Análise sobre a expansão do etanol produzido de cereais como milho e sorgo, aproximando usinas de novas regiões do Brasil e abrindo oportunidades para novas cadeias produtivas.
Olá Vitor, tudo bem A indústria de biocombustíveis vive uma revolução geográfica no Brasil. O etanol feito a partir de milho passa a avançar para o MATOPIBA, enquanto o sorgo surge como alternativa para enfrentar riscos climáticos. Este material reúne dados do setor e análises de especialistas sobre essa mudança para usinas que trabalham com grãos.
A expansão do etanol de cereais está definindo uma nova geografia para o setor no país. Depois de consolidar nas regiões com muito milho, como o Mato Grosso, o setor começa a se aproximar de áreas com potencial de crescimento na produção de grãos, abrindo espaço para sorgo e outras matérias-primas.
Hoje existem 29 usinas de etanol de milho em operação no Brasil, com capacidade para processar cerca de 20,9 milhões de toneladas de milho por ano e produzir aproximadamente 10,6 bilhões de litros de etanol. A projeção para o futuro é de expansão, com 27 projetos novos em desenvolvimento para os próximos anos.
Nova dinâmica geográfica
Segundo o engenheiro agrônomo Enilson Nogueira, a origem do etanol de milho está ligada à necessidade de reduzir o custo logístico do grão. O etanol passou a ser uma forma de agregar valor ao cereal produzido localmente, fortalecendo cadeias produtivas na região.
A maior parte da produção ficou no interior do estado de Mato Grosso, em áreas como Campo Novo do Parecis, com expansão para o eixo da BR-163, onde estão as maiores unidades. As usinas transformaram parte do excedente de milho da segunda safra em combustível, diminuindo a necessidade de exportar grandes volumes do cereal.
Além da valorização, a proximidade com centros consumidores também tornou-se vantagem competitiva. Regiões do Centro-Oeste e do Centro-Norte, que antes dependiam de etanol produzido em São Paulo, Goiás e Minas, passaram a ter oferta mais próxima, aumentando a eficiência industrial.
Raio-X do MATOPIBA
Com a consolidação do modelo em MT e a busca por novas matérias-primas, o setor olha para regiões com potencial de expansão. O MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) ganha destaque: a Bahia já tem uma usina em operação e o Maranhão também participa do movimento de expansão.
Para o consultor, a dinâmica dessas novas fronteiras difere daquelas já estabelecidas. Em locais com condições climáticas mais desafiadoras e janelas de plantio mais instáveis, o sorgo emerge como opção viável.
O sorgo oferece tolerância a déficit hídrico e altas temperaturas e pode ser processado com uma lógica industrial semelhante à do milho. Estudos indicam que o etanol produzido a partir do sorgo pode chegar a rendimentos próximos aos do milho, com coprodutos adequados para alimentação animal.
Outro aspecto importante é o aproveitamento dos coprodutos. Os grãos secos de destilaria (DDG) passaram a representar uma parte relevante da receita das usinas, além de serem usados na alimentação de bovinos, aves e suínos. Esse ciclo de economia circular fortalece a economia regional e agrega valor ao milho local.
A mudança também abre espaço para transformar usinas atuais de etanol de milho em biorrefinarias de grãos, capazes de trabalhar com diferentes cereais conforme a oferta regional. O sorgo, por sua vez, aparece como elemento estratégico para regiões com maior risco climático, mantendo a produtividade e a margem de lucro.
Em resumo, o setor avança para uma era onde a flexibilidade de matérias-primas traz mais estabilidade e oportunidades para produtores e indústrias, fortalecendo cadeias locais e a economia regional.
Resumo técnico
- O etanol de milho avança para novas fronteiras no Brasil, incluindo o MATOPIBA.
- O sorgo surge como alternativa para reduzir riscos climáticos.
- Coprodutos como DDG passam a compor parte relevante da receita e fortalecem cadeias locais.
- As usinas podem se tornar biorrefinarias, processando diferentes cereais conforme a região.
5 curiosidades rápidas
- Etanol de cereais já é produzido em 29 usinas, com expansão prevista.
- O sorgo pode ser alternativa em regiões com maior risco climático.
- Coprodutos DDG ganham peso na economia local e na alimentação animal.
- A proximidade entre usinas e centros consumidores aumenta a eficiência.
- A ideia é transformar usinas de milho em biorrefinarias flexíveis.
Nova era
A indústria passa a buscar flexibilidade para usar diferentes matérias-primas, ajustando o mix conforme preço, disponibilidade regional e condições climáticas.

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