Descubra como a inteligência artificial pode revolucionar suas compras online e o que ainda falta para você confiar nessa tecnologia.
A imagem de Miranda Priestly tentando manter uma revista tradicional relevante em um mundo cada vez mais digital, retratada em O Diabo Veste Prada 2, mostra um dilema que também começa a transformar o varejo. A forma como consumidores descobrem produtos, pesquisam preços e realizam compras está mudando rapidamente, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial.
Uma das expressões mais concretas dessa mudança é o chamado agentic commerce, ou comércio realizado por agentes de IA, no qual esses agentes podem pesquisar produtos, comparar opções, negociar preços e concluir pagamentos em nome do consumidor. O conceito já deixou de ser uma ideia futurista e começa a se tornar realidade.
- Agentes de IA podem encontrar roupas perfeitas com base no seu estilo, tamanho e orçamento.
- Eles podem pesquisar em várias lojas em segundos, economizando tempo.
- A maioria dos consumidores ainda não confia em compartilhar dados de cartão com a IA.
- O pagamento é a chave para conquistar essa confiança.
- O futuro do varejo combina lojas físicas e tecnologia digital.
Imagine pedir a um agente de IA para encontrar uma peça específica de roupa, considerando tamanho, estilo, orçamento e histórico de compras. Em segundos, ele pesquisa diferentes varejistas, seleciona as melhores opções e, após sua aprovação, conclui a compra. O pagamento acontece em segundo plano, dentro dos parâmetros previamente definidos pelo consumidor.
A tecnologia, porém, avança mais rápido do que a confiança do consumidor. E é justamente aí que surge uma tensão semelhante à retratada no filme: enquanto a tecnologia transforma rapidamente a forma como consumimos, os hábitos e a confiança necessários para acompanhar essa mudança evoluem em outro ritmo. Muitos consumidores ainda hesitam em permitir que agentes de IA ultrapassem a etapa das recomendações e passem a pesquisar, negociar e realizar pagamentos em seu nome.
Uma pesquisa realizada pela Vogue Business com leitores do Reino Unido, Estados Unidos e Europa mostra que apenas 31% delegariam suas compras a um agente de IA, mesmo que ele conhecesse suas preferências. Menos de um quarto confia nas recomendações de chatbots para moda e beleza. O dado mais revelador, no entanto, está nos pagamentos: 72% afirmam que não compartilhariam os dados do cartão com um agente de inteligência artificial.
Essa resistência não é novidade. No fim da década de 1990, o comércio eletrônico enfrentou um desafio semelhante. Consumidores gostavam de navegar pelas lojas virtuais, mas hesitavam em informar os dados do cartão. O problema não estava na experiência de compra, mas na camada de pagamentos. Foi a evolução de tecnologias como criptografia, tokenização, autenticação e carteiras digitais que tornou as compras online parte da rotina.
O agentic commerce caminha para um processo semelhante. Segundo o relatório State of Fashion 2026, da McKinsey, o AI Shopper está entre as tendências que devem transformar o setor nos próximos cinco anos, com agentes autônomos passando dos projetos-piloto para aplicações concretas.
Isso significa que a próxima grande transformação do varejo talvez não dependa apenas de modelos de IA mais sofisticados, mas da construção de uma infraestrutura de pagamentos invisível, segura e confiável, capaz de permitir que consumidores deleguem transações financeiras com a mesma tranquilidade com que hoje utilizam o pagamento por aproximação.
Esse movimento, porém, não aponta para o fim das lojas físicas. A mesma pesquisa da Vogue Business mostra que 40% dos entrevistados ainda preferem comprar produtos de luxo presencialmente, enquanto outros 37% adotam uma abordagem híbrida. Qualidade, caimento e atendimento continuam sendo dimensões da experiência que a tecnologia não consegue simplesmente substituir.
No futuro, o diferencial das marcas talvez não esteja em escolher entre o físico e o digital, mas em integrar ambos de forma fluida. Nesse cenário, a melhor experiência de pagamento será aquela que o consumidor praticamente não percebe: segura, fluida e integrada ao momento da compra, sem interrompê-lo.
Talvez Miranda Priestly jamais admitisse que deixaria um agente de IA fazer suas compras. Mas, se isso acontecer um dia, dificilmente será apenas porque a inteligência artificial aprendeu a escolher o casaco perfeito. Será porque a infraestrutura por trás dessa experiência tornou o pagamento tão seguro, confiável e natural que ela sequer precisou pensar nele.

Nuvei (Ajustada por IA)



