Artigo em tom pessoal discute como a sobrecarga física e emocional afeta a saúde das mulheres e sua prioridade consigo mesmas.
Doutor, preciso de um antibiótico!
Abro o celular e recebo a solicitação de um artigo. Fabi, consegue escrever sobre o silenciamento ou sobrecarga da mulher contemporânea
Paro. Olho ao redor, e a minha cabeça pesada, de uma possível sinusite, sufoca qualquer ânimo para confirmar o desafio. Me conecto com os meus conteúdos e com todas as trocas. Lembro de algo que vi na internet: o mapeamento Esgotadas, da Think Olga. Nele, 60% das mulheres relatam perda da própria identidade diante da sobrecarga física e mental.
Tento listar mentalmente o que seria físico e o que seria mental. Tudo está tão misturado que parece um feed ambulante, cheio de conteúdo aleatório. Não há pausa. Somos afogadas pela rotina, pelo trabalho, pelas notícias de violência contra a mulher e pela responsabilidade de cuidar de alguém. Sem contar a pressão estética que surge de todos os cantos, dizendo que não somos suficientes ou que precisamos fazer mais.
Todas as bolinhas que recebemos ao longo da vida precisam de equilíbrio e giram numa velocidade impossível de sustentar. Derrubar alguma parece fora de cogitação. O cansaço muda de nível e fadigamos. Corpo e mente entram em colapso!
Leio o que escrevi e respiro fundo. Olho para as minhas bolinhas e para o meu corpo cansado. Por mais que o tempo esteja seco, percebo uma negligência comigo mesma. Algo não está certo. Lembro da minha sinusite e isso me provoca.
O artigo ganha um cunho pessoal. Se passo tanto tempo falando sobre a importância de olhar para os sinais, por que tenho ignorado os meus Minha filha, com os mesmos sintomas, foi ao médico, fez exames e foi medicada. Eu a levei! Já eu, segui com a automedicação e não achei necessário perder tempo em um pronto-socorro.
Por mais bandeiras que eu levante sobre o tema no meu dia a dia ou na minha literatura, eu escorreguei. Em meio a um período caótico, dei as mãos para mim mesma e me coloquei no fim da fila. Falei que era temporário, mas uma mulher pode esquecer facilmente como é importante se priorizar.
As bolinhas saltando na minha frente não me permitiram enxergar com lucidez. Tornei-me uma máquina para resolver todas as demandas. Claramente, sou um exemplo de mulher sobrecarregada. Que bom perceber isso a tempo
Minha cabeça segue pesada e a sinusite continua aqui. Preciso urgentemente organizar a rota, largar algumas bolinhas e voltar a cuidar de mim. Estou feliz com o artigo criado e ainda mais por me escutar. Deixarei o texto dormindo para corrigir outro dia. Pego o telefone e marco uma consulta com o otorrino: Doutor, preciso de um antibiótico!
Fabiana C.O. é escritora, palestrante e voluntária, autora de O Buraco, publicado pela VR Editora. Com MBA em Gestão de Empresas, aprofunda seus estudos em Filosofia, Autoconhecimento e Psicologia Positiva e escreve sobre comportamento humano, cotidiano feminino, silêncios e emoções.
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Fabiana C.O.






