18 de agosto de 2026

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IA nas escolas: como a tecnologia pode ajudar (e atrapalhar) o ensino

Geral Educação 18/08/2026 10:57 Arthur V. F. Furtado (via LC Agência)

Especialista analisa os benefícios e riscos do uso de inteligência artificial na educação, alertando para a falta de infraestrutura nas escolas públicas.

Mary Shelley, uma das pioneiras da ficção científica, escreveu: Nada é tão doloroso para a mente humana quanto uma grande e repentina mudança. A frase ilustra o receio atual de que a inteligência artificial saia de controle, tomando empregos, substituindo relacionamentos e rebaixando o intelecto e a arte.

Na área da educação, na qual 56% dos docentes brasileiros já utilizam essa tecnologia (TALIS, 2024), ela é vista tanto com suspeita quanto com euforia. Por isso, é necessário ponderar eventuais potencialidades e ciladas a fim de evitar o pânico infundado e o usual modismo pedagógico.

Pontos-chave

  • 56% dos professores brasileiros já usam IA na educação.
  • IA pode ajudar na preparação de aulas e correção de tarefas, reduzindo a sobrecarga docente.
  • Escolas públicas ainda têm infraestrutura precária: 73% das escolas de anos iniciais não têm laboratório de informática.
  • 70% dos estudantes do Ensino Médio já usaram IA generativa para pesquisas escolares.
  • Especialistas alertam para o risco de dependência digital e uso como atalho para burlar atividades.

Analisando os prós, a IA pode ajudar a diminuir a sobrecarga de trabalho dos professores. Hoje, os docentes gastam 12% do tempo de aula com questões burocráticas e 9,3 horas semanais com preparação de aulas.

Nesse contexto, a IA pode ser uma aliada no equacionamento das demandas documentais e pedagógicas, permitindo avaliações mais frequentes e detalhadas, além de feedbacks específicos para cada aluno.

Ademais, pode agilizar a preparação de planos de aula, apresentações, bancos de questões, adaptações curriculares e atividades para recuperação de lacunas, aprimorando o ensino e favorecendo a inclusão de alunos neurodivergentes.

Por outro lado, a viabilidade dessas soluções esbarra na precária infraestrutura escolar: 73% das escolas de anos iniciais não têm laboratório de informática, e apenas 44,5% das escolas públicas estão conectadas à internet com parâmetros adequados.

Outro risco é a ampliação da dependência digital dos alunos: 70% dos estudantes do Ensino Médio já usaram IA para pesquisas, e 80% recorrem à IA para resolver atividades.

A tecnologia é positiva quando ajuda a aprofundar pesquisas e identificar fontes confiáveis, mas pode ser usada como atalho para burlar o aprendizado.

Por fim, é preciso evitar que a IA se torne uma panaceia. Nada substitui o conhecimento poderoso e um professor bem formado.