Aumento de impostos dos Estados Unidos ameaça a lucratividade de exportadores do Brasil. Especialistas indicam o uso de inteligência logística e planejamento aduaneiro avançado como principais estratégias para reduzir custos e manter a competitividade no mercado americano.
No atual cenário de comércio internacional, a relação entre Brasil e Estados Unidos enfrenta tensões que impactam diretamente a economia nacional. O novo pacote de tarifas dos EUA, liderado pela administração de Donald Trump, criou um ambiente difícil para as empresas brasileiras que vendem produtos lá fora. Nesse contexto, a eficiência operacional deixou de ser apenas um diferencial e passou a ser o principal fator de sobrevivência para os exportadores.
Antes de 2025, os desafios já existiam, mas eram conhecidos, como as cotas de aço e subsídios norte-americanos. A situação mudou drasticamente com a imposição de uma tarifa global de 10% sobre todos os parceiros comerciais dos EUA. Essa medida elevou a taxa média de importação americana para 12,1% em julho de 2026, um nível máximo não visto em mais de cem anos.
Entenda o que está acontecendo
- Taxa Histórica: A tarifa média de importação dos EUA subiu para 12,1%, o patamar mais alto da história recente do país.
- Alvo Brasileiro: Uma sobretaxa extra de 25% foi aplicada a diversos produtos brasileiros como retaliação a supostas barreiras comerciais.
- Produtos Afetados: Máquinas, equipamentos de aviação, calçados e madeira são os itens de maior valor agregado enviados aos EUA.
- Solução Técnica: A chave para o lucro é otimizar o custo do transporte e documentos, não o preço do produto em si.
- Presença Local: Ter escritórios próprios nos EUA ajuda a agilizar o desembaraço fiscal antes mesmo da carga chegar.
A Representação Comercial dos EUA (USTR) justificou a aplicação dessa taxa adicional de 25% como resposta a práticas comerciais consideradas desleais pelo governo norte-americano. Entre os motivos citados estão o tratamento do etanol americano, questões ambientais e barreiras digitais impostas pelo Brasil. Embora a China seja o maior parceiro em volume financeiro global, os Estados Unidos permanecem como o destino principal dos produtos de alto valor agregado do Brasil. Mais da metade das exportações para os EUA são bens manufaturados, que geram empregos qualificados e movimentam cadeias produtivas complexas.
Diante desse cenário, a inteligência logística surge como o principal escudo financeiro para as empresas. Quando os impostos no destino são altíssimos, a única forma de preservar a margem de lucro é reduzir drasticamente os outros custos. Isso é feito através da otimização do preço final, conhecido como CIF (Custo, Seguro e Frete). Ao eliminar desperdícios no transporte, acelerar a burocracia e escolher as melhores rotas, as empresas conseguem recuperar parte do dinheiro perdido com as tarifas alfandegárias.
Empresas especializadas, como a Cronos Logistics, têm mostrado que a complexidade do comércio atual exige presença física nos Estados Unidos. Ter escritórios e agentes próprios no solo norte-americano permite uma inteligência aduaneira ativa. Isso significa que é possível conversar com os órgãos fiscais, antecipar regras novas, revisar classificações de impostos e liberar as cargas nos terminais antes mesmo de elas chegarem. Essa antecipação evita multas e atrasos que encarecem o processo.
A logística como estratégia de sobrevivência
Na outra ponta, no Brasil, é necessária uma capilaridade total para suportar a indústria nacional. A capacidade de organizar operações integradas nos grandes portos e aeroportos, com flexibilidade para mudar de rota se necessário, ajuda a reduzir o tempo de viagem e os custos extras. A espera por acordos oficiais de isenção de impostos não é uma estratégia segura para negócios, pois o ganho de competitividade depende de decisões que estão sob o controle direto das empresas brasileiras. A sofisticação da cadeia de suprimentos, usando parceiros com certificações internacionais, é o caminho mais sólido para garantir que o produto brasileiro continue sendo competitivo e presente no mercado global, independentemente das barreiras cambiais ou tributárias.

Mateus Bernardes, CEO da Cronos Logistics


