18 de agosto de 2026

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Companhia das Rosas apresenta espetáculo para bebês na Vila Leopoldina

Geral Teatro 18/08/2026 17:17 Adriana Balsanelli

A Companhia das Rosas estreia nova obra teatral para bebês e primeiras infâncias, centrada na construção dos primeiros vínculos, desde a gestação até as descobertas iniciais do mundo exterior. Esse-Outro tem música original e um cenário de bambus que se transforma e foi criado nesta primeira parceria com a Clarice Cardell, diretora do espetáculo, que possui mais de duas décadas de pesquisa voltada à arte para a primeira infância.

A Companhia das Rosas parte dos primeiros vínculos, da experiência de acolhimento no ventre à descoberta do outro e do mundo exterior, para criar Esse-Outro, espetáculo de teatro para bebês apresentado nos dias 22, 23, 29 e 30 de agosto, no Espaço Chiquita, na Vila Leopoldina.

  • O que: espetáculo de teatro para bebês chamado Esse-Outro, da Companhia das Rosas, com direção de Clarice Cardell.
  • Quando: dias 22, 23, 29 e 30 de agosto, sábados às 15h e domingos às 11h.
  • Onde: Espaço Chiquita, na Rua Cel. Domingos Ramos, 54, Vila Leopoldina, São Paulo.
  • Ingresso: R$ 40 (preço promocional), classificação livre, duração de 45 minutos.
  • Destaque: os bebês poderão explorar o cenário de bambus após o espetáculo, em uma experiência sensorial.

A montagem aposta na comunicação por gestos, sons, movimentos acrobáticos e em um cenário de bambus que se transforma ao longo da apresentação. A trilha original reúne percussão corporal, marimba, cello, violão, vozes e sons produzidos com o próprio bambu.

A direção é de Clarice Cardell, que há mais de duas décadas pesquisa arte para a primeira infância e desenvolveu parte de sua trajetória na Espanha. Em cena estão as atrizes-circenses Erica Stoppel e Luara Bolandini, criadoras da Companhia das Rosas.

Na trama, dois seres que chegam ao mundo se relacionam entre si e com o espaço, se movem com fluidez acrobática e constroem uma narrativa não verbal por meio da linguagem gestual, sonora e visual. Elas são duas personagens que se aproximam, se espelham, se estranham e brincam, revelando as delicadas transformações dos vínculos humanos nos primeiros anos de vida. A obra investiga, de forma poética e sensível, os primeiros encontros entre o eu e o outro: da experiência de fusão e acolhimento no ventre à descoberta do mundo exterior e dos primeiros movimentos de separação afetiva.

'A questão do outro, dessa construção do processo identitário, que sempre passa por esse espelhamento do outro, foi um dos caminhos da pesquisa. É um espetáculo plástico. Ele é feito para os bebês, mas também para os adultos que os acompanham. A história fala basicamente desse processo de encontros e desencontros, que é a própria vida', ressalta a diretora Clarice Cardell.

O cenário é uma estrutura-casa em forma de pirâmide dupla de bambu, que se transforma continuamente ao longo da peça, criando paisagens de abrigo, passagem e descoberta. Em constante transformação, o espaço cênico traduz a passagem do interior para o exterior, refletindo o processo de descoberta, apropriação e recriação do mundo ao redor. Os figurinos representam dois seres em formação, sem definições de gênero ou identidade fixa.

A trilha sonora original reúne percussões corporais, marimba, cello, violão, timbres produzidos com o bambu e arranjos vocais que ajudam a criar uma experiência imersiva que dialoga diretamente com a escuta e a imaginação dos bebês. A música constrói atmosferas, acompanha jogos e emoções das personagens e joga com a ideia de repetição e variação com um tema musical central chamado Esse-Outro. Este tema evoca a relação entre mãe e filho, reaparecendo ao longo da narrativa em momentos chave de significados. A narrativa se constrói junto às informações que a música traz, os silêncios e as expressões sonoras das personagens. Ao final do espetáculo, o público é convidado a entrar no espaço cênico e interagir com os objetos de bambu, prolongando a experiência estética por meio do toque, da exploração e da brincadeira compartilhada.

O encontro entre a Companhia das Rosas e a diretora Clarice Cardell consolidou afinidades que já vinham sendo desenvolvidas pelas artistas em suas pesquisas sobre a primeira infância. 'Sempre buscamos uma comunicação profunda com os bebês, baseada na presença e na verdade do encontro. Compartilhamos da ideia de que os bebês nascem com capacidades expandidas de percepção do mundo e são capazes de se conectar com universos poéticos de modo muito profundo. Foi muito libertador perceber que compartilhamos dessas e outras ideias sobre a magnitude do ser humano na infância', enfatiza Erica Stoppel.

A atriz Luara Bolandini também comentou o resultado dessa conexão. 'Na criação de Esse-Outro, fomos em busca de sentimentos próprios e muito verdadeiros. No encontro com a Clarice potencializamos nossa forma de comunicar sem palavras e explorar a dramaticidade no gesto, seja ele teatral ou acrobático. Apostamos em uma linguagem que prima por uma desaceleração do tempo e convida bebês e adultos à experiência sensível de contemplação compartilhada.

Com mais de duas décadas de pesquisa voltada à arte para a primeira infância, Clarice Cardell (Cia Primeiro Olhar) iniciou essa trajetória na Espanha, onde fundou a companhia La Casa Incierta, referência internacional no teatro para bebês e responsável pela criação de 11 espetáculos apresentados em diversos países. De volta ao Brasil, passou a dirigir o Festival Primeiro Olhar e fundou a BebeLume, produtora dedicada ao desenvolvimento de filmes e conteúdos artísticos para a primeira infância, ampliando sua atuação para o audiovisual e a formação de educadores.

'Fazer teatro para bebês é, antes de tudo, um ato político. É reivindicar o ser humano em outra dimensão, longe desse olhar adultocêntrico que acredita que a criança é uma página em branco. Temos muito mais a aprender com as crianças do que algo a ensinar a elas. Acredito que a arte para a primeira infância é, antes de tudo, um reconhecimento da potência dos bebês como espectadores', finaliza a diretora.

A Companhia das Rosas nasceu em 2017, a partir de uma pesquisa de Erica Stoppel e Luara Bolandini, centrada na relação entre a arte circense, o teatro de bonecos e a necessidade de dialogar com as crianças e dar voz às questões da infância.