A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou um novo medicamento chamado Lunsumio (mosunetuzumabe) para pacientes adultos com linfoma folicular que já tentaram pelo menos dois outros tratamentos sem sucesso. Esse remédio é aplicado como injeção sob a pele e não usa quimioterapia, o que pode trazer mais conforto e liberar o paciente no mesmo dia. A aprovação é considerada um grande avanço para quem sofre com essa doença.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do medicamento Lunsumio (mosunetuzumabe), desenvolvido pela Roche Farma Brasil. O tratamento é indicado para pacientes adultos com linfoma folicular que já passaram por pelo menos duas terapias anteriores sem sucesso.
O linfoma folicular é o segundo subtipo mais comum de linfoma não-Hodgkin, um tipo de câncer que afeta o sistema linfático. "Esta é uma patologia que, embora tenha uma evolução lenta, é caracterizada por recidivas. A cada nova linha de tratamento administrada, o tempo em que o linfoma permanece controlado tende a diminuir. Sendo assim, ter uma opção que não utiliza quimioterapia e que consegue manter a doença sob controle por mais tempo muda significativamente o cenário para os pacientes e representa um avanço importante", afirma o Dr. Otávio Baiocchi, Professor associado da UNIFESP e Diretor de Hematologia e Onco-hematologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
- O novo remédio é aplicado por injeção sob a pele, e o paciente pode ir para casa no mesmo dia.
- Ele não usa quimioterapia e tem duração fixa: até 8 ciclos para quem atinge resposta completa, e no máximo 17 ciclos para os demais.
- Dados clínicos mostram que 76,6% dos pacientes tiveram redução da doença, e 61,7% alcançaram desaparecimento dos sinais do tumor nos exames.
- A remissão completa durou em média 34,6 meses, mesmo em pacientes considerados de alto risco.
- Os efeitos colaterais foram leves, principalmente no primeiro ciclo, e podem ser controlados pela equipe médica sem internação.
O medicamento é administrado por via subcutânea, por meio de injeção sob a pele. O formato permite que o paciente receba a dose e seja liberado no mesmo dia, o que proporciona maior conforto e pode contribuir para a otimização do uso de leitos de alta complexidade no sistema de saúde. Dados clínicos apontam que, por ser um tratamento finito (8 ciclos para pacientes que atingem resposta completa, e máximo de 17 ciclos para os demais pacientes), o mosunetuzumabe permite ao organismo restabelecer as células de defesa e os níveis de anticorpos mais rapidamente do que as terapias contínuas.
A aprovação baseou-se nos resultados do estudo clínico GO297812, que demonstrou uma taxa de resposta global (redução da doença) de 76,6%, com 61,7% dos participantes atingindo a chamada resposta completa, que significa o desaparecimento temporário ou definitivo de todos os sinais de atividade do tumor nos exames de imagem. A remissão completa do linfoma manteve-se por uma mediana de 34,6 meses, com benefício sustentado inclusive nos subgrupos considerados de alto risco.
"Quando a doença volta repetidas vezes e o paciente precisa passar por vários tratamentos seguidos, o uso frequente de quimioterapia acaba desgastando o organismo. Isso pode enfraquecer a medula óssea, acumular efeitos colaterais no corpo e fazer com que o próprio tumor pare de responder às terapias tradicionais. Além disso, quando há uma recidiva em menos de dois anos após o primeiro tratamento, o quadro se torna ainda mais delicado, representando um dos maiores desafios para a hematologia hoje", diz o Dr. Baiocchi.
Em relação à segurança, os efeitos colaterais causados pela ativação do sistema de defesa do corpo foram majoritariamente leves e restritos ao primeiro ciclo de aplicação. Essas reações costumam ser controladas pela equipe médica com relativa simplicidade, o que pode evitar a necessidade de internação ou do uso de altas doses de corticoides ao longo do tratamento para tratar os efeitos colaterais.
"A aprovação do mosunetuzumabe traz inovação para pacientes com linfoma folicular em linhas avançadas que, mesmo após múltiplas recaídas, agora contam com uma opção de alta eficácia sem necessidade de quimioterapia. Por ser uma terapia de duração fixa e aplicação subcutânea, em ambiente ambulatorial, o tratamento oferece conveniência, além de permitir restabelecer o sistema de defesa do organismo. Este avanço reafirma a nossa missão de transformar o padrão de tratamento na hematologia", finaliza Michelle Fabiani, Diretora Médica da Roche Farma Brasil.

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