O psicanalista Lucas Lujan analisa o medo de envelhecer entre os jovens, a ansiedade causada pela sensação de estar atrasado na vida e questiona o padrão de sucesso imposto pela sociedade e intensificado pelas redes sociais.
É paradoxal pensar que os jovens têm medo de envelhecer, afinal, eles estão no auge das possibilidades. Mas essa fase também traz ansiedade, porque o tempo passa e surge a pergunta: será que vou conseguir fazer tudo o que esperam de mim
Claro que não dá para generalizar. Cada pessoa vive essa experiência de um jeito, dependendo de sua realidade social, gênero, raça e orientação sexual. Mas há algo que parece comum: a angústia de sentir que a vida está escapando e que não se está cumprindo o cronograma esperado.
- Muitos jovens sentem que estão atrasados em relação aos outros, especialmente ao ver conquistas alheias nas redes sociais.
- A pressão para ter sucesso financeiro, carreira estável e relacionamentos certos até os 30 anos é enorme.
- O custo de vida alto e o trabalho instável tornam esse sonho cada vez mais distante, mas a culpa ainda recai sobre o indivíduo.
- O descanso virou mais uma tarefa: até para descansar, as pessoas querem ser produtivas.
- A juventude é tratada como um capital, e envelhecer é visto como perda de valor.
O psicanalista Lucas Lujan explica que vivemos em uma sociedade que valoriza a produtividade acima de tudo. Somos incentivados a trabalhar mais, consumir mais, aprender mais, cuidar do corpo, melhorar a aparência e transformar cada experiência em uma conquista. Até o descanso virou obrigação, porque é preciso descansar para render mais no trabalho.
Nesse cenário, a juventude deixa de ser apenas uma fase da vida e vira uma espécie de mercadoria. Energia, beleza e disposição passam a ter valor de mercado. E envelhecer, então, é visto como perda de valor.
O peso das cobranças
Aos 30 anos, por exemplo, parece que já deveríamos ter casa própria, carreira consolidada, relacionamento estável e corpo perfeito. Mas a realidade é outra: os empregos são instáveis, os salários não acompanham o custo de vida e os sonhos vão sendo adiados.
Esse descompasso entre o que é esperado e o que é possível gera culpa. Muitos se sentem incapazes, mesmo quando as dificuldades são estruturais. A cobrança por produtividade e sucesso é enorme, e até o descanso virou desculpa para produzir mais.
O problema é que a juventude virou uma espécie de capital: energia, beleza, disposição e tempo são vistos como mercadorias. Envelhecer, então, é considerado uma perda de valor.
Precisamos repensar essa ideia de sucesso. Uma vida não é fracasso só porque não segue o roteiro tradicional de conquistas. Envelhecer é um processo natural, não uma falha pessoal. É preciso cobrar menos de si mesmo e questionar essa lógica que transforma a vida em produção.
*Lucas Lujan é psicanalista, escritor e autor do livro "Amar não é o suficiente".

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