A Rumo, maior operadora de ferrovias do Brasil, aumentou em 9% o volume de cargas transportadas no segundo trimestre de 2026. As receitas cresceram 6%, mas o lucro caiu um pouco por causa dos juros altos. A empresa quer gerar mais caixa para crescer.
Os juros altos têm impacto direto em empresas que demandam alto volume de investimentos, como é o caso da Rumo. Mesmo assim, com o crescimento dos volumes transportados em suas ferrovias, a companhia conseguiu manter sua lucratividade no segundo trimestre de 2026.
No total, a Rumo registrou um crescimento de 9% no volume transportado entre abril e junho deste ano, na comparação com 2025. Foram 23,8 bilhões de TKU (Tonelada-Quilômetro Útil), que representa a multiplicação do peso real da carga pela distância percorrida.
- A Rumo transportou 23,8 bilhões de TKU no segundo trimestre, alta de 9%
- O volume de fertilizantes cresceu 61% na operação Norte
- A receita total foi de R$ 3,9 bilhões, 6% maior que no ano passado
- O lucro líquido caiu 6% por causa dos juros altos
- A empresa quer gerar mais caixa para investir no futuro
A Rumo divide seus negócios em duas operações. Na Operação Norte, onde estão concentradas a maior parte das suas concessões ferroviárias, houve um crescimento de 8% no volume transportado no segundo trimestre, na comparação anual.
Nessa operação, estão as malhas Norte, Paulista, Central e Oeste. Elas respondem por mais de 80% do volume total transportado pela Rumo.
Em comentário que acompanha o balanço, a Rumo afirma que o desempenho da Operação Norte foi impulsionado principalmente pelo agronegócio, com destaque para o aumento de 61% no volume de fertilizantes.
A Operação Sul é composta pela Malha Sul, que liga o Paraná a Santa Catarina. Nessa divisão, o crescimento foi maior, de 14%, para 3,2 bilhões de TKU. Segundo a Rumo, o resultado da operação melhorou pelo volume de grãos transportados.
Até mesmo a operação de Contêineres, que tem uma participação pequena nas receitas da Rumo, teve melhora importante no segundo trimestre de 2026.
O volume total foi de 1,1 bilhão de TKU, aumento de 14% em relação a 2025. A companhia cita que farelo de soja, defensivos agrícolas e madeira foram os principais vetores para esse resultado.
No total, as receitas da Rumo somaram R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, número 6% maior que o apurado um ano antes.
Assim, a companhia conseguiu manter a lucratividade. No critério ajustado, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou em R$ 2,2 bilhões, praticamente estável em relação a 2025.
O lucro líquido ajustado teve uma queda de quase 6%, para R$ 688 milhões. Segundo a Rumo, esse recuo foi causado exclusivamente pelo aumento das despesas financeiras, causado pelo custo da dívida.
Prioridade é gerar caixa
Em relatório, o Itaú BBA afirma que os números da Rumo no segundo trimestre ficaram em linha com as expectativas dos analistas. Mas a intenção demonstrada pelos executivos de priorizar a geração de caixa pode mudar o patamar da empresa, na visão do mercado.
Segundo o banco, em teleconferência com analistas a diretoria da Rumo demonstrou a intenção de fortalecer a geração de caixa livre já no curto prazo.
O El Niño é um risco para a Rumo no próximo ano. Mas se houver realmente uma melhora no fluxo de caixa, isso pode se tornar uma base sólida para o valor de mercado da companhia, diz o Itaú BBA.
O preço-alvo do banco para a ação ON da Rumo é de R$ 19, o que representa um potencial de 46% de valorização ante o preço de fechamento de ontem (12), a R$ 12,96.

Trem da Rumo em ferrovia (Foto: AgFeed)


