Estudos mostram que testes moleculares no solo ajudam a identificar patógenos, saúde do solo e potencial produtivo antes da semeadura, orientando uso de bioinsumos e manejo
Antes de as plantadeiras entrarem no campo, testes moleculares podem complementar as análises do solo e trazer informações importantes para o planejamento da safra de soja. Eles ajudam a entender microbiologia, sanidade e o potencial produtivo da área antes da semeadura, orientando decisões sobre inoculação, manejo biológico, correção do solo e prevenção de doenças.
As técnicas permitem entender melhor o ambiente produtivo, contribuindo com decisões estratégicas que impactam produtividade, sustentabilidade e rentabilidade da lavoura. Com qPCR, é possível detectar e quantificar fungos e nematoides antes de aparecerem sintomas, o que favorece manejo mais preciso desde o início do ciclo produtivo.
Antes do plantio, é importante conhecer as condições do solo, que podem abrigar patógenos. Quando a semente germina, esses organismos podem se multiplicar e comprometer a lavoura. A análise antecipada ajuda o produtor a selecionar cultivares adequadas, definir bioinsumos para o tratamento das sementes e tomar medidas preventivas de manejo fitossanitário, explica Tatiani Janegitz, gerente de Desenvolvimento de Mercado Agronegócio da Loccus.
Segundo o 10º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26 da Conab, a produção brasileira de grãos deve alcançar 360,1 milhões de toneladas na temporada, com a soja respondendo por aproximadamente metade desse volume (cerca de 180,6 milhões de toneladas).
O sequenciamento de DNA de nova geração (NGS) também é utilizado para mapear a diversidade microbiana do solo, identificando microrganismos benéficos e potenciais agentes de doenças, ajudando a orientar o uso de bioinsumos e estratégias regenerativas.
É uma abordagem de precisão: primeiro entendemos o que está presente no solo e, com esse diagnóstico, direcionamos melhor o manejo. A análise molecular não substitui a avaliação agronômica, mas acrescenta informações objetivas para apoiar decisões antes do plantio, afirma Tatiani.
Produção de bioinsumos acompanha o calendário da safra
A proximidade da semeadura mobiliza as indústrias de bioinsumos, já que muitos produtos são microrganismos vivos e precisam chegar ao produtor com viabilidade adequada.
O mercado brasileiro de bioinsumos movimentou mais de R$ 6,2 bilhões em 2025, com área tratada chegando a 194 milhões de hectares. A soja lidera esse mercado, respondendo por grande parte do uso de bioinsumos no país, com adoção crescente por área plantada.
A adoção de bioinsumos exige controle de qualidade rigoroso, incluindo verificação de identidade, pureza e concentração de microrganismos, além da detecção de possíveis contaminantes. A qPCR surge como ferramenta-chave para quantificar microrganismos-alvo e detectar contaminações precocemente, aumentando confiabilidade e agilizando a liberação de lotes.
A eficácia dos bioinsumos depende da viabilidade dos microrganismos na formulação. Ferramentas moleculares ampliam o monitoramento pelos fabricantes, oferecendo maior precisão e rastreabilidade na verificação da identidade e da integridade biológica dos produtos.
Do diagnóstico do solo ao tratamento das sementes
O planejamento pode começar pela coleta de amostras de solo e pela investigação de patógenos relevantes para a cultura. Os resultados devem ser interpretados junto com o histórico da área, as características da lavoura e a orientação de profissionais habilitados.
A partir dessas informações, é possível definir um tratamento de sementes mais direcionado com fungicidas, inoculantes ou outros bioinsumos compatíveis com as necessidades identificadas, sempre observando registro, validade e condições de guarda dos produtos.
Para Tatiani, a combinação entre diagnóstico e manejo contribui para decisões mais precisas na etapa estratégica da safra. A proposta não é realizar uma análise molecular da semente, mas entender melhor o ambiente onde ela será inserida. Quanto mais informações o produtor tiver sobre o solo, maior será a capacidade de direcionar o tratamento e reduzir riscos antes da implantação da lavoura.
Sobre a Loccus
A Loccus é uma empresa brasileira especializada em soluções de biologia molecular, diagnóstico e automação laboratorial, fornecendo equipamentos, reagentes e sistemas para laboratórios, hospitais e indústria no país.

Loccus (Ajustada por IA)




