17 de agosto de 2026

??ºC Tempo São Paulo - SP São Paulo - SP
??ºC Tempo Rio de Janeiro - RJ Rio de Janeiro - RJ
??ºC Tempo Salvador - BA Salvador - BA

Polícia usa drones e mergulho para combater o crime organizado

Geral Segurança 17/08/2026 08:02 Assessoria de Imprensa - IZYCOM Comunicação

Unidades especiais de segurança pública estão mudando a forma de atuar, usando tecnologia e inteligência para coletar informações em terra e até debaixo d'água. O novo modelo foi tema de debate na COP International 2026, em São Paulo, onde especialistas discutiram como a inteligência está sendo usada para combater o crime organizado.

O policial de operações especiais que entra em cena apenas quando uma missão exige força, risco elevado e precisão está ficando para trás. Hoje, a atuação dessas unidades começa muito antes da operação: envolve coleta de informações, uso de drones, análise de dados, reconhecimento de território e até buscas subaquáticas para localizar drogas, armas e munições.

  • A inteligência e a tecnologia estão mudando o trabalho da polícia. Antes, as operações especiais eram acionadas apenas em situações de alto risco. Agora, essas equipes também participam da investigação antes e depois das ações.
  • O uso de drones ajuda a monitorar áreas e a localizar criminosos. A polícia também usa esses equipamentos para entender o que acontece em lugares de difícil acesso.
  • O mergulho policial é outra técnica usada para achar provas escondidas. Policiais mergulhadores são treinados para procurar armas, drogas e outros materiais que podem estar escondidos em rios, lagos ou no mar.
  • A análise de dados digitais é uma nova frente de investigação. A Polícia Civil do Rio de Janeiro, por exemplo, já tem estrutura para extrair e analisar informações digitais que ajudam em investigações.
  • A integração entre diferentes forças de segurança e o uso da tecnologia são essenciais para o sucesso das operações. A informação coletada precisa chegar a quem pode cruzá-la com outras bases para aprofundar a investigação.

A mudança de perfil foi discutida no painel O Papel das Operações Especiais no Cenário da Investigação Criminal, realizado nesta quinta-feira (13), durante a COP International 2026, no São Paulo Expo. O debate reuniu o coronel Maurílio Nunes, subsecretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, e Adalberto Nunes, policial militar do BOPE do Distrito Federal, com mediação da jornalista Paula Nobre, da Jovem Pan.

A discussão revelou uma transformação importante na lógica das operações: unidades especializadas deixaram de ser acionadas somente para executar mandados, enfrentar situações críticas ou entrar em áreas de alto risco. Cada vez mais, seus integrantes participam também da construção da inteligência que antecede a missão e pode sustentar a investigação que vem depois.

Precisamos de mais inteligência e menos tiro, afirmou Maurílio Nunes. Para ele, quanto mais precisa for a informação reunida antes da operação, maior a capacidade de localizar alvos, definir estratégias e reduzir a necessidade de incursões sucessivas.

A lógica, segundo o subsecretário, é conectar levantamento de dados, investigação, decisão judicial e emprego operacional. Quando chegar o momento de operar, nós vamos lá executando uma operação mais contundente, mas com maior precisão, disse.

O operador também virou fonte de inteligência

Essa mudança já interfere na formação dos profissionais. Além das competências táticas, policiais de operações especiais passam a ser treinados para observar, coletar informações e utilizar tecnologias que possam contribuir com investigações.

Drones são um dos exemplos mais evidentes. As aeronaves não tripuladas passaram a integrar tanto o monitoramento de áreas quanto estratégias de organizações criminosas para acompanhar a movimentação policial ou dificultar operações.

Para Maurílio, a própria ocorrência policial precisa ser encarada como possível ponto de partida para uma investigação. O combate ao crime organizado não é somente atirar. É preciso usar também a capacidade de observação e de coleta de informação para que tudo chegue até uma delegacia, um inquérito policial e seja rastreado, afirmou.

O avanço também alcança a análise de dados digitais. Segundo o subsecretário, a Polícia Civil do Rio de Janeiro já possui estrutura para extração de informações e avalia novas ferramentas para ampliar a capacidade de análise. A tecnologia, porém, não substitui o profissional responsável por interpretar os dados e tomar decisões.

Quando a investigação precisa mergulhar

Se a experiência apresentada pelo Rio de Janeiro mostrou como a inteligência e a tecnologia estão mudando a atuação em terra, Adalberto Nunes levou o debate para um território menos evidente: o ambiente subaquático.

Integrante do BOPE do Distrito Federal, ele explicou que o mergulho policial deixou de ser apenas uma atividade de condicionamento físico e domínio técnico. O profissional precisa estar preparado para localizar materiais, operar equipamentos eletrônicos, interpretar informações e contribuir diretamente com investigações.

A mudança acompanha a própria evolução das estratégias criminosas. Ambientes aquáticos, embarcações, estruturas portuárias e áreas de difícil acesso podem ser utilizados para esconder ou transportar drogas, armas, munições e outros materiais de interesse policial.

Adalberto relatou uma ocorrência recente em que uma investigação levou à localização de um depósito de munições em uma área aquática de difícil acesso. O resultado, segundo ele, foi precedido por um trabalho de busca de informações.

O episódio ilustra como o mergulhador passou a ocupar uma posição diferente dentro da investigação. Não basta mais entrar na água: é preciso saber o que procurar, onde procurar e como transformar aquilo que foi encontrado em informação útil para a investigação.

Inteligência também mudou o perfil do policial

A transformação tecnológica está alterando até os critérios usados para selecionar e preparar esses profissionais. Condicionamento físico e domínio técnico continuam indispensáveis, mas já não definem sozinhos o perfil de um operador. Adaptabilidade, capacidade de lidar com equipamentos eletrônicos, tolerância à frustração e habilidade para buscar e interpretar informações ganharam espaço.

O objetivo é formar um profissional capaz de combinar capacidade operacional e inteligência. A gente precisa que esse nosso operador-mergulhador também busque essas informações utilizando a tecnologia, acrescentou.

A evolução, no entanto, encontra um desafio prático: equipamentos. Segundo Adalberto, nem sempre as unidades conseguem manter, em seus estados, os mesmos recursos tecnológicos disponíveis durante os treinamentos. A dependência de equipamentos de fabricação internacional também pode limitar determinadas capacidades.

Da ponta da lança ao ciclo completo da investigação

Apesar das diferenças entre a atuação em comunidades e as buscas subaquáticas, os relatos apresentados no painel convergiram em um ponto: operações especiais precisam estar conectadas ao restante da estrutura de segurança pública.

Para Adalberto, isso significa ampliar a articulação entre unidades especializadas, estruturas de investigação, órgãos que atuam em portos e instituições de outros países. A informação obtida por uma equipe precisa chegar a quem pode cruzá-la com outras bases, aprofundar a investigação e transformá-la em evidência.

O que emerge desse novo modelo é uma mudança silenciosa, mas relevante: a operação especial começa antes de o policial chegar ao local e pode continuar depois que a equipe deixa a cena.

Antes de uma entrada em área de risco podem existir horas de monitoramento por drones, cruzamento de informações, análise de dados e preparação da equipe. Depois da operação, aquilo que foi observado ou localizado pode alimentar um inquérito, orientar novas diligências e ajudar a atingir estruturas maiores do crime organizado.

A chamada ponta da lança continua sendo responsável pelas missões mais complexas. A diferença é que, agora, ela está cada vez mais conectada ao restante da investigação, e o policial de elite passa a cumprir também o papel de sensor, coletor de informação e usuário de tecnologia em uma cadeia que transforma dados obtidos no terreno em inteligência e, posteriormente, em prova.