Mulheres que sofrem violência sexual devem procurar ajuda médica imediata para receber cuidados, prevenir doenças e gravidez, e ser encaminhadas à rede de proteção. Especialistas explicam como deve ser esse atendimento.
Mulheres que sofrem violência sexual devem procurar uma unidade de saúde o mais rápido possível. O atendimento imediato é fundamental para acolher, avaliar as condições clínicas e oferecer prevenção contra infecções sexualmente transmissíveis, HIV e gravidez. A orientação é do doutor Olímpio Barbosa de Moraes Filho, ginecologista e vice-presidente da região Nordeste da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Segundo ele, a mulher pode procurar o serviço de saúde mais próximo. Se a unidade não tiver estrutura para atender, ela deve ser encaminhada para um serviço especializado.
'A prioridade é cuidar da saúde da mulher, oferecendo assistência adequada, medicamentos preventivos e todas as orientações necessárias. Esse atendimento deve ser feito por profissionais capacitados, de forma acolhedora e sem julgamentos', afirma o médico.
Aqui estão 5 pontos importantes sobre o atendimento a vítimas de violência sexual:
- Procure ajuda imediatamente: quanto antes, melhor.
- Você tem direito a atendimento gratuito pelo SUS.
- São oferecidos remédios para prevenir HIV e outras infecções.
- Você pode solicitar acompanhamento psicológico e social.
- O sigilo e o respeito são garantidos por lei.
O serviço de saúde deve oferecer contracepção de emergência (pílula do dia seguinte), prevenção do HIV e outras infecções, além de apoio psicológico e assistência social. Também é preciso avaliar se a mulher corre risco imediato e se pode voltar para casa com segurança. Em alguns casos, pode ser preciso acionar a rede de proteção, buscar um abrigo ou encaminhar a paciente para outros serviços. Por isso, é importante que haja uma equipe integrada com psicólogos e assistentes sociais.
A forma como a mulher é recebida é essencial. O profissional deve ouvir com atenção, respeitar a individualidade, garantir sigilo e não minimizar o sofrimento. É importante chamá-la pelo nome, não usar diminutivos e não tentar suavizar o que ela viveu. O atendimento deve ser digno e respeitoso, focado nas necessidades de cada caso.
Algumas vítimas se sentem mais à vontade com médicas mulheres, mas o mais importante é que o profissional tenha uma postura de acolhimento e respeito. Quando possível, a presença de uma mulher pode trazer mais conforto, mas o essencial é a atitude do cuidador.
Além da saúde, a mulher pode buscar orientação pela Central de Atendimento à Mulher, telefone 180, que funciona 24 horas. Lá, ela recebe informações sobre seus direitos e sobre as formas de proteção. Em caso de perigo imediato, deve chamar a Polícia Militar pelo 190. Também pode procurar uma delegacia para registrar o boletim de ocorrência, respeitando o seu tempo e suas condições emocionais.
A Defensoria Pública também pode ajudar a pedir medidas protetivas e garantir outros direitos às mulheres vítimas de violência.
Um grande obstáculo é a cultura que culpa a vítima. Muitas mulheres se sentem culpadas pelo estupro, mas ninguém é responsável pela violência que sofre. A sociedade muitas vezes julga a roupa, o horário ou o comportamento da vítima, mas isso não justifica a agressão.
Para mudar essa realidade, é preciso investir em educação e promover a igualdade de gênero desde a escola. Homens e mulheres devem ter os mesmos direitos e poder ocupar os mesmos espaços com segurança e respeito.
Apesar dos avanços na lei e na rede de proteção, ainda há uma distância entre o que está garantido e o que acontece na prática. Os números de feminicídio e violência mostram que ainda temos muito a avançar. Construir uma sociedade com respeito e igualdade é um desafio para todos.

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