19 de agosto de 2026

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Estudantes criam mais de 200 ações para combater mudanças climáticas

Geral Clima 19/08/2026 15:11 Aline Anile (Assessoria de imprensa Maristas no Brasil)

Projeto Marista ensina crianças e adolescentes a transformar preocupação com o clima em atitudes práticas.

Entre 2013 e 2025, desastres ambientais no Brasil causaram R$ 785,4 bilhões em prejuízos. Os dados, divulgados em 2026 pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), mostram que 95,1% das cidades brasileiras foram afetadas, com impactos em moradias, estradas, escolas, hospitais, comércio e milhões de pessoas. Com o aumento de eventos extremos como o El Niño, que provoca tempestades, secas, ondas de calor e incêndios, é essencial que as cidades e a sociedade estejam mais preparadas.

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o estresse pós-traumático, a ansiedade e a perda de memória causadas pelo calor extremo afetam o desenvolvimento de crianças e adolescentes. Por isso, a resposta educacional tem sido colocar os estudantes no centro do debate. Para reduzir esses danos, é preciso agir antes, durante e depois do desastre. Isso envolve educação sobre o clima, mapeamento de riscos, alertas fáceis de entender, simulados, escolas preparadas, proteção das famílias, espaços seguros em abrigos, continuidade das aulas, atendimento de saúde e apoio psicológico de longo prazo, diz Keles Gonçalves de Lima, coordenador de evangelização do Marista Brasil e doutor em Educação.

  • O Observatório Marista do Clima já envolve mais de 700 alunos e professores.
  • Mais de 220 ações climáticas foram propostas em 2025.
  • 88 instituições participaram do projeto.
  • 42.448 pessoas participaram diretamente das ações.
  • O objetivo é transformar preocupação em ação concreta.

Com o Observatório Marista do Clima, em vez de apenas receber notícias que geram medo e ansiedade, crianças e adolescentes de diferentes regiões do Brasil aprendem sobre o clima de forma prática. Mais de 700 alunos e professores investigam problemas reais de seus bairros, participam de simulações da COP e criam soluções como gestão de resíduos e hortas agroecológicas. Em 2025, 88 instituições participaram, com mais de 220 ações climáticas e 42.448 participantes diretos.

Keles explica que, como as mudanças climáticas são permanentes, o Observatório prepara as comunidades para diferentes situações. O projeto trabalha com quatro áreas: conhecimento científico, adaptação, mitigação e comunicação. Isso inclui entender os riscos de desastres e preservar a vida, afirma.

Os jovens não são apenas ouvintes. Eles investigam problemas de seus bairros, representam países em simulações da COP, propõem e realizam ações como economia de água e energia, gestão de resíduos, hortas agroecológicas e criação de soluções sustentáveis. O objetivo é transformar a preocupação com o clima em conhecimento, participação e ação, evitando a indiferença e o medo.

Semeando a mudança

Um dos projetos é o Desperdiçômetro, criado para reduzir o desperdício de comida no refeitório. O Marista Escola Social Ecológica, em Almirante Tamandaré (PR), passou a pesar os restos de comida todos os dias e mostrar os números em um mural. A escola também organizou palestras, oficinas sobre porções e uso completo dos alimentos, e campanhas de conscientização.

O projeto criou um ciclo sustentável: os restos orgânicos vão para uma composteira, que vira adubo para a horta da escola. A horta fornece vegetais frescos para a cozinha. Sementes, folhas e cascas também são usadas para alimentar as ovelhas do local.

Os resultados foram positivos: menos comida desperdiçada, alunos mais conscientes sobre a alimentação, participação das famílias, economia para a escola e a valorização do alimento como algo essencial.

No Marista Escola Social Robru, em São Paulo (SP), o projeto Fraternidade e Ecologia Integral criou uma horta. As crianças estudaram o solo, construíram canteiros e montaram uma estufa. A horta virou parte do currículo, unindo agroecologia, permacultura e conscientização.

Cuidar das crianças e adolescentes diante das mudanças climáticas é reconhecê-los como prioridade, mas também como pessoas capazes de ajudar a construir comunidades mais preparadas e solidárias, finaliza Lima.

Escola como ponto de apoio para tragédias climáticas

A tragédia climática do Rio Grande do Sul em 2024 mudou a forma como as escolas e instituições se preparam. Antes, as enchentes eram vistas como algo passageiro; agora, são parte da rotina. Não podemos tratar eventos extremos como exceções. Precisamos incluir prevenção, adaptação e cuidado com os mais vulneráveis nas nossas ações, avalia Keles.

Com o El Niño e outras ameaças, os projetos mostram a importância de planos de emergência específicos para cada região. Cada unidade está exposta a riscos diferentes, como enchentes, deslizamentos, secas, incêndios ou ondas de calor. Por isso, os planos devem considerar os alertas oficiais, as orientações da Defesa Civil e as responsabilidades das escolas e prefeituras, afirma Lima.

Keles ressalta que o Plano de Contingência é responsabilidade do governo. A escola não substitui a Defesa Civil, mas pode ajudar com educação climática, mobilização da comunidade, conhecimento do território e participação dos jovens. Um próximo passo é integrar as ações do Observatório aos planos municipais de prevenção, destaca.

Sobre os Maristas no Brasil

Os Maristas no Brasil fazem parte de uma rede global presente em mais de 80 países. Há 129 anos no país, atuam em 94 cidades, em 25 estados e no Distrito Federal. São 97 escolas, 34 unidades sociais, universidades como PUCRS, PUCPR e Católica de Santa Catarina, hospitais e editoras. As áreas de atuação incluem Educação, Saúde, Editoras, Ensino Superior e Centros de Defesa, sempre promovendo direitos humanos e cuidado com o meio ambiente.