20 de agosto de 2026

??ºC Tempo São Paulo - SP São Paulo - SP
??ºC Tempo Rio de Janeiro - RJ Rio de Janeiro - RJ
??ºC Tempo Salvador - BA Salvador - BA

Indígenas exigem participação real em COP da Desertificação

Geral Indigenas 20/08/2026 15:19 Rafael Cardoso, Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br

Povos tradicionais cobram participação efetiva nas negociações da COP17, rejeitando espaços apenas simbólicos e pleiteando influência direta sobre as decisões.

Indígenas de diferentes partes do mundo protestaram nesta quinta-feira (20) para serem incluídos nas negociações oficiais da COP17, que está sendo realizada em Ulaanbaatar, Mongólia.

Eles apontam que o espaço específico criado neste ano para reuniões dentro do evento, chamado Caucus Indígena e de Comunidades Tradicionais, é insuficiente pois é meramente simbólico e não permite uma participação significativa, plena e efetiva.

Kiara worth

A líder da Associação das Mulheres Indígenas Peules do Chade (AFPAT), Oumarou Ibrahim Hindou, cobrou que os governantes presentes na conferência respeitem mais os povos tradicionais. "Nossa participação não pode ser meramente simbólica. Estamos aqui para reivindicar nossa terra e nossos territórios. Queremos que nossos conhecimentos e nossos direitos sejam reconhecidos. Não haverá COP sem as pessoas da terra. Nós estamos prontos para lutar", disse Hindou.

"Nossa participação não pode ser meramente simbólica. Estamos aqui para reivindicar nossa terra e nossos territórios. Queremos que nossos conhecimentos e nossos direitos sejam reconhecidos. Não haverá COP sem as pessoas da terra. Nós estamos prontos para lutar", disse Hindou.

As manifestantes também solicitaram que a agenda oficial inclua temas sobre gênero e participação social. Ambos foram excluídos a pedido dos Estados Unidos. É preciso consenso entre as 197 partes da convenção para que o documento seja aprovado, definindo o que será negociado pelos governos.

A líder Quechua Sonia Astuhuamán Pardave defende que os povos indígenas são os principais guardiões da natureza e não podem ser excluídos de decisões que afetam diretamente suas vidas. Representamos comunidades inteiras e temos a chave para a solução da crise da terra e da crise climática, afirmou Pardave.

"O que será do planeta se deixarmos destruir tudo Quando não tivermos mais água e a terra estiver seca, como vão viver nossas crianças, plantas e animais", concluiu.

Declaração de Ulaanbaatar

Também foi publicada nesta quinta-feira a Declaração de Ulaanbaatar: Apelo à Ação Global de Povos Pastoris e Indígenas. O documento destaca que essas comunidades são fundamentais para a conservação da biodiversidade, a segurança alimentar e a gestão sustentável de áreas de pastagem, rejeitando a ideia de que o pastoreio é uma atividade atrasada ou responsável pela desertificação.

Entre as principais reivindicações estão o reconhecimento dos direitos territoriais e da mobilidade como estratégia de adaptação às mudanças climáticas. O texto afirma que essas populações estão entre as mais afetadas pelo aquecimento global, apesar de sua baixa contribuição para as emissões, e pede acesso direto a recursos para adaptação, preparação para secas e fortalecimento da resiliência.

A declaração cobra mudanças no acesso a financiamento, com recursos diretos, flexíveis e sem intermediários quando as comunidades não desejarem, além da criação de mecanismos específicos para iniciativas lideradas por povos pastoris. Propõem fundos dedicados à restauração de pastagens, adaptação climática, conservação da biodiversidade, segurança alimentar, saúde e educação.

Ao final, os participantes pedem que a Declaração de Ulaanbaatar seja incorporada aos resultados oficiais da COP17 e anunciam a realização de um novo encontro global de povos pastoris e indígenas em 2030.

*O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD).

Relacionadas

Sociedade civil rejeita agenda excludente aprovada no início da COP17