13 de agosto de 2026

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Dados abertos podem transformar suitability em serviço ao investidor

Geral Finanças 13/08/2026 16:59 Leticia Fernandes, Trust PR

Painel no Blockchain.RIO 2026 debate como o Open Finance e o compartilhamento de dados podem tornar as recomendações de investimento mais personalizadas, saindo do cumprimento de regras para um serviço que agregue valor ao cliente.

Os dados abertos no sistema financeiro podem mudar uma das etapas mais tradicionais e burocráticas na relação entre investidores e instituições: o suitability. Esse processo verifica se os produtos financeiros são adequados ao perfil de cada cliente.

Durante um painel no Blockchain.RIO 2026, que acontece no Rio de Janeiro, especialistas discutiram como o compartilhamento de informações e novas tecnologias podem tornar as recomendações de investimento mais personalizadas. A ideia é usar dados do Open Finance para entender melhor o histórico e o comportamento financeiro do investidor.

  • O suitability é obrigatório e classifica o investidor como conservador, moderado ou arrojado.
  • A Resolução CVM 30 define que a análise deve considerar objetivos, situação financeira e experiência do investidor.
  • Uma pesquisa da CVM com 2.815 investidores mostrou que muitos veem o processo como burocrático e pouco útil.
  • Especialistas sugerem um perfil único do investidor, compartilhado entre instituições, para melhorar as recomendações.
  • O objetivo é que o suitability deixe de ser só uma obrigação para virar um serviço que agregue valor.

O problema atual

Hoje, muitas vezes o suitability é visto como uma obrigação regulatória, não como um serviço que melhora a experiência de investimento. Gustavo Tufale destacou que o processo atual protege mais as instituições do que gera valor para o cliente. Para ele, as perguntas precisam mudar e ser mais centradas no investidor.

Uma avaliação da CVM de janeiro de 2025 mostrou que a eficácia da regra é positiva, mas abaixo do potencial. Os investidores têm uma percepção negativa sobre a utilidade do processo.

Open Finance como solução

Com o Open Finance, uma instituição autorizada pelo cliente pode ter acesso a dados sobre seu histórico e comportamento financeiro. Isso reduziria a dependência de questionários padronizados e traria mais coerência às recomendações. Luiz Henrique Carvalho defendeu que a discussão deve ir além da classificação de risco e buscar entender profundamente o cliente.

Carvalho também sugeriu a criação de um perfil único do investidor, que seria compartilhado entre instituições. A concorrência deixaria de ser sobre coleta de dados para ser sobre a capacidade de interpretá-los e oferecer produtos melhores.

Experiência do usuário

A experiência do usuário também entrou na discussão. Em vez de formulários longos, o processo poderia usar WhatsApp, respostas por áudio ou jogos para obter informações de forma mais fácil e rápida.

Futuro regulatório

A CVM já recomendou o compartilhamento do perfil de risco no Open Finance e a portabilidade de investimentos. A Agenda Regulatória de 2026 inclui o aprimoramento das regras de suitability. Claudio Maes propôs um suitability único, com uma base de dados em que todas as instituições estejam conectadas.

Essa mudança pode fazer o suitability responder a uma pergunta mais complexa: "qual investimento realmente faz sentido para esta pessoa". Se avançar, a disputa entre instituições financeiras será para ver quem transforma os dados na melhor recomendação para cada investidor.