27 de agosto de 2026

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Bruxismo diurno ligado à enxaqueca crônica é confirmado por estudo brasileiro

Geral Bruxismo 27/08/2026 09:18 Dra. Andrea Melo / Divulgação

Especialista em sono e qualidade de vida mostra que ranger de dentes durante o dia está ligado a enxaqueca crônica, com apoio de estudo inédito feito no Brasil.

Cirurgiã-dentista de referência em sono e qualidade de vida defende avaliação conjunta com neurologistas para pacientes com dor de cabeça crônica

Há anos, no consultório, a cirurgiã-dentista Dra. Andrea Melo observa um padrão comum em pacientes encaminhados por neurologistas: pessoas com enxaqueca crônica que, ao terem a musculatura facial e a articulação temporomandibular avaliadas, apresentam sinais de bruxismo durante o dia, muitas vezes sem perceber.

Essa observação clínica ganhou respaldo científico: uma pesquisa brasileira inédita, apresentada no 22º Congresso da Sociedade Internacional de Cefaleia, identificou alta prevalência de bruxismo diurno em pacientes com enxaqueca crônica. Por eletromiografia de superfície, os pesquisadores mostraram que os dois quadros compartilham o mesmo mecanismo neurológico: hiperativação do nervo trígêmeo, que passa pela musculatura do rosto, exatamente o território que Melo investiga em sua prática.

"O ranger de dentes" como sintoma, não apenas como questão odontológica

Fundadora do SIBX, sociedade internacional de bruxismo, e criadora do Método DTC e do Exame da Placa Diagnóstica, Melo atua no ponto de encontro entre odontologia, sono e neurologia, área ainda pouco explorada na cobertura sobre enxaqueca. Segundo ela, o bruxismo não deve ser tratado como assunto isolado do consultório odontológico: muitas vezes ele funciona como sintoma do quadro neurológico da enxaqueca.

Dados reforçam essa leitura: a relação entre bruxismo, Disfunção Temporomandibular (DTM) e dor de cabeça é bidirecional, com uma categoria diagnóstica específica, a "Dor de Cabeça Atribuída à DTM". Pesquisas brasileiras apontam resultados semelhantes: pacientes com bruxismo noturno costumam acordar com dor de cabeça, e mulheres com enxaqueca e DTM respondem melhor ao tratamento quando as duas condições são cuidadas em conjunto.

Sinais que a especialista recomenda observar

Com base na prática clínica, Melo lista sinais que costumam indicar a necessidade de avaliação odontológica associada à neurológica:

  • Dor ou desconforto na têmpora e no rosto que piora ao mastigar
  • Sensação de dentes encostados ou apertados ao longo do dia
  • Acordar já com dor de cabeça, antes de levantar
  • Enxaqueca que não melhora completamente apenas com tratamento neurológico
  • Desgaste dentário ligado a dores de cabeça frequentes e fraturas dentárias

Para ela, a combinação de enxaqueca crônica com qualquer um desses sinais já indica a necessidade de avaliação conjunta.

Uma parceria, não uma substituição

Dra. Andrea esclarece os limites de sua atuação: o bruxismo não causa todos os tipos de enxaqueca, nem a enxaqueca causa bruxismo os dois compartilham o mesmo mecanismo neurológico. Por isso, o papel do dentista não é tratar o sono isoladamente, mas buscar atuação eficaz junto ao neurologista para um cuidado multidisciplinar. A avaliação da qualidade do sono e da atividade muscular relacionada ao bruxismo, quando fica de fora do tratamento, pode deixar o diagnóstico incompleto e manter a dor.

Atuando no instituto de Dra. Andrea Melo, no Rio de Janeiro, com atuação internacional, Melo integra sua especialidade em reabilitação oral, bruxismo, sono e qualidade de vida a uma agenda de tratamento integrado, fortalecida por evidências científicas que já vinham sendo observadas na prática clínica.

Obs.: Conteúdo educativo sobre saúde publicado para informar pacientes.