26 de agosto de 2026

??ºC Tempo São Paulo - SP São Paulo - SP
??ºC Tempo Rio de Janeiro - RJ Rio de Janeiro - RJ
??ºC Tempo Salvador - BA Salvador - BA

Cuidados paliativos no Brasil: quase dobram, mas acesso ainda é desigual

Geral Paliativos 26/08/2026 15:31 ANCP

Nova edição mostra que os cuidados paliativos cresceram bastante no Brasil, mas continuam concentrados nas capitais e com acesso desigual entre regiões.

Cuidados paliativos quase dobram no Brasil, mas 65% dos serviços estão nas capitais

Expansão da rede ocorreu em três anos, mas concentração regional mantém desigualdade no acesso

O número de serviços de cuidados paliativos no Brasil passou de 234, em 2022, para 423, em 2025, um crescimento de 80,7% em três anos. Os dados fazem parte do Atlas Brasileiro de Cuidados Paliativos 2025, da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP). Apesar da expansão, a oferta permanece concentrada: 40% dos programas estão no Sudeste, enquanto apenas 3% ficam no Norte. Além disso, 65% funcionam nas capitais, o que dificulta o acesso de pacientes que vivem no interior.

Segundo a ANCP, mais de 625 mil brasileiros necessitam de cuidados paliativos todos os anos. A demanda tende a crescer com o envelhecimento da população e o aumento das doenças crônicas e progressivas. O levantamento mostra ainda que 76% dos programas atendem pacientes com câncer e doenças cardiovasculares, neurológicas, respiratórias, renais e outras condições crônicas.

Para o advogado especialista em direito médico e presidente da Anadem (Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética), Raul Canal, o crescimento da rede precisa ser analisado também sob a perspectiva da distribuição dos serviços e dos direitos do paciente. "Quase dobrar o número de programas é um avanço, mas não significa que o Brasil tenha universalizado o acesso aos cuidados paliativos. Quando 65% dos serviços estão nas capitais, o número total pode esconder uma desigualdade importante", afirma.

Os cuidados paliativos não se restringem aos pacientes em fase final de vida e podem ser indicados diante de doenças graves, ativas e progressivas, com foco no controle de sintomas e na redução do sofrimento. Para Canal, associar esse tipo de assistência apenas aos momentos finais da doença pode atrasar o encaminhamento. "Ainda existe a ideia de que o cuidado paliativo começa quando não há mais nada a fazer, mas essa compreensão pode afastar pacientes de uma assistência que também é um direito assegurado por lei. Isso pode postergar o controle de sintomas e comprometer a qualidade de vida", afirma.

A ampliação dos serviços, portanto, exige programas estruturados e equipes multiprofissionais capazes de integrar os cuidados paliativos ao tratamento e aos demais pontos da rede de saúde. Para Canal, o envelhecimento da população torna essa organização cada vez mais relevante.

"O Brasil está aumentando a oferta de cuidados paliativos ao mesmo tempo em que terá uma população cada vez mais envelhecida e com maior prevalência de doenças crônicas e progressivas. O Estatuto dos Direitos do Paciente, em vigor desde abril deste ano, vem reforçar que esse atendimento é um direito do paciente, incluindo o acesso a uma assistência livre de dor e ao apoio aos familiares. Se a expansão permanecer concentrada nas capitais, existe o risco de ampliar a estrutura sem enfrentar a desigualdade de acesso. O desafio agora é fazer a rede avançar na direção de onde a demanda por esses serviços também está crescendo" conclui o advogado.


Resumo em 5 pontos

  • Mais de 625 mil pessoas no Brasil precisam de cuidados paliativos anualmente.
  • Expansão de 234 para 423 serviços entre 2022 e 2025.
  • Desigualdade regional: 40% dos programas no Sudeste, 3% no Norte.
  • 65% dos serviços estão nas capitais, dificultando o acesso no interior.
  • Direito do paciente é reinforced pelo Estatuto dos Direitos do Paciente, com foco em alívio da dor e suporte à família.