24 de agosto de 2026

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Alunos brasileiros agem contra mudanças climáticas

Geral Clima 24/08/2026 11:36 Aline Anile (PG1)

Projeto do Marista envolve 700 estudantes em ações práticas, como simulações da ONU, hortas e reciclagem, para entender e enfrentar os efeitos do clima.

Entre 2013 e 2025, os desastres naturais causaram R$ 785,4 bilhões em danos no Brasil. Segundo a Confederação Nacional de Municípios (CNM), 95,1% das cidades foram afetadas, com prejuízos para moradias, estradas, serviços públicos e também para a agricultura. Com o aumento de eventos extremos como o El Niño, que provoca tempestades, secas e ondas de calor, é essencial preparar melhor as cidades e a sociedade.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alerta que o estresse, a ansiedade e a perda de memória causados pelas ondas de calor prejudicam o desenvolvimento de crianças e adolescentes. Por isso, a educação climática ajuda a colocar os jovens no centro do debate sobre o clima.

  • Mais de 700 alunos e professores participam do Observatório Marista do Clima.
  • Os estudantes simulam conferências da ONU sobre mudanças climáticas.
  • Projetos incluem hortas agroecológicas, reciclagem e compostagem.
  • Uma escola reduziu o desperdício de comida pesando os restos e mostrando em mural.
  • Escolas estão se preparando para desastres como enchentes e secas.

No projeto, crianças e adolescentes de diferentes biomas brasileiros aprendem na prática. Eles investigam problemas reais de seus bairros, representam países em simulações da COP e criam soluções como gestão de resíduos e hortas. Ao longo de 2025, 88 instituições participaram, com mais de 220 ações climáticas propostas e 42.448 participantes diretos.

Keles Gonçalves de Lima, coordenador de evangelização do Marista Brasil, explica que o Observatório trabalha com quatro dimensões: conhecimento científico, adaptação, mitigação e comunicação. Entre elas está a compreensão dos riscos de desastres e a preservação da vida.

Os jovens não são apenas ouvintes. Eles investigam problemas locais, participam de negociações climáticas, propõem soluções e colocam em prática ideias como economia de água e energia, gestão de resíduos e hortas agroecológicas. O objetivo é transformar a preocupação com o clima em conhecimento, participação e ação concreta.

Semeando a mudança

Um dos projetos é o Desperdiçômetro, criado no Marista Escola Social Ecológica, em Almirante Tamandaré (PR). Para enfrentar o desperdício de comida no refeitório, os alunos passaram a pesar diariamente os restos e divulgar os resultados em um mural. A escola também promoveu debates, palestras com nutricionistas e oficinas sobre porções e aproveitamento total dos alimentos.

Os restos orgânicos são enviados para uma composteira, que produz adubo para a horta da própria escola. A horta abastece a cozinha com vegetais frescos, e as sobras viram comida para ovelhas.

Essa iniciativa reduziu o desperdício, aumentou a consciência dos alunos, atraiu a participação das famílias e diminuiu os custos da instituição.

No Marista Escola Social Robru, em São Paulo (SP), o projeto Fraternidade e Ecologia Integral criou uma horta. Os estudantes estudaram o solo, construíram canteiros e instalaram uma estufa, além de aprenderem permacultura. A proposta virou parte do currículo da Educação Infantil.

Keles finaliza: Cuidar das crianças e dos adolescentes diante da emergência climática significa reconhecê-los como prioridade absoluta, mas também como sujeitos capazes de participar da construção de comunidades mais preparadas, solidárias e resilientes.

Escola como ponto de apoio para tragédias climáticas

A tragédia de 2024 no Rio Grande do Sul mudou a forma como as escolas encaram eventos climáticos. Antes, enchentes eram vistas como episódios sazonais; agora, são rotina nas instituições Maristas. Segundo Keles, é preciso incorporar permanentemente a prevenção, a adaptação e o cuidado com as populações mais vulneráveis aos processos institucionais e educativos.

Frente ao El Niño e outras ameaças, os projetos mostram a importância de planos de contingência territorializados. Cada unidade está exposta a riscos diferentes, como enchentes, deslizamentos, secas ou incêndios. Os planos devem considerar alertas oficiais e orientações das defesas civis.

Keles destaca que a escola não substitui a Defesa Civil, mas pode contribuir com educação climática e mobilização comunitária. Um próximo passo é aproximar o Observatório dos planos municipais de prevenção e adaptação climática.

Sobre os Maristas no Brasil

Os Maristas estão presentes no Brasil há 129 anos, em mais de 94 cidades e 25 estados. Eles mantêm escolas, universidades, hospitais e editoras, atuando nas áreas de educação, saúde e defesa de direitos.