14 de agosto de 2026

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Sarampo na gravidez: entenda os riscos e a importância da vacina

Geral Sarampo 14/08/2026 09:00 Monica Kulcsar (MK Comunicação)

O surto de sarampo em São Paulo acende alerta para a saúde reprodutiva feminina. A vacina não pode ser aplicada durante a gestação, mas a doença traz riscos graves à gestante e ao bebê. Saiba como se proteger.

O retorno do sarampo a São Paulo trouxe à tona um alerta que ainda não ganhou a devida atenção na cobertura da imprensa: a doença é particularmente perigosa para mulheres grávidas e a vacina, que a previne, não pode ser administrada durante a gestação. Isso significa que a única janela de proteção efetiva é antes de engravidar.

O Ministério da Saúde confirmou casos de sarampo na capital paulista, em Guarulhos e em São Bernardo do Campo, com cadeia de transmissão ativa. Em resposta, a vacinação tem sido recomendada para todas as pessoas entre 6 meses e 59 anos, nos três municípios, com Dia D nacional marcado para o próximo dia 22 de agosto. Até o final de julho, o Brasil havia confirmado 17 casos de sarampo em 2026, com 14 em acompanhamento ativo no estado de São Paulo.

  • O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa que pode causar complicações graves, como pneumonia e inflamação no cérebro.
  • Grávidas são mais vulneráveis a infecções devido a alterações no sistema imunológico.
  • A vacina tríplice viral contém vírus vivo atenuado e não pode ser aplicada durante a gravidez.
  • Mulheres que planejam engravidar devem verificar se estão com a vacinação em dia, tomando a vacina pelo menos 30 dias antes da concepção.
  • Em caso de exposição ao vírus durante a gestação, a única medida de emergência é a imunoglobulina humana, que não é uma forma de prevenção.

Para o Dr. Alexandre Rossi, ginecologista responsável pelo Ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, em São Paulo, o surto acende um alerta específico que precisa chegar às mulheres em idade reprodutiva: "O sarampo é uma doença que a maioria das pessoas associa à infância. Mas seus riscos para a mulher grávida são sérios e muito subestimados. Há, ainda, um detalhe que poucos sabem: as grávidas não podem tomar a vacina. A proteção precisa ter sido feita antes da concepção."

Por que o sarampo é especialmente perigoso na gravidez

A gravidez provoca alterações fisiológicas importantes no organismo feminino, incluindo uma imunossupressão relativa, necessária para que o corpo aceite o feto. Essa condição torna a gestante mais vulnerável a infecções e, quando ocorre a infecção pelo vírus do sarampo, as consequências podem ser muito graves.

A infecção por sarampo durante a gestação pode trazer consequências graves para a saúde materna e aumentar o risco de desfechos adversos para o bebê, como prematuridade, baixo peso ao nascer, abortamento e morte fetal. Complicações respiratórias como pneumonia também são mais frequentes e mais graves em gestantes infectadas.

"Quando uma gestante não vacinada contrai sarampo, o risco não é apenas para ela, mas também para o bebê que está se desenvolvendo. Prematuridade, abortamento e baixo peso ao nascer são desfechos que podemos e devemos evitar garantindo que a mulher esteja imunizada antes de engravidar", reforça o Dr. Alexandre.

Vacina contra o sarampo não pode ser aplicada na gravidez

A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é produzida com vírus vivo atenuado. Por esse motivo, sua aplicação é formalmente contraindicada durante a gestação. Além disso, recomenda-se que a mulher aguarde pelo menos 30 dias após a vacinação antes de tentar engravidar.

Isso cria uma situação de vulnerabilidade específica: a gestante que não foi vacinada previamente não tem como se proteger durante a gravidez por meio da imunização ativa. A única alternativa, em casos de exposição comprovada, é a imunoglobulina humana, uma medida de emergência, não de prevenção.

"A mensagem para as mulheres que planejam engravidar é clara: verifiquem agora a caderneta de vacinação. Se não há comprovação de duas doses da tríplice viral ou da vacina tetraviral, vacinem-se antes de tentar engravidar", orienta o Dr. Alexandre.

Um alerta além da gestação

O Dr. Alexandre Rossi destaca que a consulta ginecológica é o momento ideal para revisar a situação vacinal da mulher, especialmente em cenários de surto como o atual.

"Muitas mulheres chegam ao pré-natal sem saber se tomaram as doses necessárias da tríplice viral. É uma informação que deve ser levantada, se possível, antes da gravidez, no planejamento reprodutivo. Esse é o papel do ginecologista: antecipar riscos e garantir que a mulher chegue à gestação protegida."

O especialista também lembra que mulheres sem histórico de vacinação ou que não sabem se são imunizadas devem aproveitar a campanha em curso, desde que não estejam grávidas. Para as que já estão grávidas e não têm comprovação de imunização, a orientação é buscar o médico para avaliação individual e adotar medidas de proteção como evitar aglomerações e ambientes fechados.