Esquecer pagamentos, adiar decisões e comprar sem pensar podem ser sinais de TDAH. Entenda como o transtorno interfere nas finanças e o que fazer.
Uma fatura vencida, uma compra feita em poucos cliques ou uma decisão adiada até virar urgência podem parecer falta de organização. Quando isso se repete e causa dívidas, conflitos ou sofrimento, o problema pode ir além do controle de gastos.
Em pessoas com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), dificuldades de atenção, memória, impulsividade, planejamento e emoção podem afetar o jeito de lidar com dinheiro. Mas nem toda compra por impulso é TDAH, nem todo problema financeiro indica o transtorno.
- O TDAH pode causar esquecimento de contas e compras por impulso.
- Esse comportamento não é falta de disciplina, mas sintoma do transtorno.
- Estratégias simples, como lembretes e pagamentos automáticos, podem ajudar.
- Quando a emoção pesa, o acompanhamento psicológico é importante.
- A avaliação neuropsicológica ajuda a entender o padrão de cada pessoa.
Estudos com adultos mostram que pessoas com sintomas de TDAH relatam mais compras por impulso e decisões financeiras espontâneas do que as sem sintomas. A relação, porém, depende de fatores como personalidade, depressão, idade e renda.
Para a psicóloga e neuropsicóloga Luanda Rosa, o principal é descobrir o que sustenta o comportamento antes de escolher uma estratégia. "Uma pessoa pode gastar sem pensar por dificuldade de interromper a ação e avaliar consequências. Em outro caso, a compra pode aliviar ansiedade, tristeza ou estresse. Comportamentos iguais podem ter causas diferentes e não respondem à mesma solução", afirma.
Quando a planilha não resolve
Aplicativos de orçamento, planilhas e reduzir o limite do cartão podem limitar gastos, mas não resolvem a origem do problema. Essas ferramentas mostram números, mas exigem que a pessoa consiga iniciar tarefas, manter rotina e transformar intenção em ação.
Uma pessoa pode saber que precisa guardar dinheiro e esquecer de fazer a transferência. Pode ver uma conta e adiar até virar urgência. Também pode entrar em um app de compras estressada e comprar sem avaliar o impacto no mês.
"Controlar o limite do cartão pode reduzir um risco imediato, mas talvez não seja suficiente se a compra for uma resposta a uma emoção difícil. Nesse caso, é preciso entender o padrão repetido", diz Luanda.
Esquecimento, adiamento e impulso
Duas pessoas podem dizer que "não conseguem controlar o dinheiro" e enfrentar situações diferentes. Uma esquece contas e compromissos; outra adia decisões até virar urgência. Há quem compre por impulso, sem calcular consequências, ou busque recompensa imediata diante de estresse.
A distinção importa porque o que ajuda um caso pode não ajudar outro. Lembretes no celular, calendário de vencimentos e pagamentos automáticos ajudam quem perde prazos. Para compras impulsivas, remover cartões salvos, desativar promoções e criar um intervalo antes de comprar dão espaço para refletir.
Quando a emoção pesa, barreiras financeiras sozinhas têm efeito limitado. Reconhecer gatilhos emocionais e buscar psicoterapia pode ser parte do cuidado.
Avaliação individual
Segundo Luanda Rosa, dificuldades persistentes de organização, esquecimento e impulsividade merecem atenção quando comprometem rotina, renda, vínculos ou saúde emocional. A avaliação neuropsicológica investiga atenção, memória, planejamento e controle comportamental, considerando a história de cada pessoa.
"O objetivo não é só saber se alguém tem TDAH, mas entender como o funcionamento cognitivo e emocional participa das dificuldades e quais estratégias são viáveis", afirma.
A especialista destaca que compreender o problema ajuda a substituir a culpa por perguntas úteis: foi esquecimento Falta de planejamento Impulso Emoção intensa A resposta orienta caminhos diferentes. Para uns, uma rotina simples de alertas e pagamentos automáticos basta. Para outros, é preciso unir organização ao cuidado com ansiedade, estresse e saúde mental.

Foto Profissional. (Crédito: FreePik)



