O Museu da Pessoa apresenta a coleção digital 'Memórias do Futebol de Várzea', com 17 histórias de vida que mostram como o futebol de várzea une comunidades e preserva identidades. O projeto tem curadoria do jornalista José Trajano e está disponível gratuitamente online.
O Museu da Pessoa lança hoje a coleção digital Memórias do Futebol de Várzea, dedicada a preservar e compartilhar histórias de quem constrói essa tradição dentro e fora dos campos. Com cocuradoria do jornalista esportivo José Trajano, a iniciativa reúne 17 histórias de vida que aproximam o público de pessoas, clubes e redes comunitárias que fazem da várzea um espaço de memória, identidade e organização coletiva. A coleção está disponível em: https://museudapessoa.org/colecao/memorias-do-futebol-de-varzea/.
Do total de histórias reunidas, seis são entrevistas inéditas realizadas especialmente para o projeto com personagens de diferentes regiões da cidade de São Paulo. As outras 11 foram curadas do acervo permanente do Museu da Pessoa.
Resuminhos da notícia:
- Coleção reúne 17 histórias de vida sobre futebol de várzea.
- Seis entrevistas são inéditas, feitas especialmente para o projeto.
- José Trajano é o cocurador, trazendo sua experiência no esporte.
- O projeto valoriza a memória e a força das comunidades.
- A coleção está disponível gratuitamente no site do Museu.
Produzidos a partir da Tecnologia Social da Memória, metodologia de registros de história de vida, os relatos conectam experiências pessoais às trajetórias da várzea e percorrem a formação de clubes e ligas, as disputas pela preservação dos campos, o protagonismo de mulheres e da cultura negra e as transformações provocadas por novas formas de comunicação, financiamento e organização do esporte.
Na várzea, o futebol não se resume ao que acontece dentro das quatro linhas. Ele está ligado à história dos bairros, às relações entre as pessoas e ao esforço coletivo de manter um clube e um campo vivos. As histórias reunidas mostram a profundidade desse universo e ajudam a compreender por que a várzea continua sendo uma das bases da cultura do futebol brasileiro, afirma José Trajano, curador do projeto.
As seis entrevistas inéditas foram escolhidas para representar a diversidade desse universo. Soraia Trindade, dirigente do tradicional Clube Aliança da Casa Verde, relata o protagonismo feminino na gestão da várzea e a luta pela preservação de um dos campos que integravam o complexo do Campo de Marte, desapropriado pela Prefeitura. Sidineia Chagas, fundadora e jogadora do Perifeminas, de Parelheiros, mostra como equipes formadas por mulheres ampliam e transformam os espaços historicamente masculinos do futebol.
Uilson Oliveira de Sá, presidente do Esporte Clube Comercial de Pirituba, representa uma várzea mais tradicional: começou a jogar pelo clube aos 11 anos e permaneceu em campo até os 40. José Roberto Andrade, fundador e presidente do Negritude F.C., de Artur Alvim, conecta futebol, cultura negra, bailes black e identidade comunitária. Guilherme Estevão, narrador, comentarista e repórter esportivo há mais de 15 anos, acompanha a incorporação de contratos, ligas e tecnologias da informação. Já Makson Rangel de Jesus, que disputou a Copa São Paulo em 2007, transformou a várzea em sua principal fonte de renda e hoje atua por diferentes clubes, agenciado pela esposa.
Na cidade de São Paulo, o nome várzea remete aos primeiros campos instalados nas áreas planas próximas aos rios e córregos. No início do século XX, times, ligas e campeonatos se multiplicaram a partir de agremiações de bairro, fábricas, sindicatos e clubes sociais. Alguns se profissionalizaram e ganharam projeção nacional; outros permaneceram no circuito amador ou semiprofissional, por condição ou escolha, preservando uma dinâmica própria e profundamente conectada aos territórios onde surgiram.
Essa ligação se expressa no trabalho cotidiano de famílias, moradores, dirigentes, jogadores, comerciantes e torcedores. São pessoas que doam recursos, produzem uniformes e bandeiras, cuidam dos campos, organizam campeonatos e garantem equipamentos e estrutura para os jogos. Em torno de cada clube, constroem-se relações de pertencimento capazes de transformar a defesa de uma camisa na defesa da identidade e do orgulho de uma rua, de um bairro e de uma coletividade.
O Museu da Pessoa parte da ideia de que toda história de vida tem valor e de que essas histórias também são patrimônio. Ao registrar as trajetórias de quem constrói o futebol de várzea, o projeto preserva memórias que ajudam a compreender não apenas o esporte, mas as comunidades, os territórios e as formas de organização coletiva que existem ao redor dele, afirma Lucas Torigoe, coordenador de Pesquisa do Museu da Pessoa.
A coleção Memórias do Futebol de Várzea é uma realização do Museu da Pessoa, com financiamento por meio de emenda parlamentar e apoio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.
Serviço
Coleção Memórias do Futebol de Várzea
Disponível em: https://museudapessoa.org/colecao/memorias-do-futebol-de-varzea/
Sobre o Museu da Pessoa
O Museu da Pessoa é o maior acervo de histórias de vida do Brasil. Como um museu virtual e colaborativo fundado em 1991, tem como objetivo registrar, preservar e transformar histórias de vida em fonte de conhecimento, compreensão e conexão. A proposta é democratizar o acesso à memória social, valorizando as experiências de vida de qualquer pessoa como parte fundamental da construção da história coletiva. O acervo reúne mais de 18 mil depoimentos em vídeo, áudio e texto, além de cerca de 60 mil imagens e documentos digitalizados. Saiba mais: www.museudapessoa.org.
Informações para imprensa
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Divulgação Museu da Pessoa




