Mesmo cargo pode ter salários diferentes por causa da crise econômica
Por muitos anos, as empresas tentaram manter uma certa igualdade nos salários e benefícios para funcionários do mesmo nível. Mas isso está mudando por causa da crise econômica, da necessidade de reduzir custos e de investir em áreas importantes.
Segundo Paulo Saliby, especialista em remuneração e sócio da SG Comp Partners, com menos dinheiro, as empresas precisam decidir com mais cuidado quem merece ganhar mais. Ele diz: "Quanto maior a crise, maior a necessidade de escolher melhor quem recebe salários mais altos". O desafio não é apenas saber quanto pagar, mas para quais profissionais e habilidades vale a pena pagar um valor acima da média.
- A crise econômica está forçando empresas a diferenciar salários.
- Áreas como inteligência artificial e tecnologia estão em alta.
- Profissionais com habilidades raras podem ganhar mais.
- A decisão de pagar mais deve ser estratégica.
- Empresas precisam analisar quais competências são essenciais.
A área de inteligência artificial é um bom exemplo, principalmente para quem trabalha com IA generativa e machine learning. Mas não é só isso. Profissionais de dados, segurança digital, nuvem, automação, transformação digital e desenvolvimento de produtos também estão sendo muito procurados. Em alguns setores, também há disputa por especialistas em energia limpa, sustentabilidade, logística, gestão de riscos e inovação.
Ao mesmo tempo, algumas habilidades humanas estão ficando mais valiosas porque a tecnologia está fazendo o trabalho mais rotineiro. Por exemplo: pensar criticamente, resolver problemas difíceis, ter criatividade, liderar mudanças e conseguir conectar diferentes áreas.
Quais habilidades valem um salário maior
Mas isso varia de empresa para empresa. Saliby explica: "Não é só pagar mais para quem trabalha com IA. É preciso identificar quais habilidades realmente trazem resultado, quais são difíceis de achar e quais são necessárias para o plano da empresa".
Na prática, pessoas com o mesmo cargo podem ter salários e benefícios diferentes. Um pode ficar na média, enquanto outro, que tem uma habilidade rara e importante, pode ganhar um salário maior, receber bônus para entrar ou ficar na empresa, ou ter chances de crescimento diferenciadas.
Mas isso não significa que o salário fixo vai aumentar para sempre. Se uma habilidade rara for temporária, a empresa pode dar bônus ou outros incentivos. Saliby diz: "O que é raro hoje pode não ser amanhã. Uma tecnologia importante agora pode ficar comum daqui a alguns anos. E os objetivos da empresa podem mudar".
Para o setor de RH, é preciso olhar além das pesquisas de salário e descobrir quais habilidades serão essenciais no futuro, quais são realmente difíceis de encontrar, quais podem ser treinadas dentro da empresa e em quais cargos a saída de um profissional seria um grande problema para o plano da empresa.
Quando o dinheiro é curto, decidir quem recebe mais vira uma escolha estratégica. Saliby conclui: "O desafio das empresas não é apenas pagar mais, mas saber para quem pagar, quanto pagar e de que forma".

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