28 de agosto de 2026

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IA já presente em bancos: open source fortalece a soberania digital

Geral Soberania 28/08/2026 09:36 Marcos Lacerda - SUSE América Latina

Empresas brasileiras já usam IA em mais de 80% das instituições financeiras. O texto explica como IA, governança e open source ajudam a manter segurança, controle e autonomia tecnológica no setor.

A inteligência artificial deixou de ser promessa e passou a parte essencial da infraestrutura de organizações. Segundo dados da edição 2026 da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, mais de 80% das instituições financeiras brasileiras já utilizam IA. Ao mesmo tempo, os investimentos do setor em tecnologia devem ultrapassar 50 bilhões de reais, com foco em crédito, prevenção a fraudes, Open Finance, atendimento e personalização de serviços.

A corrida pela IA já começou, mas a agenda mudou. O desafio agora não é apenas adotar novos modelos, e sim transformar a tecnologia em um ativo estratégico com segurança, conformidade regulatória e controle dos dados.

Inicialmente o foco era testar modelos e buscar novos casos de uso. Hoje a prioridade é operar esses sistemas de forma segura e sustentável. A infraestrutura não apenas hospeda a IA, mas também define o nível de governança e autonomia das instituições.

Essa mudança é significativa porque os sistemas de IA agora acessam ativos estratégicos como dados financeiros, informações de clientes, códigos de software e propriedade intelectual. Quando esses ativos saem do controle da empresa, o risco envolve não apenas tecnologia, mas também operações e regras regulatórias.

O aumento do chamado Shadow AI reforça esse desafio. Profissionais utilizam plataformas públicas para aumentar a produtividade, muitas vezes sem validação das áreas de TI, segurança ou compliance. Proibir estas ferramentas não elimina a demanda; o caminho é criar ambientes com políticas claras de segurança, identidade, auditoria e conformidade.

É nesse cenário que a soberania digital ganha relevância. Não é apenas definir onde os dados ficam, mas manter a capacidade de decidir onde cada carga de trabalho será executada, quais modelos terão acesso a determinadas informações e como decisões críticas serão gerenciadas.

Para alcançar autonomia, tecnologias abertas são estratégicas. Em um cenário de surgimento contínuo de modelos e plataformas, arquiteturas baseadas em open source promovem transparência, interoperabilidade e liberdade de escolha. Também reduzem o risco de dependência de um único fornecedor e facilitam a combinação de tecnologias conforme as necessidades do negócio evoluem.

No setor financeiro, essa flexibilidade é ainda mais importante. Instituições que lidam com grandes volumes de dados e precisam cumprir rígidos requisitos de segurança e conformidade não podem tratar a infraestrutura de IA como uma camada isolada; ela precisa fazer parte da estratégia de longo prazo.

Os modelos continuarão evoluindo e o acesso à IA será cada vez mais difundido. A verdadeira vantagem competitiva estará, portanto, na capacidade de operar esse ecossistema com segurança, governança e liberdade tecnológica.

A grande questão para a próxima década não é apenas quem usa IA primeiro, mas quem consegue construir uma base tecnológica aberta e resiliente, capaz de proteger dados, manter autonomia e permitir que a inovação avance com segurança e transparência.

  • Mais de 80% das instituições já utilizam IA no Brasil.
  • Investimentos em tecnologia devem passar de 50 bilhões de reais.
  • Shadow AI é um desafio de governança e segurança, não apenas de uso.
  • Open source oferece transparência e evita dependência de fornecedores.
  • A soberania digital envolve decidir onde e como cada carga de trabalho é executada.

Essa combinação de IA, governança e software aberto aponta para um ecossistema onde as instituições podem inovar com maior controle, segurança e autonomia, mantendo-se competitivas no mercado financeiro.