O Brasil está com mais acidentes com aranha-marrom. Pesquisadora com 30 anos de estudo ensina formas práticas de evitar picadas e conviver com o animal.
O Brasil está com aumento de acidentes com animais venenosos. Segundo o Ministério da Saúde, em 2025 houve 265 mortes, o dobro do ano anterior, e mais de 225 mil acidentes, principalmente por escorpiões, cobras e aranhas. A aranha-marrom é uma delas, com destaque no Sul do país, e Curitiba é uma das cidades com mais casos.
Depois de mais de 30 anos estudando a aranha-marrom, os cientistas descobriram que ela é tão comum em Curitiba não por causa de um só motivo, mas por uma combinação do jeito que ela vive com o modo como as cidades são feitas. Hoje, a aranha pode ser achada em quase todo o Brasil. O que mudou nesses 30 anos Por que todo esse estudo não reduziu os acidentes As pessoas estão mais preparadas ou com mais medo do que antes
- A aranha-marrom é muito comum no Sul, principalmente em Curitiba.
- Ela prefere lugares escuros e escondidos, como caixas e roupas.
- Inseticidas não são eficientes e podem aumentar o risco.
- Manter a casa limpa e arejada é a melhor prevenção.
- Em caso de picada, lave com água e sabão e procure um médico.
Parte do problema é a falta de informação, que causa um fenômeno chamado 'biofobia', que é o medo irracional da natureza. Esse medo atrapalha a prevenção e o controle. Por muito tempo, as pessoas reagiram à aranha usando inseticida em casa ou matando qualquer aranha que achavam, geralmente com chinelo, achando que era o jeito mais fácil e sem consequências.
Mas pesquisas mostram que muitos inseticidas não funcionam bem contra essa aranha e até pioram a situação. Eles matam os predadores naturais e deixam as aranhas mais agitadas, aumentando a chance de contato. Então, o que parece resolver, acaba piorando.
Manejo ambiental
A prevenção eficaz tem três pontos importantes. O primeiro é o manejo ambiental. A aranha-marrom gosta de lugares escuros, secos e quietos, como caixas de papelão, quadros, roupas amontoadas, forros, sótãos e entulho. O jeito é eliminar esses esconderijos, manter a casa limpa e arejada, fechar frestas, rebocar paredes de tijolos aparentes e não deixar objetos encostados na parede. Antes de usar roupas, toalhas e sapatos, verifique, principalmente se ficaram guardados muito tempo. Cortinas, lençóis e cobertores não devem tocar o chão. Limpar sempre é uma das melhores medidas.
Controle biológico
O segundo ponto é o controle biológico. A aranha-marrom não é a mais agressiva nem a mais venenosa. Ela se espalha porque não tem muitos competidores naturais. Pesquisas da PUCPR mostraram que casas com menos tipos de aranha têm mais aranha-marrom. Então, animais que as pessoas matam, como a aranha-treme-treme, a aranha-vermelha e as lagartixas, na verdade ajudam a controlar a aranha-marrom. Matar esses bichos pode fazer a aranha-marrom aumentar. Experimentos mostraram que a aranha-treme-treme é eficaz, mas é preciso convencer as pessoas a não matá-la.
Comportamento no dia a dia
O terceiro ponto é o comportamento no dia a dia. A aranha-marrom é noturna e gosta de lugares quietos. Pequenas mudanças ajudam: acender a luz antes de entrar em um cômodo, usar luvas para mexer em coisas guardadas e nunca colocar as mãos em buracos ou caixas sem olhar. Se for picado, lave com água e sabão e vá ao médico na hora. Não usar remédios caseiros. Em dúvida, ligue para o CIATox no 0800 722 6001 (Curitiba: 0800 041 0148). Conheça os protocolos da sua região.
O combate aos acidentes não é só com biologia, mas também com educação ambiental e comunicação científica. O medo exagerado, muitas vezes criado por notícias sensacionalistas, atrapalha a prevenção. As pessoas esqueceram como lidar com a natureza e, em cidades sem natureza, não sabem identificar riscos. É preciso reeducar a população. Entender a aranha-marrom é o primeiro passo para trocar a 'cultura de matar' por estratégias de convivência.
No começo, a pergunta era: 'como acabar com a aranha-marrom'. Mas a pesquisa seguiu outro caminho: 'quem é ela'. O estigma de vilã não é justo com a realidade biológica desses animais.

Marta Luciane Fischer


