Rachel Soeiro, especialista em Ebola, alerta que a situação atual é mais grave que a de 2014 e pede que outros cuidados de saúde não sejam esquecidos.
Uma epidemia de Ebola está se espalhando de forma preocupante. Para impedir que continue avançando, é essencial que as comunidades atingidas participem ativamente das ações de prevenção e combate à doença. Segundo a dra. Rachel Soeiro, que trabalhou na Guiné durante a epidemia de 2014-2016, "se não temos a comunidade conosco, é impossível ter uma resposta adequada".
Rachel participou de uma conferência no Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (Medtrop) em Brasília, nesta terça-feira, para falar sobre os desafios de enfrentar o Ebola no campo.
- O Ebola é uma doença grave e altamente contagiosa.
- A epidemia atual ocorre na República Democrática do Congo (RDC).
- Quase 5 mil pessoas já foram infectadas e mais de 2.100 morreram.
- A confiança da comunidade é fundamental para controlar a doença.
- Não há vacinas ou tratamentos específicos para o vírus atual.
O cenário atual
A epidemia foi declarada em maio deste ano. Quase 5 mil pessoas já foram contaminadas, e mais de 2.184 mortes foram registradas. É a maior epidemia de Ebola já vista na RDC e avança mais rápido do que as anteriores.
A importância de manter outros serviços de saúde
A médica destacou que é preciso investir mais no combate ao Ebola, mas também é importante manter os serviços de saúde para outras doenças, para não criar uma crise dentro da crise.
Ela explicou que as necessidades de saúde não somem. Partos, vacinas, tratamento de tuberculose e HIV continuam sendo essenciais. Muitas vezes, os sintomas de malária se confundem com os do Ebola, e se a comunidade não entender isso, pode não procurar ajuda, deixando a doença se espalhar.
Desafios no combate
Rachel reforçou que as equipes de saúde precisam de treinamento e equipamentos de proteção para atender os pacientes com segurança.
O cenário atual é tão complicado quanto o de 2014. Não há vacinas nem tratamentos eficazes. Os estudos mostram que os imunizantes desenvolvidos na época podem não funcionar contra o vírus atual, chamado Bundibugyo. Além disso, os estoques existentes estão, em grande parte, sob controle dos EUA.
A região enfrenta conflitos armados, o que dificulta o acesso dos profissionais de saúde e dos pacientes aos serviços. Isso também dificulta o controle da doença.
Consequências da falta de investimento
Também não há testes rápidos para identificar o vírus. Isso atrasa o diagnóstico e o isolamento dos pacientes, favorecendo a transmissão.
Rachel acredita que a falta dessas ferramentas é resultado de pouco investimento em pesquisa após a epidemia de 2014. Ela defende que os estoques estejam prontos antes que os casos aconteçam, e que as pesquisas continuem.

Rachel Soeiro, médica de MSF, chamou a atenção para a necessidade de que mais recursos sejam destinados ao combate ao Ebola



