Especialista explica como o uso excessivo de telas e redes sociais afeta a concentração e o desempenho escolar de crianças e adolescentes
O uso excessivo de telas e redes sociais está atrapalhando o aprendizado e as notas de crianças e adolescentes. É o que mostra um relatório da Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura).
A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), com base nos dados do exame PISA 2022, também descobriu que a distração causada por conteúdos rápidos, como vídeos curtos, está ligada a notas mais baixas em matemática, leitura e ciências.
- Crianças e adolescentes que passam muito tempo no celular têm mais dificuldade de se concentrar e aprender.
- Vídeos curtos e notificações constantes treinam o cérebro para querer recompensas rápidas, dificultando tarefas mais longas, como ler um livro.
- Estudos da Unesco e da OCDE mostram que o excesso de telas prejudica notas em matérias como matemática e leitura.
- O uso de celular até tarde atrapalha o sono, deixando os estudantes cansados e com menos capacidade de guardar informações.
- A ansiedade também aumenta quando os jovens ficam muito preocupados com curtidas e comentários nas redes sociais.
Esses problemas têm efeito direto na sala de aula, explica Ana Paula Previate, diretora do Colégio Integrado, em Campo Mourão (PR). O excesso de tempo em telas gera falta de atenção, sono ruim e mais ansiedade nos alunos.
A mecânica do tédio digital
A especialista explica que as redes sociais, com seus vídeos curtos e rolagem sem fim, funcionam como uma metralhadora de estímulos para o cérebro. Isso faz com que seja difícil prestar atenção em tarefas que exigem mais tempo, como ler um livro ou resolver problemas de matemática.
Como o cérebro dos adolescentes ainda está em desenvolvimento, especialmente a parte que controla os impulsos, ele acaba se acostumando a receber recompensas rápidas, como curtidas e notificações, diz Ana Paula.
Quando o jovem precisa ler um texto longo ou resolver um problema difícil, ele logo sente tédio, porque não recebe essa recompensa imediata, completa.
Para facilitar o entendimento, a especialista lista três problemas principais causados pelo excesso de telas:
1. Déficit de atenção: Os alunos ficam mais imediatistas e têm dificuldade de se concentrar em tarefas que exigem esforço contínuo.
2. Privação do sono: Usar o celular até tarde prejudica o sono, deixando os estudantes sonolentos e com dificuldade de aprender no dia seguinte.
3. Ansiedade: A busca por curtidas e comentários aumenta a ansiedade e torna a aula menos atraente.
Ferramenta ou distração
Para enfrentar esse cenário, o Colégio Integrado usa a tecnologia como aliada no aprendizado, mas sem deixar que ela vire distração.
A escola não proíbe o celular, mas ensina os alunos a usá-lo de forma consciente. Ferramentas de pesquisa e jogos educativos são incentivados em aula, enquanto o celular é controlado em momentos que não são pedagógicos.
Mostramos aos estudantes como os algoritmos das redes sociais são criados para prender a atenção. Assim, eles entendem por que é importante deixar o celular de lado durante os estudos, destaca a diretora.
Também incentivamos esportes, leitura de livros físicos, arte e convivência pessoal. O mundo real oferece conexões tão ricas quanto o virtual, enfatiza.
Parceria com as famílias
O problema não é só da escola. A cooperação das famílias é fundamental. A recomendação é criar acordos em casa e ter momentos sem telas, como durante as refeições e antes de dormir.
Quando a escola e a família se unem para dizer menos telas, mais aprendizado, não estamos tirando a diversão do estudante. Estamos devolvendo a ele a capacidade de pensar por si mesmo, se concentrar e desenvolver suas habilidades emocionais e cognitivas, conclui Ana Paula.

Relatórios da Unesco e Pisa alertam sobre impacto do excesso de telas no desempenho escolar




