Entenda como a nova regra pode fazer sua empresa pagar mais impostos se não separar a venda do financiamento.
Empresas que vendem com prazos longos podem estar pagando impostos errados. Isso porque os juros que cobram pelo parcelamento são tratados como parte do preço da mercadoria, mas na verdade são uma receita financeira. Com a nova Reforma Tributária, essa diferença ficou mais importante e pode afetar a competitividade das empresas.
Veja um exemplo: um produto custa R$ 1.000 à vista, mas R$ 1.500 se for parcelado. A diferença de R$ 500 é o juro que a empresa cobra pelo prazo. Se a empresa considerar esses R$ 500 como parte do preço, ela pagará imposto de mercadoria sobre eles, mesmo sendo uma receita financeira.
- A Reforma Tributária vai mudar a forma como os impostos são cobrados no Brasil.
- Os juros de parcelamento podem ser tributados como se fossem mercadoria, aumentando o imposto.
- Empresas que vendem parcelado precisam separar a venda do financiamento para pagar menos impostos.
- A diferença na alíquota pode chegar a 18 pontos percentuais.
- A Bankme ajuda empresas a estruturar melhor suas operações de crédito.
Segundo André Bravo, advogado e sócio da Bankme, o empresário está pagando imposto de mercadoria sobre uma receita que é financeira. Ele explica que o prazo dado ao cliente tem um custo de capital, e se for tributado de forma errada, reduz o lucro. A questão é entender quem está financiando a operação.
A Reforma Tributária, aprovada pela Lei Complementar 214/2025, criou um regime especial para serviços financeiros, incluindo crédito. Para operações financeiras, a alíquota de referência em 2027 e 2028 será de 10,85%, enquanto a alíquota do novo IVA sobre consumo será de cerca de 26,5%. Esses números ainda podem mudar.
Na prática, a diferença entre os dois regimes pode fazer com que a empresa decida melhor sobre dar prazos de pagamento. Se a empresa financia seus clientes com dinheiro próprio, ela fica com dinheiro parado nos recebíveis. Quanto maior o prazo, maior o impacto no caixa.
Vamos imaginar uma empresa que fatura R$ 100 milhões por ano. Se 15% disso vier dos juros embutidos, são R$ 15 milhões. Com uma diferença de 18 pontos percentuais na alíquota, a empresa pode estar pagando R$ 2,7 milhões a mais de impostos. Esse dinheiro poderia ficar com a empresa.
A Bankme é uma fintech que ajuda empresas a estruturar suas operações de crédito, transformando recebíveis em liquidez. Ela oferece soluções para a empresa não depender só do caixa próprio ou de bancos tradicionais.
André explica que a pergunta certa não é quanto custa vender parcelado, mas quanto custa financiar o cliente. São coisas diferentes. Quando o empresário entende isso, ele vê que margem, impostos, capital de giro e crédito estão ligados.
A lei já diferencia venda a prazo de financiamento. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu que os juros não devem ser tributados como mercadoria. A natureza da operação é o que define o imposto.
Com a Reforma, isso ficou ainda mais importante, porque agora há um tratamento específico para operações financeiras. As empresas precisam avaliar se estão financiando os clientes com recursos próprios ou se devem criar uma estrutura separada.
André afirma que a Reforma não criou o problema, mas tornou mais caro ignorá-lo. A diferença entre mercadoria e prazo já existia, mas agora fica mais evidente.
Para empresas de médio e grande porte, o efeito vai além dos impostos. O dinheiro parado em contas a receber poderia ser usado para estoque, expansão ou capital de giro. Estruturar o crédito separado da venda pode ajudar a preservar o caixa.
André ressalta que capital parado em recebíveis não trabalha para a empresa. Ao estruturar bem o financiamento, a empresa consegue separar a venda da necessidade de capital e tomar decisões melhores.
Para André, é importante se preparar antes que a Reforma seja totalmente implementada. Quem começar agora pode olhar para toda a operação e ter uma vantagem competitiva.
Sobre a Bankme
A Bankme é uma techfin que apoia médias empresas na superação dos desafios de crédito e gestão de caixa. Por meio da estruturação de soluções ágeis, viabilizadas a partir da sua plataforma tecnológica proprietária e criação de securitizadoras próprias para cada empresa, que podem antecipar recebíveis, alongar prazos, tomar capital de giro e rentabilizar capital ocioso com maior autonomia, utilizando recursos dos próprios sócios, de investidores privados e da própria Bankme. Em poucos dias, essas organizações passam a operar com maior eficiência financeira e tributária, reduzindo custos e criando novas fontes de receita. Atualmente, a Bankme possui em seu quadro de investidores a DOMO VC.

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