O crescimento do Pix e dos pagamentos digitais fez fintechs brasileiras buscarem desenvolvedores especializados em Elixir, linguagem de programação criada por um brasileiro que permite sistemas processarem milhões de transações simultâneas sem falhar. A Trio organiza a primeira ElixirConf BR em maio de 2027 para formar novos profissionais.
Em uma instituição financeira, alguns segundos de indisponibilidade podem significar milhares de transações que deixam de ser processadas. Com o crescimento do Pix, contas digitais e outras soluções financeiras, as fintechs enfrentam um desafio que vai além de criar novos produtos: encontrar profissionais capazes de construir sistemas que processem grandes volumes de operações ao mesmo tempo sem comprometer a estabilidade e a performance. Essa necessidade tem ampliado o interesse por tecnologias desenvolvidas para ambientes de alta concorrência, como o Elixir, linguagem de programação criada pelo brasileiro José Valim e baseada na máquina virtual Erlang, tecnologia originalmente desenvolvida para sistemas de telecomunicações que precisavam permanecer disponíveis mesmo diante de falhas.
"Em sistemas financeiros, bancos digitais e meios de pagamento, duas regras são inegociáveis: o sistema não pode cair e uma transação nunca pode interferir na outra. É exatamente por isso que o Elixir se tornou uma escolha tão forte para esse setor", explica Lucas Pauli, Tech Lead da Trio.
- O Elixir foi criado pelo brasileiro José Valim e roda sobre a máquina virtual Erlang, desenvolvida originalmente para sistemas de telecomunicações.
- A Trio é uma Instituição de Pagamento regulada pelo Banco Central (IP 619), especializada em tecnologia para pagamentos corporativos.
- A ElixirConf BR será realizada nos dias 20 e 21 de maio de 2027, organizada pela Trio.
- Profissionais brasileiros de Elixir são procurados por empresas dos EUA e da Europa, que oferecem vagas remotas em moedas mais fortes.
- O Elixir permite processar milhões de usuários simultâneos usando muito menos servidores do que a abordagem tradicional.
Por que o Elixir é ideal para sistemas financeiros
Uma das características mais importantes da linguagem é permitir que diferentes processos sejam executados de maneira simultânea e independente. Dessa forma, uma falha pontual pode ser isolada sem comprometer todo o sistema. "Como a linguagem isola completamente cada processo, se houver uma falha inesperada no pagamento de um único cliente, o erro fica contido ali. A transação específica falha de forma segura, mas o sistema geral continua rodando perfeitamente, sem travar ou atrasar as milhares de outras transferências que estão acontecendo no mesmo milissegundo", afirma Pauli.
Escala aumenta o desafio tecnológico das fintechs
A necessidade de processar operações simultâneas ganhou ainda mais relevância com a digitalização do sistema financeiro. Em plataformas que atendem grandes volumes de usuários, escalar a operação não significa apenas aumentar a capacidade dos servidores. É preciso desenvolver uma arquitetura capaz de administrar diferentes processos sem permitir que uma falha localizada gere um efeito em cadeia.
É justamente nesse cenário que o Elixir encontra espaço. De acordo com Pauli, a linguagem permite administrar grandes quantidades de tarefas simultâneas com menor necessidade de infraestrutura computacional. "Quando uma aplicação atinge a marca de milhões de usuários, a abordagem tradicional exige o aluguel ou compra de diversos servidores para dar conta de todo o tráfego. O Elixir, por ser extremamente leve e gerenciar várias tarefas ao mesmo tempo de forma inteligente, permite que essas empresas suportem o mesmo número de acessos usando uma quantidade muito menor de máquinas. É a capacidade de fazer muito mais, gastando muito menos com infraestrutura", explica.
Escassez de profissionais aumenta a disputa por especialistas
Apesar das características técnicas, o Elixir ainda possui uma comunidade profissional menor do que linguagens amplamente difundidas, como Python e JavaScript. Para empresas que utilizam a tecnologia em sistemas complexos, encontrar desenvolvedores experientes pode se tornar um gargalo. "É muito difícil encontrar bons profissionais que tenham domínio da ferramenta. O mercado, quando busca um desenvolvedor Elixir, por se tratar de uma ferramenta para problemas complexos e soluções que exigem um nível de raciocínio mais elevado, normalmente espera alguém com um nível de proficiência maior do que em linguagens de massa como Python e JavaScript", afirma Pauli.
A disputa ultrapassa as fronteiras brasileiras. Segundo o Tech Lead da Trio, profissionais nacionais também são procurados por companhias dos Estados Unidos e da Europa, que podem oferecer oportunidades remotas remuneradas em moedas mais fortes. Isso cria um cenário particular: embora o número absoluto de vagas em Elixir seja menor do que o observado em linguagens mais populares, também existe uma oferta mais restrita de profissionais especializados.
"Um bom profissional de Elixir costuma encontrar empregos melhores com mais facilidade do que encontraria em outros ecossistemas. Isso acontece porque, embora o escopo de vagas seja mais restrito, o número de especialistas realmente competentes para preenchê-las é ainda menor", diz.
ElixirConf BR: primeira edição no Brasil em maio de 2027
Para contribuir com a formação de novos profissionais e fortalecer a comunidade brasileira da linguagem, a Trio organizará, nos dias 20 e 21 de maio de 2027, a ElixirConf BR. O evento terá como objetivos ampliar a divulgação da tecnologia, estimular a formação de talentos e aproximar desenvolvedores de diferentes níveis de experiência.
A iniciativa também busca fortalecer um ecossistema considerado estratégico para empresas que dependem de sistemas de alta disponibilidade. Para a Trio, contribuir para ampliar a base de profissionais especializados é uma forma de enfrentar um desafio que já afeta fintechs e outras companhias de tecnologia.
O Brasil possui uma relação particular com essa comunidade. Além de o Elixir ter sido criado por um brasileiro, desenvolvedores do país participam de eventos e projetos internacionais relacionados à linguagem. Pauli, por exemplo, participou da ElixirConf europeia em Cracóvia, em 2025, e em Málaga, em 2026.
Para o executivo, aprender Elixir pode representar mais do que adquirir conhecimento sobre uma nova ferramenta. "Aprender Elixir hoje não é apenas colocar mais uma linguagem no currículo. É aprender um novo jeito de se pensar programação, se posicionar próximo de empresas que valorizam a robustez técnica e entrar em um mercado voltado para a resolução de problemas estruturais complexos", conclui.
A expectativa é que a ElixirConf BR ajude a aproximar esse conhecimento de estudantes, desenvolvedores e profissionais interessados em trabalhar com aplicações nas quais escalabilidade, eficiência e disponibilidade são requisitos centrais.

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