21 de agosto de 2026

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Ebola no Congo: MSF pede ação urgente após 100 dias de surto

Geral Ebola 21/08/2026 10:24 Assessoria de Imprensa MSF

Mais de 5 mil casos e 2.400 mortes já foram registrados. A doença ainda se espalha em regiões com violência e refugiados, e as equipes de saúde precisam de mais apoio.

Faz quase 100 dias que o Ebola foi declarado na República Democrática do Congo (RDC). A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) avisa que as comunidades não estão recebendo ajuda suficiente para parar a doença. Este é o maior e mais mortal surto já visto no país, e ele continua se espalhando rápido em lugares que já sofrem com conflitos, violência, refugiados, fome e outros problemas de saúde.

É preciso treinar mais médicos, enfermeiros e líderes das comunidades para reconhecer os sintomas, mandar os doentes para tratamento e ensinar como evitar a transmissão. Isso é urgente.

Resumo rápido

  • O Ebola é uma doença grave que causa febre e sangramento.
  • O surto no Congo começou há cerca de 100 dias e já é o pior da história do país.
  • Mais de 60% dos mortos morreram fora dos hospitais, em casa.
  • A MSF montou 6 centros com mais de 430 leitos.
  • Líderes comunitários estão ajudando a convencer as pessoas a buscar tratamento.

Na última semana, uma pessoa morreu de Ebola a cada meia hora. Desde o começo do surto até 16 de agosto, as autoridades contaram mais de 5 mil casos confirmados e mais de 2.400 mortes.

Dr. Javid Abdelmonein, presidente internacional da MSF, afirma: A epidemia continua avançando mais rápido do que a resposta. Os centros de tratamento são importantes, mas precisamos de mais: detectar casos, isolar doentes e seus contatos, e proteger os profissionais de saúde. As comunidades devem participar da resposta.

No acampamento de Rho, perto de Drodro, na região de Ituri, líderes comunitários ajudam a MSF a convencer as pessoas com sintomas a fazer teste e tratamento rápido. Eles também ensinam como evitar a transmissão. O acampamento tem quase 50 mil pessoas amontoadas, e essa parceria tem reduzido os casos e mortes.

Ezrome Kiza Lumani, líder comunitário do acampamento, diz: Conhecemos nosso povo. Quando o Ebola chegou, agimos. Conversamos com as famílias, ouvimos seus medos e incentivamos os doentes a procurar ajuda. Temos um papel muito importante para parar o surto.

Desde o começo do surto, mais de 60% das mortes aconteceram fora dos centros de tratamento, muitas em casa. Isso significa que o vírus se espalha antes de ser detectado. Os casos estão crescendo também em outras áreas, como Kivu do Norte, onde há muita desconfiança da resposta.

Trish Newport, coordenadora de emergências da MSF em Ituri, afirma: Com casos em áreas novas e sem experiência, precisamos de profissionais treinados tanto nos centros de tratamento quanto nas comunidades.

Ações da MSF no Congo

A MSF trabalha em cinco províncias: Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Tshopo e Haut-Uélé. A organização tem seis centros de tratamento, com mais de 430 leitos (um terço de todos os leitos da resposta). Mais de 1.400 profissionais da MSF estão ajudando. Já foram internados mais de 1.900 pacientes, e 720 tiveram confirmação de Ebola.

Em Beni, na província de Kivu do Norte, a MSF apoia hospitais locais que atendem também outras doenças. Isso permite tratar casos de Ebola mais rapidamente e perto de casa. A resposta precisa levar cuidados para mais perto das pessoas.

Newport também falou: Médicos e líderes comunitários precisam de treinamento para achar casos cedo, levar as pessoas com segurança, e evitar a infecção. A OMS, a ONU, as ONGs e o governo do Congo precisam aumentar esse treinamento com urgência.

Emery Guba Mateso, outro líder comunitário de Rho, perdeu o filho para o Ebola e depois se curou da doença. Ele agora conta sua história para incentivar as pessoas a procurarem tratamento.

Guba Mateso afirma: Sobrevivi ao Ebola. Quero dizer a todos: se tiver sintomas, procure um médico na hora. Quanto mais cedo o tratamento, maior a chance de se salvar.