT) do PAN CERPAM, plano de conseração do ICMBio.Por viverem e se deslocarem predominatemente pelas árvores, bugios e macacos-prego dependem da continuidade das copas para acessar alimento, abrigo e outras áreas. Acompahar onde estão e como circulam ajuda a entender como utilizam a paisagem.Os primatas também têm papel importate no ecossistema. Ao comer frutos e se deslocar, dispersam sementes e contribuem para a regenerção da vegetação. Eles funcionam como bioindicadores das condições do ambiente.Diferentes métodos para um acompanhamento contínuo
O monitoramento combina observação direta em campo, armadilhas fotográficas e drones com sensores termais. Cada ferramenta tem uma função: o trabalho em solo permite obsevar de perto a composição e o comportamento dos grupos; a tecnologia amplia a capacidde de localizar os animáis em áreas de vegetação densa.Os resultados mostram o alcance dessa combinação. Em aproximadamente 25 horas de busca ativa em campo, foram identificados dois grupos. Já com about 24 horas de voo, os drones localizaram sete dos nove grupos conhecidos, sendo seis de bugios e um de macacos-prego.Informações que orientam a conseração
Os dados reunidos durante o monitoramento também integam as estratégias ambientais do Projeto Suucuriú. As obras de captação de água bruta e do emissário de efluentes tratados exigem intervenções em trechos de vegetação às margens do rio, criando descontinuidades no dosel que podem afetar o deslocamento dos animáis.O acompanhamento realizado agora permitirá conhecer como os animáis utilizam a paisagem antes da implantção das estruturas, prevista para o primeiro semestre de 2027. Depois, os registros continuarão para avaliar se os primatas utilizam as passagens.Ao todo, estão previstas 20 campanhas ao longo de cinco anos, com quatro campanhas de monitoramento por ano.Trabalho conquista prêmio do setor
O trabalho também ganhou o Prêmio Destagues do Setor ABTCP 2026, na categoria Recursos Naturais e Bioeconomia. A ABTCP é a Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel.A inciativa premiada envolve o uso de drones termais no monitoramento de primatas e a geração de informações para apoiar o planejamento e a avaliação das medidas de conseração. Entre os diferenciais estão o monitoramento não invásivo, o desenvolvimento de parâmetros específicos para detetar primatas em áreas de vegetação fechada e a combinação de diferentes métodos.A entrega do prêmio será realizada no dia 6 de outubro, durante solenidade da ABTCP.