O mercado de eventos corporativos em São Paulo cresceu 22% em 2025, movimentando R$ 14 bilhões. Agora, a fotografia virou peça-chave: cenografia, iluminação e experiências são planejadas para gerar registros que ampliam o alcance das marcas nas redes sociais e prolongam o impacto dos encontros presenciais. Empresário João Paulo Ugioni explica como essa tendência transformou o setor.
O Dia Mundial da Fotografia, celebrado em 19 de agosto, destaca uma mudança que também chegou ao mercado de eventos corporativos. São Paulo realizou 1.511 eventos B2B de grande porte em 2025, um crescimento de 22% em relação ao ano anterior, segundo o Barômetro Eventos B2B, levantamento da União Brasileira de Feiras e Eventos de Negócios (UBRAFE) em parceria com a São Paulo Turismo.
Para João Paulo Ugioni, empresário, fundador e CEO da Altus Eventos, empresa em Barueri (SP) especializada em espaços, gestão e produção de eventos, a fotografia deixou de ser apenas um registro do que aconteceu. A empresa atua em convenções empresariais, congressos, imersões e encontros executivos, além de projetos ligados a empreendedorismo, educação e geração de negócios.
- Eventos B2B: Em 2025, São Paulo teve 1.511 eventos B2B de grande porte, alta de 22% sobre 2024 (fonte: UBRAFE e SPTuris).
- Fotografia estratégica: Estética agora é planejada para gerar registros que circulam nas redes sociais.
- Investimento recorde: Encontros movimentaram cerca de R$ 14 bilhões na capital paulista no ano passado.
- Público ativo: Gerações Y e Z compartilham experiências e atuam como produtores de conteúdo.
- Segundo momento: Imagens prolongam a vida do evento e ampliam o alcance para quem não estava presente.
Os encontros movimentaram cerca de R$ 14 bilhões na capital paulista e reforçam um setor onde a experiência presencial também passou a disputar espaço nas telas dos celulares. Cenografia, iluminação, ativações e identidade visual começam a ser pensadas não apenas para quem está no local, mas para as imagens que continuarão circulando depois dele.
Ugioni avalia que a estética agora integra o planejamento desses projetos. Um evento fotográfico não significa montar um espaço apenas para ficar bonito nas redes sociais. A imagem precisa traduzir a identidade da marca e a experiência entregue. Quando isso acontece, a fotografia prolonga a vida do evento e leva aquela mensagem para quem não estava presente, afirma.
Eventos fotografáveis ampliam a experiência além do presencial
A discussão ganha força a partir do Dia Mundial da Fotografia. A data remete a 1839, quando o governo francês anunciou que o processo do daguerreótipo estaria disponível ao domínio público, um dos marcos da história da fotografia.
Quase dois séculos depois, produzir e distribuir imagens tornou-se parte da própria experiência de diferentes encontros. Um estudo publicado em abril de 2026 no Journal of Hospitality and Tourism Insights analisou 457 participantes das gerações Y e Z em exposições artísticas e culturais e identificou relação entre envolvimento com a experiência e compartilhamento nas redes sociais. Entre a geração Z, a publicação de avaliações e conteúdos criativos apareceu de forma mais intensa.
Embora a pesquisa não trate especificamente de congressos e convenções empresariais, o comportamento observado ajuda a compreender uma mudança relevante para quem produz experiências presenciais: o participante também pode atuar como produtor e distribuidor de conteúdo. Antes, era comum pensar primeiro na programação e depois em como registrar o encontro. Hoje, a fotografia precisa entrar muito antes, ainda na concepção. É necessário avaliar iluminação, enquadramentos, circulação das pessoas e presença da marca sem transformar todos os espaços em publicidade, explica o empresário.
Cenografia precisa funcionar no espaço e na fotografia
Uma iluminação eficiente para o palco, por exemplo, não necessariamente favorece fotografias do público. Da mesma forma, o excesso de logotipos pode tornar uma instalação visualmente carregada e diminuir a espontaneidade das publicações.
O desafio passa a ser construir pontos reconhecíveis e visualmente interessantes sem comprometer a funcionalidade do evento corporativo. Essa preocupação começa ainda na escolha do espaço, especialmente em convenções empresariais, congressos, encontros executivos e outras agendas corporativas, que exigem estrutura capaz de receber diferentes formatos de programação. Cenografia, luz, disposição dos ambientes e ativações de marca precisam conversar entre si e, ao mesmo tempo, permitir que o participante registre a experiência naturalmente.
Quando alguém encontra um espaço que desperta vontade de fotografar, passa a produzir conteúdo sobre aquela experiência por iniciativa própria. O evento corporativo fotografável transforma o público em parte da comunicação, mas isso só funciona quando existe intenção por trás da estética, diz o gestor.
Outro cuidado está na capacidade de reconhecimento das imagens fora do espaço original. Uma fotografia compartilhada horas ou dias depois pode carregar elementos capazes de associá-la à marca, ao encontro ou à mensagem transmitida sem depender de uma exposição excessiva da identidade visual.
Fotografia prolonga a vida dos eventos corporativos
O Barômetro da UBRAFE e da SPTuris considera eventos com pelo menos 700 participantes, entre feiras, congressos, convenções e grandes encontros corporativos. O crescimento de 22% registrado em São Paulo em 2025 mostra a força do presencial, enquanto a circulação de fotografias e vídeos permite que parte dessa experiência alcance pessoas que não estiveram fisicamente no local.
Para empresas, gestores de espaços e produtores, isso significa considerar dois momentos de comunicação. O primeiro acontece durante o encontro. O segundo começa quando os participantes publicam registros e quando a própria organização transforma o material produzido em conteúdo para redes sociais, comunicação institucional e ações posteriores. Um evento pode durar algumas horas ou dois dias, mas as imagens permanecem circulando e podem continuar sendo utilizadas pela empresa. Quando fotografia, cenografia e experiência são pensadas juntas, o investimento presencial também pode gerar um ativo de comunicação, afirma Ugioni.
A partir das discussões em torno do Dia Mundial da Fotografia, a transformação ajuda a mostrar como a imagem assumiu outra função nos eventos corporativos. O registro já não começa apenas quando o fotógrafo aperta o botão da câmera. Ele pode começar meses antes, ainda na escolha do espaço e na definição do palco, da luz, da cenografia e da experiência que as pessoas terão vontade de levar para as próprias redes.

Fotografia em eventos corporativos




