A região italiana do Vêneto está com falta de enfermeiros e vai lançar um projeto para contratar profissionais do Sul do Brasil e da Argentina. O programa vai ajudar com visto, moradia e adaptação, e os primeiros selecionados podem começar em 2027.
Agosto de 2026 mostrou de novo como a Itália está precisando de profissionais de saúde. Nos hospitais e prontos-socorros, a falta de médicos e enfermeiros ficou ainda mais grave.
Nas semanas centrais do mês, a falta de médicos chegou a quase 7 mil. Muitos hospitais funcionaram com menos gente do que o necessário. Na enfermagem, os que ficaram tiveram que trabalhar horas extras e adiar férias.
- O Vêneto é uma região no norte da Itália, famosa por cidades como Veneza.
- O projeto-piloto vai recrutar enfermeiros do Sul do Brasil e da Argentina.
- Quem for selecionado terá ajuda com visto, moradia, curso de italiano e acompanhamento.
- Estima-se que faltem cerca de 3.500 enfermeiros na região.
- Os primeiros profissionais podem chegar em 2027.
Segundo a sociedade italiana de emergência, só 31% dos prontos-socorros estavam com equipes completas. Em cerca de 70% dos casos, a falta de médicos variava entre 25% e 70%.
Outro levantamento mostrou que 80% dos serviços de saúde básicos estavam fechados ou reduzidos durante as férias de verão. A procura pelo pronto-socorro aumentou em 20%.
Para resolver isso, o Vêneto vai tentar contratar enfermeiros estrangeiros, principalmente do Sul do Brasil e da Argentina.
Os números mostram que a falta de profissionais não é uma hipótese distante. É uma necessidade concreta, diz a advogada Ana Carolina Campara Brittes, especialista em cidadania italiana.
Faltam enfermeiros na Itália
A Itália tem 6,5 enfermeiros por mil habitantes, menos que a média europeia de 8,4. Para 2027, espera-se que faltem quase 11 mil enfermeiros.
Quando um país vai buscar enfermeiros do outro lado do Atlântico, a mensagem é clara: essa profissão é importante para a saúde. Para os brasileiros, é uma chance internacional, afirma Ana.
Projeto no Vêneto
O Vêneto precisa hoje de cerca de 27 mil enfermeiros, mas faltam 3,5 mil. Até 2035, a falta pode chegar a 20 mil profissionais.
O projeto vai começar na província de Belluno. Lá, a falta de renovação da equipe é de 9%.
Belluno tem necessidade real, apoio habitacional e uma rede pronta para receber os profissionais, diz a advogada.
Cronologia
- Agosto de 2024: a região aprovou um plano para combater a falta de pessoal.
- Abril de 2026: foram aprovados os critérios para contratar enfermeiros com diploma estrangeiro.
- Julho de 2026: o projeto foi apresentado oficialmente.
- Agosto de 2026: a estrutura foi divulgada, com investimento de 200 mil euros.
Participam a região, a empresa de saúde ULSS 1, a Universidade de Pádua, a ordem de enfermagem e outras entidades.
Como será a seleção
A ULSS 1 Dolomiti será a futura empregadora e fará a escolha dos profissionais. Eles vão verificar o diploma, a experiência, as habilidades e o italiano. A universidade vai ajudar na parte de formação.
Os primeiros profissionais podem chegar em 2027.
Enquanto a seleção não abre, há um cadastro para enfermeiros formados no exterior.
Por que o Sul do Brasil
A escolha tem a ver com a grande comunidade de descendentes italianos no Sul. A Associação Bellunesi nel Mondo, que participa do projeto, já tem contatos com famílias na região. O Vêneto foi a principal origem dos italianos que vieram ao Brasil entre 1876 e 1920.
Existe uma ligação histórica. Para muitos, os vínculos facilitam a adaptação, observa Ana.
Importante: a cidadania italiana não é exigida. O projeto vai ajudar a conseguir visto e autorização de trabalho.
Dois caminhos
O projeto tem duas formas de participar:
- Canal profissional: para enfermeiros já formados. Eles passarão por análise de documentos, avaliação de competências, formação complementar e serão contratados.
- Canal universitário: para estudantes que já fazem enfermagem no Brasil. A Universidade de Pádua vai avaliar uma integração e possível dupla titulação.
Para os selecionados, há ajuda com:
- visto e documentação
- moradia inicial
- curso de italiano
- treinamento sobre o sistema local
- acompanhamento por um tutor nos primeiros meses
- informações sobre salário e condições de trabalho
- possível apoio para a família
- integração social na comunidade
Esse conjunto é muito positivo. O candidato não é visto só como alguém para preencher escala, diz Ana.
O que preparar até setembro
É bom já ir separando os documentos:
- passaporte válido
- diploma de enfermagem
- histórico escolar
- ementas e carga horária do curso
- comprovantes de estágios
- registro no conselho de enfermagem
- certidão de regularidade
- comprovantes de experiência
- certificados de especialização
- currículo em português e italiano
- documentos que precisem de apostila
- traduções para o italiano
- comprovantes de conhecimento de italiano

Imagem: IA



