13 de agosto de 2026

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Parou a caneta emagrecedora? O peso pode voltar, alerta médica

Geral Obesidade 13/08/2026 15:11 Andressa Bregalanti - Agência Viva

Uma revisão de estudos publicada no BMJ mostra que o peso perdido com medicamentos para emagrecer tende a voltar em menos de dois anos após a interrupção. A médica Ana Luísa Vilela explica por que a obesidade é uma doença crônica e precisa de tratamento contínuo para evitar o reganho de peso.

Para a médica Dra. Ana Luísa Vilela, especialista em cirurgia geral e bariátrica, endocrinologia e nutrologia, com mais de 20 anos de atuação clínica, o maior desafio das canetas de incretina pode não estar no início do tratamento, mas justamente no momento em que ele termina. "O paciente celebra o resultado, para a medicação, e alguns meses depois começa a ver o peso voltar. Isso não é falha de força de vontade é a doença retomando seu curso natural", afirma.

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada no BMJ* reuniu 37 estudos, 63 braços de intervenção e 9.341 participantes para analisar o que acontece após a suspensão de medicamentos para controle de peso. O resultado: reganho médio de cerca de 0,4 kg por mês. Com base nesse ritmo, os autores projetaram retorno do peso ao valor basal em aproximadamente 1,7 ano, e dos marcadores cardiometabólicos ao basal em cerca de 1,4 ano.

  • Estudo grande: a pesquisa analisou dados de quase 10 mil pessoas.
  • Reganho: em média, as pessoas recuperam 0,4 kg por mês após parar o remédio.
  • Tempo: o peso pode voltar ao ponto inicial em cerca de 1 ano e 8 meses.
  • Obesidade crônica: a doença exige tratamento contínuo, como pressão alta ou diabetes.
  • Plano de manutenção: é preciso planejar como manter o peso desde o início, não só no fim.

"Não podemos pensar primeiro em como tirar a caneta. Precisamos pensar em como o paciente vai sustentar o resultado. A manutenção deveria começar no primeiro dia do tratamento, não no último", resume a Dra. Ana Luísa Vilela.

Obesidade crônica exige plano crônico

Para a médica, o dado publicado no BMJ (um dos títulos de medicina mais respeitados no mundo) confirma algo que a prática clínica já mostrava: obesidade é uma condição crônica, e tratá-la como um episódio pontual que se resolve e se encerra é um erro de abordagem, não apenas de resultado.

"Quando a medicação é suspensa sem um plano estruturado de manutenção, o corpo volta a fazer exatamente o que fazia antes: preservar peso, reduzir gasto energético, aumentar fome. Isso está descrito na fisiologia da obesidade há décadas. O que os novos medicamentos trouxeram foi potência, não uma nova regra biológica", explica.

Ana Luísa Vilela defende que a construção de um plano de manutenção que envolve composição corporal, hábitos alimentares, atividade física, sono e, quando necessário, doses de manutenção ou terapias combinadas não deveria ser deixada para o fim do tratamento. "É preciso desenhar a saída antes de dar o primeiro passo. Do contrário, o paciente entra em um ciclo de perder e reganhar peso que desgasta o corpo e a relação dele com o próprio tratamento", completa.

"O sucesso não deveria ser medido pelo quanto o paciente perdeu, mas pelo quanto ele consegue manter. E manter é um projeto não um acaso", conclui a médica.

Sobre a Dra. Ana Luísa Vilela

Médica com formação em cirurgia geral e bariátrica, endocrinologia e nutrologia, com mais de 20 anos de atuação clínica. Passou por instituições como o Hospital das Clínicas da USP (HC-USP), o Instituto Garrido e a Beneficência Portuguesa de São Paulo. Autora do livro Renascimento Metabólico, dedica-se ao estudo do metabolismo e à interpretação integrada do organismo, atendendo pacientes com sintomas persistentes mesmo diante de exames considerados normais.