24 de agosto de 2026

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Cuiabá suspende atendimento especializado para crianças com transtornos do neurodesenvolvimento

Geral Saúde 24/08/2026 14:21 Isabella Martins e Jolismar Bruno (Primeira Página) primeirapagina.com.br

A prefeitura de Cuiabá confirmou que os atendimentos especializados foram remanejados, mas afirma que as crianças não ficarão sem acompanhamento.

Serviços especializados para crianças e adolescentes com transtornos do neurodesenvolvimento foram suspensos ou remanejados na rede pública de saúde de Cuiabá, segundo relatos de mães atendidas pelo município.

Elas afirmam que, após mudanças no Centro de Especialidades Médicas (CEM), passaram a enfrentar dificuldades para conseguir consultas com neurologistas, psiquiatras infantis e outros profissionais.

  • O Centro de Especialidades Médicas (CEM) era o principal local de atendimento para esses casos.
  • Mães relatam falta de neurologistas, psiquiatras e terapeutas para seus filhos.
  • A prefeitura diz que está reorganizando a rede e que o cuidado será feito nos postos de saúde.
  • Famílias que não conseguirem tratamento podem procurar a Defensoria Pública.
  • A secretaria não informou quantos profissionais serão contratados.

Oliva Sebastiana é mãe de um menino de 9 anos, que tem TDAH, apraxia e dificuldades de coordenação motora. Segundo ela, o filho faz acompanhamento com psicóloga e fonoaudióloga, mas deixou de ter acesso a outras especialidades. 'Está faltando neuro, psiquiatra, terapeuta', relatou.

Priscilla da Silva Alves também está preocupada. A filha mais velha, de 14 anos, tem autismo e deficiência intelectual, e a mais nova, de 5 anos, tem TDAH e Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD). A menina precisa de reavaliação com psiquiatra infantil, mas a mãe não consegue manter o acompanhamento.

Outra mãe, Letícia Gabriele Pereira dos Santos, tem quatro filhos. Um deles tem epilepsia e está sem acompanhamento de fonoaudiólogo e psiquiatra. A falta de atendimento também está afetando a rotina escolar da criança.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SME) confirmou o remanejamento e disse que isso faz parte de uma reorganização. O CEM continua responsável pelas consultas e avaliações. Depois que a conduta é definida, os pacientes devem ser acompanhados nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

A secretaria destaca que o remanejamento não significa falta de assistência e que foi criado um protocolo para garantir a continuidade do cuidado.

O defensor público Denis Rodrigues, coordenador do Grupo de Atuação de Estratégia Coletiva em Saúde Mental, explica que a UBS é a porta de entrada do sistema, mas o atendimento precisa funcionar de forma integrada entre os diferentes níveis da rede.

Para as famílias que encontrarem dificuldades, ele orienta a procurar a Defensoria Pública com os documentos do caso. A Secretaria informou que está contratando novos profissionais, mas não deu detalhes sobre quantidade, especialidades ou prazo.