Executivos de grandes empresas do setor discutem o futuro da tokenização no Blockchain Rio 2026, destacando a necessidade de regulação clara e a coexistência entre mercados tradicional e digital.
Rio de Janeiro, 12 de agosto de 2026 - O Blockchain Rio 2026, principal evento do ecossistema de infraestrutura financeira digital da América Latina, reuniu representantes de reguladores do Brasil e do mundo.
Durante painel sobre tokenização e regulação, Egmon Henrique de Oliveira Costa da CVM, registrou algumas preocupações acerca do futuro da tokenização. Para ele, "a mudança da estrutura regulatória, para incluir tokenização, precisa ser feita em baby steps".
- Tokenização é a transformação de ativos tradicionais em digitais, negociáveis em plataformas online.
- Reguladores como a CVM querem mudanças graduais para garantir segurança jurídica.
- Binance defende a tokenização para permitir negociações 24 horas por dia, 7 dias por semana.
- Stablecoins são vistas como essenciais para atrair investimento estrangeiro e modernizar os mercados.
- Desafio central é integrar sistemas jurídicos e operacionais entre mercados tradicional e digital.
"No futuro ambos os mercados vão coexistir. Tanto o mercado tradicional, quanto o tokenizado. Mas mesmo que isso fique maduro, existe o custo da inércia. Hoje no mercado financeiro diferentes tipos de sistemas são usados pelas financeiras, cada um com sua característica. É difícil que a tokenização unifique esses sistemas em uma só tecnologia", comentou.
Quem discordou da ideia foi Thiago Sarandy, Diretor-Geral para o Brasil da Binance. Na visão do executivo, tokenizar o mercado tradicional é essencial. "É essencial porque o mercado tradicional não segue a cultura de que investimentos devem funcionar todos os dias e globalmente. Foi justamente dessa dor que surgiu a tokenização", explica.
Além disso, Sarandy afirma que já existe demanda, o que falta agora é existir uma regulação clara. "O Brasil precisa tokenizar ações brasileiras para perpetuar e impulsionar a tokenização. Também seria excelente a tokenização de títulos de rendas fixas, também essenciais para globalizar o mercado brasileiro", disse.
Benefícios da negociação contínua
Para o executivo da Binance, as stablecoins brasileiras também são cruciais para atrair capital estrangeiro. "O brasileiro é pioneiro, ele gosta de tecnologia. Quando a regulação for clara, a adoção pode ser exponencial", afirmou.
Sarandy também provocou no painel o fato de que o mercado tradicional falhou em se atualizar na questão de ainda não ser "vinte e quatro por sete". Poder negociar a qualquer hora é uma característica essencial que o mercado financeiro já deveria ter implementado, defendeu ele.
Lourenço Brasil, Head de Legal Latam da Coinbase, concordou em partes com Sarandy. "O grande efeito de tudo isso é que, cada vez mais, os ambientes de negociação estão interligados e, com isso, mais competitivos. As PSAVs terão um papel de conexão, elas serão cruciais para medir qual a demanda existente em cada tipo de ativo", explicou.
Ele afirma que um mercado vinte quatro por sete não traz benefícios somente para o investidor que quer comprar uma ação a hora que desejar, também ajuda o próprio mercado tradicional.
Desafios de integração e educação
"Bancos podem trocar colaterais entre si e realizar operações que aumentem a eficácia do mercado tradicional", ele completa. O grande problema, segundo Lucas Anselmo, CPO da Nomad, é a falta de interoperabilidade entre os mercados. Segundo ele, existe um entrave na integração do jurídico e operacional de ambas as partes.
"Não adianta virar a chave de uma vez. Estamos aos poucos estudando novos produtos e aplicando a tecnologia na operação. Os dois mundos estão muito bem resolvidos. Mas entre eles, ainda são estranhos", disse Anselmo.
Além disso, o movimento de educação pode aumentar com a chegada da tecnologia. "Muitos brasileiros não sabem nem o que é treasury. Tokenizar traz uma camada a mais de conhecimento que o investidor precisa ter antes de investir no ativo", disse.

Blockchain Rio (Ajustada por IA)


