20 de agosto de 2026

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Dados ajudam empresas a decidir onde investir em qualidade de software

Geral Dados 20/08/2026 11:00 Aline Bucelli Ferreira (Prime Control)

Pesquisa mostra que 43% das empresas já usam IA em qualidade de software, mas poucas conseguem escalar. Entenda como dados integrados podem guiar investimentos e melhorar resultados.

O cenário atual

A forma como as empresas investem em qualidade de software está mudando. Segundo o World Quality Report 2025-26, 43% das organizações já usam inteligência artificial generativa em engenharia de qualidade, mas apenas 15% conseguem usar isso em grande escala. Os principais desafios são: 67% citam riscos com privacidade de dados, 64% têm dificuldade de integrar as soluções, e 50% reclamam da falta de qualificação das equipes. Estudos do DORA mostram que métricas de entrega e estabilidade são fortes indicadores de desempenho. Isso mostra que qualidade não é só uma questão técnica, mas está ligada diretamente aos resultados do negócio.

Essa mudança é estrutural. O mercado está tratando qualidade cada vez menos como uma etapa isolada de testes e mais como parte da estratégia de engenharia, confiabilidade e experiência digital. O foco deixa de ser a quantidade de testes e passa para o impacto real no negócio. Em outras palavras, não basta testar mais, é preciso testar melhor, usando dados que conectem tecnologia e resultado.

  • 43% das empresas já testam IA em qualidade de software, mas só 15% conseguem usar em larga escala.
  • Os principais desafios são privacidade dos dados, integração e falta de qualificação das equipes.
  • Métricas como lead time, frequência de deploy e taxa de falhas ajudam a medir a qualidade.
  • Dados integrados permitem priorizar automação nas áreas mais críticas e evitar desperdício.
  • Qualidade deixa de ser custo e passa a proteger a receita e reduzir prejuízos.

A evolução das métricas

Para isso, a medição de qualidade precisa evoluir. Indicadores isolados já não refletem a complexidade das operações digitais. É preciso combinar métricas de entrega, estabilidade, experiência do usuário, eficiência operacional e risco. Entram na análise indicadores como taxa de falha de mudanças, tempo de recuperação, lead time para mudanças, frequência de deploy, retrabalho, volume de defeitos por criticidade, reincidência de falhas, cobertura de testes em jornadas críticas, taxa de automação útil e incidentes em produção. Quando analisados em conjunto, esses dados oferecem uma visão mais estratégica.

No nível executivo, essa leitura ganha força quando organizada em três camadas. A primeira é a saúde operacional, que inclui falhas na produção, disponibilidade e impacto de incidentes. A segunda é a eficiência do fluxo, com foco em lead time, throughput, retrabalho e produtividade da automação. A terceira conecta qualidade ao resultado de negócio, relacionando falhas com abandono de jornada, conversão, chamados, perda de receita e aumento de custo de suporte. É nesse ponto que a qualidade deixa de ser vista como centro de custo e passa a ser entendida como mecanismo de proteção de receita e margem.

O problema da fragmentação

Apesar desse avanço, muitas empresas enfrentam um problema recorrente. Os dados existem, mas estão fragmentados. Desenvolvimento mede entrega, QA mede defeitos, operação mede incidentes e o negócio mede resultado. Sem integração, não há visão de causa raiz, apenas leitura de sintomas. Isso leva a decisões baseadas em percepção, foco em métricas de esforço em vez de impacto e ausência de priorização por criticidade. O resultado é um ciclo reativo, em que se corrige tarde e se investe de forma ineficiente.

A virada com dados correlacionados

A virada ocorre quando esses dados passam a ser correlacionados. Ao conectar informações de desenvolvimento, produção e operação, a empresa consegue responder perguntas que realmente importam. Qual mudança gerou aumento de erro e queda de conversão Que tipo de falha está elevando o volume de chamados e o custo operacional Onde o retrabalho está consumindo margem sem gerar valor A partir das respostas, qualidade deixa de ser um indicador técnico e passa a ser traduzida em números de negócio, como receita protegida, custo evitado e eficiência operacional.

Nova lógica de investimento

Trata-se de uma abordagem que muda completamente a lógica de investimento. Sai o modelo baseado em aumento genérico de testes e entra uma estratégia orientada a risco e impacto. Com dados integrados, é possível priorizar automação nas jornadas mais críticas, identificar rapidamente onde investir ou reduzir esforços e antecipar falhas com base em padrões históricos. A tomada de decisão se torna mais rápida, mais precisa e menos dependente de suposições.

Resultados práticos

Na prática, os resultados surgem de forma concreta. Empresas conseguem identificar quando uma nova versão impacta negativamente uma jornada crítica, como pagamento ou login, e agir rapidamente para evitar perda de receita. Ao cruzar dados de produção com atendimento, descobrem quais falhas geram maior volume de chamados e reduzem custos ao corrigir problemas estruturais. Também passam a direcionar investimentos em automação para áreas de maior risco, evitando desperdício de esforço e aumentando o retorno. Além disso, a análise histórica permite identificar padrões de falha e atuar de forma preventiva, reduzindo incidentes antes que afetem o cliente.

Conclusão

O ponto central é que o valor não está em coletar dados, mas em conectá-los para explicar o porquê dos problemas. Quando isso acontece, a qualidade deixa de ser uma função operacional e passa a atuar como inteligência de decisão. O impacto é direto, com menos prejuízo, menos desperdício e investimentos muito mais assertivos em um ambiente em que eficiência e velocidade são determinantes para o resultado do negócio.