O segundo dia do SP2B São Paulo Beyond Business, no Parque Ibirapuera, reuniu nomes como Deborah Secco, Nathalia Arcuri, João Silva, Neil Redding, Guilherme Horn, Aline Pellegrino, Bjorn Beam, Karima Ben Abdelmalek, Susan McPherson, Priscila Toledo e Carlos Eduardo Mazzei. Os painéis discutiram inteligência artificial, geopolítica, saúde, empreendedorismo, longevidade, criatividade, ciência, comunidades e novos modelos de trabalho.
A programação desta quinta-feira (13) do SP2B São Paulo Beyond Business colocou em discussão algumas das transformações que já começam a redesenhar empresas, profissões e relações humanas. Inteligência artificial, saúde, geopolítica, empreendedorismo, longevidade, criatividade, ciência, comunidades e novos modelos de trabalho atravessaram as conversas realizadas nos diferentes equipamentos do Parque Ibirapuera.
Entre os destaques do dia estiveram a atriz e empresária Deborah Secco, a empreendedora Nathalia Arcuri, o apresentador e empresário João Silva, o futurista Neil Redding, Guilherme Horn, head do WhatsApp para Brasil, Índia e Indonésia, a ex-capitã da Seleção Brasileira Aline Pellegrino, a CEO do happn Karima Ben Abdelmalek, a empresária norte-americana Susan McPherson e Bjorn Beam, especialista em tecnologia e geopolítica e ex-oficial da CIA.
- IA divide decisões com humanos: futurista defende liderança como orquestração de talentos e máquinas.
- Deborah e João contam como transformaram medo em oportunidade ao empreender.
- Pesquisa inédita revela hábitos de consumo da população negra no Brasil.
- Brasil tem potencial para ser potência em data centers, diz ex-agente da CIA.
- Saúde feminina ganha espaço com novas tecnologias e dados específicos.
O SP2B tem apresentação da Claro, oferecimento da Prefeitura de São Paulo e parceria estratégica do Governo do Estado de São Paulo.
IA passa a dividir decisões com humanos
No Age of Awareness by Claro (Pacubra), o futurista Neil Redding, CEO e fundador da Redding Futures, discutiu como a presença crescente de agentes de inteligência artificial exige uma mudança no próprio conceito de liderança. Em "Da Consciencialização à Orquestração: Liderar na Era da Participação da IA", Redding abordou a passagem de estruturas tradicionais de comando e controle para modelos capazes de coordenar, ao mesmo tempo, pessoas e sistemas inteligentes.
Para o futurista, tratar a IA como participante e não como ferramenta passiva redefine também o papel dos profissionais dentro das empresas. "Os humanos estão se movendo para um novo modo de trabalho: de majoritariamente executores, como fomos por milhões de anos, para majoritariamente decisores", disse. Ele citou dados da Deloitte, segundo a qual 84% das empresas ainda não redesenharam nenhum papel em torno das novas capacidades de IA um indicativo para ele de que a transformação está apenas começando e abre uma janela clara de vantagem para quem se antecipar.
A consequência prática, defendeu, é uma nova gramática de liderança. Usando a analogia de uma orquestra sinfônica em que o maestro não executa tarefas, mas ajusta dinamicamente andamento, equilíbrio e papéis conforme a performance avança , Redding sintetizou a tese central da palestra: "Liderança é a orquestração das dinâmicas de participantes. Essa é a mudança".
No mesmo palco, Guilherme Horn, head do WhatsApp para Brasil, Índia e Indonésia, apresentou Escalando seu negócio com agentes de IA no WhatsApp. A conversa mostrou como a plataforma vem incorporando agentes capazes de atender clientes, qualificar contatos, agendar serviços e participar de processos de venda de forma autônoma, aproximando a inteligência artificial da operação cotidiana de negócios de diferentes portes.
A infraestrutura necessária para que essas aplicações efetivamente gerem valor apareceu mais tarde em Por trás da IA: como empresas estão estruturando dados para decidir melhor. Carlos Eduardo Mazzei, diretor de Tecnologia do Itaú Unibanco, e Priscila Toledo, fundadora e CEO da Stellula | The Collab, conversaram com Déborah Oliveira, editora-chefe do IT Forum, sobre governança, arquitetura e maturidade de dados e o que separa a experimentação com IA de uma vantagem competitiva real.
A conversa colocou em pauta a etapa que antecede o valor gerado pela inteligência artificial: a preparação da infraestrutura de dados que sustenta decisões mais inteligentes nas grandes organizações. Governança, arquitetura escalável, letramento de dados distribuído por toda a companhia e mecanismos para lidar com vieses de gênero, raça e recortes regionais nos dados brasileiros foram pontos centrais do debate. Os executivos discutiram ainda como especificidades regulatórias e culturais do país precisam ser incorporadas ao treinamento dos modelos, e defenderam que o tratamento de dados deve ser encarado não apenas como camada de proteção, mas como oportunidade estratégica de negócio.
Do incômodo à construção de um negócio
No Bespoke by Claro (Auditório Ibirapuera), a atriz e empresária Deborah Secco e o apresentador e empresário João Silva participaram de Empreender: Talento ou Escolha, com mediação de Nathalia Arcuri, fundadora da Me Poupe!. A conversa partiu das diferentes trajetórias dos convidados para discutir inquietação, reinvenção profissional e os momentos em que assumir riscos passa a fazer parte da construção de uma nova identidade de carreira.
Durante o painel, Deborah e João compartilharam como a proatividade diante de cenários incertos moldou suas jornadas. Para a atriz, exige coragem para dar um passo sem saber se tem chão, lembrando que suas oportunidades sempre demandaram iniciativa, como quando negociou seu próprio contrato na TV aos nove anos. Já João relatou como a incerteza o empurrou para a prática: após o fim do programa em que trabalhava com o pai, ele desenhou um modelo de negócios independente do zero, assumindo a linha de frente para buscar patrocinadores e viabilizando o projeto pouco antes da estreia. Em ambos os casos, Nathalia Arcuri reforçou a importância de nunca aceitar o "não" como resposta definitiva.
O encontro também destacou a organização financeira como passaporte para a liberdade de escolha. Deborah revelou que viveu anos abaixo do padrão que poderia bancar para construir uma reserva, o que hoje lhe confere o "verdadeiro luxo" de poder recusar trabalhos e priorizar a família. Complementando a reflexão, Nathalia alertou que o planejamento rigoroso é fundamental antes de assumir riscos. Para ela, "rico é quem gasta menos do que ganha", e quem deseja empreender precisa investir no próprio desenvolvimento e ter clareza exata de quanto pode colocar em jogo para estruturar um negócio com segurança.
A discussão sobre o que sustenta uma empresa ao longo do tempo apareceu no Growth Stage by B3 (Pavilhão da Bienal). Em Além dos 5 Anos: A Anatomia do CNPJ Antifrágil, Kamilla Santana, diretora executiva da RS HYPE, e Pedro Janot, cofundador e CEO da Contravento, conversaram com Adriana Barbosa, fundadora e diretora executiva do Instituto Feira Preta, sobre os fatores que permitem a um negócio atravessar crises e ganhar escala. Governança, liquidez, processos e a transição do fundador que centraliza a operação para estruturas mais resilientes estiveram entre os temas do encontro.
No mesmo palco, o envelhecimento da população foi tratado como oportunidade econômica em Economia Platinada: a Sabedoria de Empreender com 50+. Lilian Leandro, diretora de Expansão do Grupo Mulheres do Brasil, Arine Rodrigues, cofundadora do Silver Hub, e Pitty Sobral Sarian, fundadora da Anthea, discutiram empreendedorismo, consumo e novas possibilidades profissionais na maturidade, com mediação de Thays Freitas, diretora de Conteúdo do Grupo Bandeirantes.
Fazer com as mãos também entra na discussão sobre o futuro do trabalho
No Work in Progress (Pacubra), Débora Garofalo, diretora de Inovação da DG Educação, participou de Código, Cola e Coragem: A Criação como Fronteira da Inovação, com mediação de Caroline de Tilia, curadora de conteúdo do SP2B. O encontro colocou o movimento maker em contraponto à crescente virtualização do trabalho e discutiu como experimentação, prototipagem e contato com o mundo físico podem influenciar novas formas de educação e formação profissional.
Em outra projeção sobre o trabalho e as empresas do futuro, Lala Deheinzelin, CEO e fundadora da Crie Futuros e Fluxonomia 4D, e a atriz Maria Paula conduziram Empresa de 2050 Do CNPJ à Consciência Coletiva Algorítmica, no Innovation Stage (Pavilhão da Bienal). A apresentação imaginou organizações menos baseadas em estruturas estáticas de comando e mais orientadas por colaboração, inteligência distribuída e coordenação entre pessoas e agentes de IA.
Saúde feminina questiona décadas de medicina pensada a partir do corpo masculino
No Decoding Life (Pacubra), Femtechs, Dados e Cuidado: Quando a Tecnologia Vai Além da Medicina Feita para Eles reuniu Stephani Caser, fundadora e CEO da See Me, Sofia Reinach, gerente de Saúde do Instituto Alana, e Ana Bonassa e Laura Marise, comunicadoras e divulgadoras científicas e cofundadoras do Nunca Vi 1 Cientista, com mediação da consultora de criatividade Cristina Naumovs.
A conversa discutiu um problema histórico da pesquisa médica: a adoção do corpo masculino como referência para diagnósticos, tratamentos e desenvolvimento de soluções. O painel abordou como dados, femtechs e novos modelos de cuidado podem contribuir para reduzir essas lacunas e ampliar a atenção às especificidades da saúde das mulheres.
No mesmo palco, Isabela Bussade, diretora médica da Bussade Health, mediou o painel A Caneta do Desejo: Ciência, Mercado e Controle do Corpo, com Luiz Magno, diretor executivo de Assuntos Médicos da Eli Lilly Brasil. A conversa discutiu o avanço científico por trás dos medicamentos originalmente desenvolvidos para tratar doenças metabólicas e hoje também utilizados no tratamento da obesidade, além de suas indicações, dos cuidados necessários para o uso responsável e dos impactos sociais, econômicos e de saúde pública dessa nova geração de terapias.
No Believe, duas conversas partiram de perspectivas diferentes para discutir cuidado, tempo e escolhas. Em A Economia do Bem-Estar: Cuidar Como Modelo de Negócio, a psicóloga e psicanalista Fê Lopes e Danni Suzuki, atriz, diretora, roteirista e neurocientista, abordaram como saúde mental e práticas de cuidado deixaram de ocupar um lugar periférico para entrar na cultura das empresas e nos próprios modelos de liderança.
A reflexão ganhou um tom mais existencial em Quando a Morte Chegar, que Ela te Encontre Viva, com Grazi Mendes, executiva de tecnologia, professora, autora e designer de futuros da Thoughtworks, e Camila Appel, diretora e roteirista de documentários da TV Globo. A partir da consciência da finitude, as duas discutiram o que muda nas escolhas quando o tempo deixa de ser uma ideia abstrata e passa a funcionar como medida para rever prioridades, projetos e aquilo que realmente vale a pena construir.
Razão, emoção e os mecanismos por trás das decisões
No painel O Cérebro e as Emoções: A Hora de Decidir, Emanuel Aragão, Elisa Kozasa e Aline Pellegrino discutiram como o cérebro processa escolhas, riscos e incertezas e de que forma as emoções interferem nesse processo. Pesquisadora do Instituto DOr de Pesquisa e Ensino, Elisa Kozasa chamou atenção para a importância de reconhecer o que se sente para conseguir escolher como agir diante de uma emoção. A gente não tem livre-arbítrio para não sentir uma emoção, mas tem a possibilidade de manejar essa emoção a partir do momento em que percebe que ela está se instalando, destacou.
Tecnologia e recursos estratégicos redesenham as relações de poder
No Cities Reimagined by Sabesp (Pacubra), Bjorn Beam, chefe de Consultoria e Pesquisa em Tecnologia e Geopolítica da Arcano Partners e ex-agente da CIA, foi entrevistado por Ana Ionova, correspondente do The New York Times, em "Quem manda no mundo hoje".
A conversa analisou como chips, minerais críticos, alimentos, rotas logísticas, dados, infraestrutura e capacidade industrial voltaram a funcionar como instrumentos de poder em um ambiente marcado por disputas entre potências, guerras, sanções e corrida tecnológica. O debate colocou ainda em perspectiva o espaço que o Brasil pode ocupar em um mundo mais fragmentado, competitivo e multipolar.
Beam defendeu que o país tem ativos raros na equação global de reservas de terras raras a uma matriz energética limpa e integrada. "Uma coisa que acho impressionante: o Brasil é o 11º país do mundo em número de data centers. E vocês têm uma matriz energética completamente integrada. Nem os Estados Unidos conseguem fazer isso. Um país grande como o Brasil consegue", afirmou.
Arte digital brasileira atravessa fronteiras
No BRIFW by C&A (Oca), os artistas Gabriel Massan e Bernardo Martins (Figa) participaram de Bye Bye Brazil: Arte e Tecnologia do Brasil para o Mundo, com mediação de Olivia Merquior, diretora de Conteúdo do SP2B.
A conversa partiu das trajetórias internacionais dos dois artistas para discutir produção com inteligência artificial, computação gráfica e outras tecnologias emergentes, além de autoria, circulação, reconhecimento institucional e os desafios de construir uma carreira global mantendo uma relação permanente com o Brasil.
Seguidores não bastam para construir comunidade
No painel Audiência Não é Comunidade: Criando Conexões Reais, Karima Ben Abdelmalek, CEO do Happn, e Susan McPherson, CEO da McPherson Strategies e autora de The Lost Art of Connecting, discutiram o que diferencia engajamento de comunidade em um cenário de hiperconexão. Para Karima, a tecnologia pode funcionar como ponto de partida para relações que se concretizam fora das telas. Como a Happn é uma experiência digital, nossa missão é transformar essa experiência online em encontros na vida real, afirmou. Segundo ela, construir uma comunidade exige cuidado, compaixão, escuta e liderança.
Susan levou a discussão para a maneira como as pessoas constroem suas redes de relacionamento. Em vez de entrar em um ambiente pensando no que pode obter, defendeu uma lógica baseada na contribuição. É muito mais eficaz se conectar de verdade. Networking é diferente quando você começa pensando em como pode ser útil para as outras pessoas, afirmou. Para a executiva, essa mudança de perspectiva ajuda a transformar contatos em conexões capazes de gerar oportunidades e vínculos duradouros.
Pesquisa inédita olha para os hábitos de consumo da população negra
No Beginning (Museu Afro Brasil Emanoel Araujo), Adriana Barbosa, fundadora e diretora executiva do Instituto Feira Preta, e Renan Damascena, cofundador e líder executivo de Estratégia e Cultura da MUVUKA & AUE, participaram de Acesso a Mercados: Quem Compra, Quem Vende, Quem Cresce.
Durante a conversa, Adriana apresentou pela primeira vez a pesquisa Hábitos de Consumo da População Negra, em um debate sobre como poder de compra, circulação de recursos, acesso a redes e oportunidades de mercado se relacionam. A discussão propôs olhar para o consumo não apenas como demanda, mas também como ponto de partida para ampliar o acesso de empreendedores a mercados e construir relações econômicas mais estruturadas.
O SP2B São Paulo Beyond Business segue até 16 de agosto no Parque Ibirapuera, com mais de 750 painéis, mil horas de conteúdo, cerca de dois mil palestrantes e programação distribuída por mais de 20 palcos. A estrutura de trilhas e palcos está distribuída entre diferentes equipamentos do parque.
SP House inicia preparativos para o SXSW 2027
Um dos destaques da noite desta quinta-feira (13) foi o encontro promovido pela SP House no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, durante o SP2B, para dar início às conversas e aos preparativos para sua quarta participação consecutiva no SXSW, em Austin. Batizado de Open Doors, o evento reuniu marcas, patrocinadores, integrantes da equipe responsável pela curadoria da Casa e nomes que já fazem parte de sua trajetória, como o futurista Neil Redding e Tracy Mann, do SXSW.
Organizada pela Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo em parceria com a InvestSP, a SP House funciona como um hub de inovação, negócios e economia criativa do Estado durante o festival. O encontro apresentou um balanço da edição de 2026 e abriu os primeiros diálogos estratégicos para 2027.
Participaram da apresentação Julia Saluh, diretora de Relações Internacionais e Comércio Exterior da InvestSP; Jandaraci Araujo, diretora executiva e representante do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo; Rui Gomes, presidente da InvestSP; Tracy Mann, do SXSW; e Marilia Marton, secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.
O quarto ano nos convoca a pensar juntos em como chegar lá e fazer bonito. A cada edição o desafio fica maior, mas é exatamente isso que nos faz evoluir. O balanço deste ano mostrou que a SP House se consolidou como um hub vivo de conexões reais e geração de negócios. E quando a gente olha para o futuro, pra 2027, o recado é direto: não é sobre estruturas, é sobre nós, sobre gente, sobre vocês que constroem isso tudo com a gente, destacou Marilia Marton.
Power Players da Billboard Brasil integra programação do SP2B
A programação desta quinta-feira teve ainda a primeira edição brasileira do Power Players, iniciativa da Billboard Brasil que homenageou 50 profissionais de diferentes áreas da indústria da música, em cerimônia no Hotel Unique. Realizada como parte da programação do SP2B, a premiação reconheceu nomes que vêm contribuindo para movimentar e transformar o mercado musical brasileiro. Entre os 50 homenageados estiveram Rafael Lazarini, CEO e idealizador do SP2B, e Zé Ricardo, curador musical do evento.
Informações sobre o SP2B no Parque Ibirapuera: https://sp2b.com.br/

Programação do SP2B no Parque Ibirapuera


