18 de agosto de 2026

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A carreira das mulheres depende da paternidade ativa

Geral Paternidade 18/08/2026 16:21 Assessoria de imprensa da CKZ Diversidade

As mulheres ainda cuidam sozinhas da casa e dos filhos, o que prejudica suas carreiras. Dividir essas tarefas com os pais pode melhorar a igualdade no trabalho.

Enquanto empresas estabelecem metas para aumentar a presença de mulheres na liderança, reduzir diferenças salariais e criar programas de desenvolvimento para mulheres, uma parte importante dessa discussão ainda está fora do ambiente corporativo: a divisão das responsabilidades com a casa e os filhos.

No Brasil, as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais aos cuidados de pessoas e afazeres domésticos, contra 11,7 horas dos homens, segundo dados do IBGE. Isso significa que as mulheres trabalham quase dez horas a mais por semana sem receber por isso.

Resumo rápido:

  • As mulheres gastam quase o dobro do tempo dos homens com tarefas de casa e cuidados.
  • Essa desigualdade atrapalha a carreira feminina.
  • Dividir as tarefas com os pais pode melhorar a igualdade no trabalho.
  • A licença-paternidade é curta no Brasil: apenas 5 dias.
  • Na Islândia, pais e mães têm 6 meses de licença cada um.

Quando parentalidade ainda significa maternidade

A desigualdade também aparece nos espaços de poder. No Brasil, as mulheres ocupam apenas 15,9% dos assentos em conselhos de administração, segundo a Deloitte. E a remuneração média das mulheres é 20,9% menor do que a dos homens, conforme o Ministério do Trabalho e Emprego.

Quando o cuidado com as crianças fica nas mãos das mulheres, isso reforça ideias que atrapalham contratações, promoções e desenvolvimento profissional.

A maternidade não deveria ser vista como um risco para a carreira. Mas enquanto as mulheres forem as únicas que se afastam do trabalho para levar os filhos ao médico ou reorganizar a agenda, esse preconceito continua. Quando homens e mulheres dividem essas responsabilidades, essa visão muda dentro das empresas, explica Cris Kerr.

Para a especialista, a parentalidade precisa deixar de ser tratada como sinônimo de maternidade.

Licença-paternidade é apenas o começo

Uma forma de estimular essa mudança é dar condições para que os homens exerçam a paternidade desde o nascimento dos filhos.

No Brasil, a licença-paternidade é de apenas 5 dias, podendo ser ampliada para 20 dias em empresas do Programa Empresa Cidadã. Para Cris Kerr, ampliar esse período não deve ser visto apenas como um benefício para os homens.

Enquanto as empresas tratarem maternidade e paternidade de formas completamente diferentes, continuarão reforçando a ideia de que cuidar das crianças é tarefa das mulheres. Quando um homem também pode se afastar para cuidar do filho, começamos a desconstruir essa associação.

Os primeiros meses após o nascimento são de adaptação para toda a família. A presença do pai fortalece o vínculo com o bebê, permite que ele participe da nova rotina e ajuda a dividir o cuidado desde o início. Não é o pai ajudar a mãe, mas exercer plenamente a paternidade.

O exemplo da Islândia

Desde 2000, a Islândia adotou um novo modelo de licença parental. Hoje, são 12 meses totais para cada nascimento ou adoção. Cada progenitor tem direito a 6 meses, e apenas 6 semanas podem ser transferidas para o outro. Assim, mães e pais participam juntos desde o início.

Esse é um dos grandes aprendizados. Quando há licença para os pais, a sociedade deixa de tratá-lo como ajudante e o reconhece como corresponsável. Isso muda a dinâmica em casa e também a percepção no mercado de trabalho, afirma Cris.

A mudança cultural começou cedo: em 1975, cerca de 90% das mulheres islandesas pararam de trabalhar e de cuidar da casa por um dia para mostrar a importância do trabalho não remunerado. Muitos homens tiveram que vivenciar essa rotina, o que aumentou a consciência sobre o esforço que ela exige.

Paternidade ativa vai além da licença

A corresponsabilidade não termina nos primeiros meses. Consultas médicas, reuniões escolares, atividades, alimentação e cuidados quando as crianças ficam doentes fazem parte da rotina por muitos anos.

Quando essas responsabilidades são divididas de forma equilibrada, as mulheres não ficam sobrecarregadas e podem ter mais oportunidades na carreira.

Durante muito tempo naturalizamos que reunião de escola era com a mãe, pediatra era com a mãe, se a criança adoecia, era a mãe que faltava. Precisamos mudar isso. Cuidar não tem gênero.

Essa mudança também melhora a liderança masculina. Quando os homens exercem a paternidade, entram em contato com cuidado, escuta e vulnerabilidade, e isso reflete na forma como lideram suas equipes, diz Cris.

Não é sobre culpa, é sobre responsabilidade

Movimentos como o CoPai ajudam a envolver os homens na parentalidade ativa e a questionar modelos culturais que colocam o cuidado nas mulheres.

Não queremos culpar os homens pelo passado. Queremos ampliar a consciência sobre o papel deles daqui para frente. Se queremos mais mulheres na liderança, precisamos olhar para as estruturas que tornam a trajetória desigual.

Políticas de parentalidade, flexibilidade e incentivo à corresponsabilidade são importantes, mas precisam vir acompanhadas de mudança cultural. Não adianta oferecer licença-paternidade ampliada se os homens têm medo de usar por causa da imagem profissional.

As políticas criam condições, mas é a cultura que decide se as pessoas se sentem seguras para usá-las. A equidade de gênero não é responsabilidade só das mulheres. Os homens precisam participar dessa transformação.

Homens como agentes de transformação

Para ampliar esse diálogo, a CKZ Diversidade vai realizar, no dia 31 de agosto, em São Paulo, a 4ª edição do Fórum Agentes de Transformação Conversando com os Homens sobre DIEP.

O encontro vai reunir lideranças para discutir o papel dos homens na construção de ambientes mais diversos, inclusivos e equitativos.

Grandes transformações começam com uma conversa. Quando ampliamos a consciência, despertamos responsabilidades e inspiramos ações. Uma liderança muda, uma equipe muda, uma cultura muda, conclui Cris Kerr.