Especialista da FEBRASGO explica que a perda de um bebê durante a gravidez pode causar luto profundo e aumentar o risco de depressão e ansiedade se não houver acolhimento.
O Setembro Amarelo é uma campanha sobre saúde mental, mas pouco se fala sobre a dor de mulheres que perdem um bebê na gravidez. Um aborto espontâneo ou a morte do feto pode causar um luto muito forte, afetando a saúde física e emocional da mãe.
O Dr. Romulo Negrini, especialista da FEBRASGO (Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia), explica que a perda gestacional é um evento traumático que precisa de acolhimento e cuidado especial. Ele diz que, em qualquer fase da gravidez, a perda pode trazer tristeza profunda, vazio, culpa, ansiedade, dificuldade para dormir e falta de interesse. Sofrer nesse momento é normal e não significa que a mulher tem uma doença mental.
- Perder um bebê pode causar um luto profundo, mesmo no início da gravidez.
- Sintomas como tristeza, culpa, ansiedade e insônia são comuns após a perda.
- Mulheres com histórico de problemas emocionais têm mais risco de sofrer com depressão e estresse pós-traumático.
- O apoio psicológico é essencial para ajudar a mulher a superar o luto.
- Uma equipe com médicos, psicólogos e outros profissionais ajuda na recuperação completa.
Quando o bebê morre no final da gravidez, o impacto é ainda maior. A família já criou vínculo, fez exames, preparou o enxoval e contou para todo mundo. Além da perda do bebê, perde-se também um plano de vida.
A maioria das mulheres consegue superar com o tempo, principalmente com apoio. Mas algumas podem ter depressão, ansiedade, estresse pós-traumático ou luto prolongado. O risco é maior para quem já teve problemas emocionais, perdas anteriores, dificuldade para engravidar, falta de apoio ou passou por situações difíceis no atendimento.
Segundo o especialista, toda mulher que perde um bebê pode se beneficiar de acompanhamento psicológico. Mas alguns sinais mostram que é preciso procurar um profissional.
Esses sinais incluem tristeza intensa por várias semanas, não conseguir voltar à rotina, se isolar, crises de ansiedade ou pânico, insônia persistente, culpa excessiva, sensação de fracasso, lembranças frequentes da perda, pesadelos e pensamentos de morte ou vontade de não viver.
Identificar esses sinais cedo ajuda a tratar antes que o problema vire algo grave. O acompanhamento psicológico não é só tratamento, mas parte da recuperação completa da mulher.
O médico também destaca a importância da equipe de saúde. Uma comunicação clara e respeitosa, cuidar da privacidade e tirar dúvidas ajudam a reduzir o sofrimento.
Tanto o aborto espontâneo quanto a morte fetal merecem respeito. No aborto, muitas mulheres sofrem um "luto não reconhecido", porque a gravidez não era visível ou não tinha sido anunciada, e a dor não é entendida pelos outros.
Já na morte fetal, após 20 semanas, a mulher enfrenta desafios como passar pelo parto, ter o puerpério sem o bebê, lidar com a descida do leite e voltar para casa sem o filho.
O sofrimento não se mede pela idade da gestação. Cada mulher vive a perda de um jeito, influenciada pela sua história e pelo ambiente.
Recuperação exige cuidado multiprofissional
A recuperação após a perda não é só física. É preciso acompanhamento de vários profissionais para ajudar na parte emocional e dar segurança em futuras gestações.
O ginecologista cuida da recuperação física e orienta sobre nova gravidez; o psicólogo ajuda a lidar com o luto; o psiquiatra trata depressão, ansiedade e estresse, se necessário. Outros profissionais, como enfermeiros e assistentes sociais, também podem ajudar.
O acompanhamento em equipe fortalece a recuperação da mulher e do casal, reduz o risco de problemas emocionais e permite que futuras gestações sejam mais seguras e confiantes, conclui Dr. Romulo.

Saude (IA)


